SCENA XVIII
Reading edition
O ESPECTRO DE D. MARIA I, louca, furiosa, delirando:
Meu pai!… meu pai!… meu pai!… meu pai!… Castigo eterno, chamas do inferno!… Meu pai!… meu pai!… Olha os diabos… olha os diabos… Coriscos os cornos, serpentes os rabos!… Ui! o marquês!… ui! o marquês!… Num caldeirão em brasa, a derreter em chumbo, a ferver em pez! Vão-me coser! já estou a arder! já estou a arder!… Kyrie Eleyson! Kyrie Eleyson! Kyrie Eleyson! Miserere nobis! ora pro nobis! Jesus! Jesus! Jesus! Jesus! Levem a purga!… levem a seringa!… não me quero purgar! Não me quero purgar… não tenho ventre… sou feita de ar… D. Rosa! D. Rosa! ó D. Rosa!!… Acode depressa! anda depressa, que me deitam ao mar!…
Desaparece.
O DOIDO, na escuridão:
Satanás, zombando, fez um rei de espadas, Fez um rei de espadas com um cão tinhoso; Com o cão tinhoso fez um sapo coxo; Com o sapo coxo fez um porco bravo; Com o porco bravo fez um bode d'oiro; Com o bode d'oiro fez um corvo negro; Com o corvo negro uma galinha doida… Ko-ko-ro-có! Ka-ka-ra-cá?!… A galinha doida que é que parirá?!…