RESPOSTA DE JOSÉ ANASTACIO
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SATYRA FEITA A FRANCISCO DIAS, TENDEIRO, COM LOJA DE MERCEARIA NA RUA DAS ARCAS, CHAMADO POR ALCUNHA O DOUTOR BOTIJA, EM RESPOSTA DE OUTRA, QUE FEZ A UM SUJEITO, DE QUEM NÃO TINHA O MINIMO CONHECIMENTO, NEM O MENOR ESCANDALO.
Em quanto agora, o rude teu caixeiro Unta as guedelhas no mofino azeite, Que sobra do nojento candieiro; Em quanto se entretem no porco enfeite, E fervoroso tu lhe estás prégando Para que nas balanças menos deite: Ó mofino, meus versos escutando, Melhor aprende a venerar a gente, Que os jumentos, quaes tu, sabe ir picando. Que sequaz te induziu, feio demente, A romperes c'o a ovelha? que pateta Nas garras te lançou do mal presente? Foi talvez o politico de treta, Humanado morcego, que na escura Noite, á lambuge sahe da branca e preta[2]? Calvo peralta, que sem tom murmura: Venero-o; que é burrinho sustentado Pelos serviços do defunto cura. Foi algum minorista relaxado Heroe dos Ganimedes, padre velho, Nos dogmas de Lieu controversado? Bibliographico vão de alto conselho: Governa-te por esse moralista, Que vende em praça o gato por coelho. Nem estes, nem o secco rabulista, Aguia manhosa, que folgando espera Comer, nas garras, quem tentar na alpista. De que hoje te arrepelles defendera, Por chamares ao circulo um amigo Que de asnos despicar-se não quizera. Eia commigo, pedantão, commigo, Que da Laconia os cães excedo na arte, Com que em vereda os lobos maus persigo. Não determino os versos censurar-te; Supposto manifestem que os favores Calliope comtigo não reparte. Nem respondo tão pouco aos rimadores, Que dão ás aguas de Hyppocrene o gosto N'um cantar, como aos echos dos tambores. Phebo a taes ignorantes volta o rosto: Das lyras que no Olympo ouvir estima, N'um ão com um ão o gosto não tem posto. Nem menos aos exemplos teus da rima: Sem ella os campos lacios, e os da aurora, Deram plectros, que a todos vão de cima. Nos mil volumes, creio lês por fóra; Mas excede na orelha um mau jumento Quem de Apollo as acções assim decóra. Menos respondo ao baixo atrevimento, De me accusares por fallar das artes, Em meio de qualquer ajuntamento. Comtigo n'isto a injuria bem repartes; O sabio no lugar onde apparece Das mãos não larga Homéro, nem Descartes. Ditoso quem no mundo isto conhece! Ditoso aquelle, que d'um n'outro errando, Vagueia, té que a aurora lhe amanhece! Cada um na sua herdade anda lavrando: Tu desvelas-te em ser rico tendeiro, Eu em andar nas artes estudando. Nenhum d'estes defeitos, eu requeiro Para abaixar-te a longa orelha; emprégo Outro arrocho maior, maior fueiro. Por isso de outros erros te não prégo: Qual é o de seguires que entre os homes O lynce represente ser um cego. Teme-os embora tu, que d'elles comes; Mas olha que ao cobarde a espada corta: Nunca livre obra, quem receia fomes. Quem te mette a induzir na estrada torta, O que voar pretende além dos céos? A porta da virtude é estreita porta. Pondera, se com taes descuidos teus, Não podia opprimir-te, envergonhar-te, Se vergonha consente o mal nos seus. Vê se bastante era isto a depennar-te, D'essa vaidade, com que te apresentas Decidindo de leve em qualquer parte. Bem como as aves já de orgulho isentas A gralha depennaram, que entendia Encobrir suas plumas macilentas. Que mal c'o as do pavão se revestia, Eis lh'as depennam logo, e perseguindo Vão todas a infeliz, que lhes fugia. Hoje atravessa os mares repetindo: Ao vaidoso mui mal serve a vaidade: E de echo o exemplo teu lhe está servindo. Se não tiveste geito para abbade, Nem para leigo ser da Estremadura, Quem te mette a inculcar letras de frade? A natura não é contra natura: Para Minerva, e Clio não tens ara, Que um bom senso, não soffre má figura. Qual