SCENA V
Reading edition
O rei, inquieto, preocupado, senta-se ao fogão. Os cães abeiram-se, uivando medrosos. Redobra a tormenta. Pestanejam, contínuos, relâmpagos formidáveis.
O DOIDO, no escuro, em voz plangente de embalar crianças:
Os vivos tem mêdo aos mortos, Que andam de noite ao luar… Fantasmas de mortos São enganos mortos… Deixem-nos andar… deixem-nos andar!…
Os vivos tem mêdo aos mortos, Que andam sonhando a penar… Quimeras de mortos São desejos mortos… Deixem-nos sonhar… deixem-nos sonhar!…
Os vivos tem mêdo aos mortos, Que andam cantando a chorar… As canções dos mortos São suspiros mortos… Deixem-nos cantar… deixem-nos cantar!…
O REI:
O doido! o doido! o doido!
A MESMA VOZ, na escuridão:
Não lhes tenham mêdo… deixem-nos cantar…