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Cartilha Maternal

DECIMA LIÇÃO

Reading edition

Estas notas são escritas ao correr da impressão; e, recebendo agora do Porto a primeira folha (que em Lisboa nem de graça, como chegámos a offerecer a um editor notavel, demais a mais poeta e prosador, conseguimos a publicação desta curiosidade) vemos nessa folha que na segunda lição, onde se trata da combinação do v com as vogaes, dissemos que vos podieis demorar na leitura de cada letra sem distincção, por serem todas igualmente prolongaveis. Assim é: mas esqueceu-nos advertir que haja cuidado em não separar a inflexão da voz; senão, basta a minima pausa para terdes de as ajuntar depois, o que vem a dar na mesma que soletrar. A advertencia era por ventura escusada.

No ensino individual, que é só onde temos experimentado este systema, com os resultados previstos (em lições manuscritas imitando letra redonda) costumamo-nos collocar a um canto da mesa, mais o alumno, elle dum lado á esquerda e nós do outro; pomos-lhe a lição diante convenientemente; e emquanto, nas primeiras quatro lições, percorremos com o ponteiro pela parte de cima as letras da palavra, imol-as simultaneamente pronunciando. Ora como do intervallo das letras naturalmente se abstrahe, nem esse intervallo é apreciavel na marcha do ponteiro, a palavra afigura-se aos olhos do principiante como uma pequena escala, cujas notas se vibram na sua ordem natural.

E o que é a leitura senão a pronúncia successiva dos elementos simples ou compostos, certos ou incertos da palavra escrita? Por isso é que a leitura é a verdadeira soletração; porque só na leitura se dá aos caracteres o seu justo valor.

Ha duas soletrações, a antiga e a moderna. A soletração antiga vai chamando as letras pelos seus nomes, para apresentar depois, não a somma desses nomes, mas a somma dos valores dessas letras. Esta soletração é absurda, e desmoralisa o raciocinio do principiante. Como quereis vós que uma alminha, ainda com aquella luz tão pura que traz de Deus, entenda que cê, agá, á, junto, sommado, é xá?!

Isto será ensinar a ler, mas é ao mesmo tempo embrutecer. Ora mil vezes antes analfabeto que idiota.

Porem esta soletração, que aliás reina em Portugal e seus dominios, está condemnada. A outra, a soletração moderna que procede por valores, é incomparavelmente superior; mas ou é inexequivel ou escusada.

Modernamente, como se soletra chá? Deste modo: x', á, xá. Mas se o alumno sabe, pelo conhecimento das regras ou por intuição, o valor hypotetico de ch, lê igualmente xá; e se não sabe, não pode soletrar á moderna. É claro.

Daqui resulta que a soletração é a leitura. Ensinemos as regras; e a pratica fará o resto.

Segue-se o k, pela ordem estabelecida; e como só o podemos apresentar em kilo, aproveitemos a occasião de exercitar o principiante no o final, ensinando-lhe que o o no fim vale u. Explicai-lhe o symbolo, se vos parecer: a curva ondeada indica as mais letras da palavra acabada em o, que faltam; as duas parallelas querem dizer vale.

k kilo

~~~o = u vivo viuvo viajo vejo fujo favo fato ato bato bafo abafo bafio abalo fallo luto lado lido pato pavio pulo papalvo baldo baldio bolo lobo lodo ovo tolo tòldo

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