das celestes musas não julgára, Se teus metros Apollo a lêr vos dera, Que em seu presidio Circe te hospedára? E que tornar-te em burro pretendera, Com mania de versos maus fazeres, Como n'outros por magica fizera? Para o que seus veneficos poderes, Ajuntando, com vara diamantina Te deu, ferindo o chão, a orelha a veres? Mas Phebo a cousas taes me não destina. Só na grandeza enorme da ambição, Que te occupa, meu rude plectro afina. Já sinto se me inflamma o coração, Ah! Menippo cruel da mercearia, Nas tramoias da tenda sabichão! Onde férvido corres á porfia, Uns dinheiros, sobre outros encofrando, Sem afrouxares nunca em tal mania[3]? Não vês que eterno mal estás cavando A vida, que respiras, praguejada Pela miseria dos que estão penando? Quem te encontra de capa esfrangalhada, Surdindo já pelo sapato o dedo, Porcas as mãos, a cara besuntada, O ar do rosto, de quem come azedo, As melenas hirsutas, mal corridas, Figura, que promove o nojo e medo: Diria: «que mal correm as medidas A este pobre!» a não te conhecer Pelo mais traficante busca-vidas. Com que razão, te intentas defender, Sendo não só nos males teus culpado, Mas nos de quantos menos podem ter? Não sei como respiras socegado Encontrando no mundo a cada passo O triste, que tu fazes desgraçado! Podes voltar as costas, ó escasso, Á vista da miserrima figura, De quantos mata o famulento laço? Do pobre, que esforçar-se em vão procura, Contra o peso dos annos, que servindo Lhe estão de açoute, até á sepultura? Do enfermo, que o grave mal sentindo, Olha, e vê a terrivel desnudez Estar-lhe aos pés a fria cova abrindo. Presumo que em tal scena te não vês, Ignorante selvage inda peor, Que os mouros de Marrocos, ou de Fez. Não te abrandam os echos do clamor Da misera viuva, rodeada Dos tenros fructos do passado amor, Que rota, lacrimosa, esguedelhada, Um dia vê raiar, vê outro dia, Sem que lhe digam: «toma, desgraçada!» Avaro sabichão da Barberia, Aos golpes morrerás dos crueis damnos, Que aos tristes motivar tua mania. Pondéra meus sinceros desenganos, Que de outro peso são, que os palavrosos Discursos teus, errados, e profanos. Fizeram na terra o mal os cobiçosos; N'elles origem teve este direito, Que faz o rico, e faz os desditosos. N'elles é que se viu o homem sujeito: N'elles a causa da ignorancia existe, Pois ninguem conhecer quer seu defeito. Porque de erros tão feios não sahiste, Se ser tentavas critico dos homes? N'um bom exemplo a boa lei consiste. Outra vereda é licito que tomes; Seja essa a de tendeiro, em que nasceste Entre os exemplos já, de unhas de fomes. Olha a quanto por nescio te expozeste! A perderes do ser de humano a gloria, Porque outro avaro Midas te fizeste! Na terra gravarão triste memoria Teus vicios, e acções escandalosas Nunca sonhadas na mais vil historia. Com que horror te olharão castas esposas, Sabendo que aprouveste á tua dar Um tostão, vendo-a enferma? E que repousas! Com que odio chegarão a recordar Não seguiste as leis do deus vendado, Por mais cobres na burra accumular? Morrendo viva o mal aventurado; (Dirão ellas) nem d'elle se encarregue O Charonte no Averno ao remo usado. De Ixion, e Tantalo aos trabalhos chegue; Nas garras das harpias monstruosas Com elle, a grã discordia irada prégue. Cáia aos pés das Euménides raivosas, Que as cabeças de viboras povoadas Cingem de escuras fitas sanguinosas. Gema nas mãos das funebres e iradas Scyllas biformes, cuja enormidade As montanhas assombra inanimadas. Que inda pequena é calamidade Para quem dobra aos pés uma innocente Dos vicios, que disfarça em castidade. Ah! mofinento critico, indolente, Para opprobrios respiras n'este mundo, Alvo já dos rapazes, e da gente! Vê porque nome trocas o profundo Socego da virtude, tão querido, Menippo