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Cartilha Maternal

DECIMA SETIMA LIÇÃO

Reading edition

Vamos ao r, terceira das consoantes incertas e, como as duas primeiras c g, igualmente de dois valores, um prolongavel e outro instantaneo.

Ponhamos em diálogo a doutrina:

—Que letra é esta?—Rêr.

—Porque se chama rêr?—Porque vale rr... e r'.

—Quando vale rr...?—Em vindo no princípio ou dobrado.

—E em não vindo no princípio, ou dobrado, o que vale, ou como se lê?—R'.

Não é necessario trazer para aqui as vogaes, como se costuma: isso impõe ao principiante uma distincção inutil, porque tanto vale o r entre vogaes, como entre vogal e consoante. Escusa tambem ensinar as excepções ao discipulo: como o r, se profere tocando a lingua no ceo da boca, e o rr... consiste na repetição desse toque (gemendo ou vozeando ao mesmo tempo), a affinidade desses dois valores, e o mesmo estylo da lingua leva o discipulo a reforçar a inflexão, quando lhe destoa proferida simplesmente. Difficuldade acharia elle em o não fazer, por exemplo, em carne e melro, ou vice versa em tenro e arlequim: pois antes ou depois de l, o r é guttural. E o mesmo podemos dizer a respeito de n; mas advertindo que, por exemplo em tenro, não é necessario que o n sôe como letra (ou inflexão); basta representar de til.

Estas observações dirigem-se ao mestre: e ainda ao mestre, á excepção de alguma indicação prática, o mais que deixamos nestas notas não merece especial reparo; nomeadamente as razões de ordem. Chamando a isto methodo, cabe-nos mostrar que o é; mas para fazer breve e commoda jornada por uma estrada recta e plana, não é necessario saber como a traçaram e construiram.

O r guttural é inflexão instantanea porque se reduz em última anályse a um toque de lingua no ceo da bôca; é inflexão prolongavel porque se forma repetindo esse toque indeterminadamente; e é voz porque o gemido (como lhe temos chamado) com que proferimos v, z, j, e de que igualmente depende o r guttural, não é senão o fôlego elevado ao grau de vibração, ao grau de voz. Propriamente fallando, a voz só se emitte de bôca mais ou menos aberta, e sem intervenção sensivel dos orgãos mudos. Mas á parte esta intervenção e a propriedade do termo, n'aquellas quatro inflexões ha voz. Tanto assim que bem podemos esboçar distinctamente qualquer melodia, modulando-a n'alguma das inflexões v, z, j, r...

Estas são verdadeiramente as letras semi-vogaes: não—aquellas cujo nome começa e acaba por vogal. O que terá o nome com a cousa!

A letra r, pela sua frequencia e pelos seus accidentes de posição e número, merece uma lição com consoantes certas, e outra com consoantes incertas. Em seguida daremos, para desfastio do alumno, um pequeno diálogo. Se o mestre não julgar inutil este exercicio, applique ás palavras a, o, a regra do a, o, finaes; e diga que o e simples lê-se i. O alumno reconhece as maiusculas, e a pontuação não o embaraça. Appliquem-se as regras conhecidas.

r rei rua raio raiva rijo rato ferro jarro terra burro ira vara fera furo jura puro ar ir vir for flor dar ver verde perda pardo perto preto prato bruto pobre irar virar varrer ferrar raro retiro rir roer ratar repartir recibo receio rico róca ruço carro garrafa garra guerra cera cerol cara caracol corda açorda geral gôro agora agouro certo carta garfo grito gritar córar cear receber regedor rogar cerrar correr agarrar gorar carregar recordar

—Ó Pedro, que é do livro de capa verde, que te deu o avô? —Já o dei ao Jorge a guardar. —Vai lá pedil-o. —Para quê? —Para a tia Carlota ver a gravura do caçador. —Ouve cá: a pobre da Clara ia abrir a porta do quarto, caíu, quebrou a garrafa do petróleo, e ficou ferida. Vou agora á botica; levo aqui a receita: á tarde logo fallo ao Jorge, e digo que t'o dê. —Palavra? —Palavra, Julio, fica certo. —Vê lá, cuidado!

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