turbulento, vil, e immundo! Vê porque gloria vives opprimido, Querendo bravo dar a conhecer-te, Pela besta maior que tem nascido! Sahe vacillante quem chegou a vêr-te Sobre côxo banquinho repimpado Ao canto do balcão, sem nunca erguer-te. Quando ao mais alto o dia tem chegado Ergueres essa cara agolfinhada, Isto dizendo ao caixa enlabuzado: «Ouves, tratante, uma hora é já passada: Vai vêr no Talaveiras se sobeja Alguma cousa, muito acommodada. Senão, á cêa basta que isto seja; Que eu por mim, te confesso, estou impando: Inda a sardinha de hontem cá branqueja.» Sahe aturdido quem te viu ceando Negra bolacha, e na herva mal cozida, Pingo e pingo o azeite alto deitando. Mosca que ao prato vem, dobra a lambida Mesa de cão; e ao longe teu caixeiro Comendo está n'um canto por medida. Mofino, que avançado no terreiro O mundo desafias, teme agora Morrer na espada do feroz Rogeiro. Teme, teme os clamores, muito embora, Da grã calamidade, que gemendo Triste escrava do avaro, amarga chora: Da grã calamidade, que volvendo Os olhos para os céos, efficazmente Expondo o mal, que á força está fazendo. Eterno Padre, Justo, Omnipotente, (Diga, vendo-se toda rodeada Da miserrima, triste, e pobre gente) Não posso respirar mais subjugada. Aos erros da avareza repetidos Por cujas mãos tyrannas fui criada. Mil vezes entre funebres gemidos, Vi abraçar os pés aos avarentos Homens, estes que trago perseguidos. Dizendo-lhes com ais, e pensamentos Que as montanhas curvavam de gemer: Ó vós, causas crueis d'estes tormentos! Já que os templos dos numes soffreis vêr Desornados, dos numes que piedosos Vos deram vida, humanidade e ser: Já que os olhos cerraes aos magestosos Preceitos seus, no coração gravados; Já que abusaes de serem generosos, Ao menos vos commovam, desgraçados, Miseros gostos nossos, innocentes Combatidos da fome, e destroçados. Não sejaes fortes com as humildes gentes: Possa-vos compungir esta lembrança: Que sois co' os irmãos vossos, inclementes. Possa abalar-vos da primeira usança As leis, restituindo á natureza A gloria, os bens, o ser, a segurança. Nada, ó Jove, abrandou sua dureza; As razões todo o vicio aos homens tiram; Mas a razões não olha o da avareza. Ah! fulminante deus, quanto sentiram Esses que desthronar-te já quizeram, Que as penhas sobre penhas enxeriram! Desata sobre avaros, que offenderam Da natureza as leis n'um semelhante; Que commetter mil males me fizeram. Desata já das nuvens coruscante Raio que envolva em subtil cinza quantos Mofinos tem o mundo, ó deus tonante, E dizendo isto, cáiam mil e tantos Coriscos logo, serpenteando os ares, Que te acabem entre horridos espantos. Eis, clamarás então: santos altares, Valei, valei!—porém mal acabando, Tornado em cinzas te verão ficares. Oh! quanto os teus, teus males alegrando Correndo logo em turba, o cofre abrindo, Vejo as mãos para os céos alevantando! Uns o arroz da tenda já medindo, Outros de um ar choroso mascarados De quando em quando para um canto rindo! A fama de improviso aos desgraçados Corre, e por cem boccas apregoa, Teus fins terriveis, mal aventurados. Nenhum mais se entristece, nem magôa. É justo o céo, é justo, pois castiga Os avaros. Eis quanto n'elles sôa. Pedante, não maltrates a barriga, Entre saccos, e saccos de alimentos; Não sejas mais avaro que a formiga. Não queiras ser com muitos avarentos Semelhante a Lycurgo, rodeado De cofres, expirando nos tormentos. Vive de tua esposa acompanhado, Tendeirinhos pequenos fabricando, Que bem obra quem segue o decretado. Vai as medidas tu satyrisando, Que para bocca d'asno o mel não é; Deixa de andar as musas inquietando. Para critico seres, tens mau pé: Não murmures de outeiros, que em verdade, N'elles Apollo o bom, e ruim vê. E se fumos desejas ter de abbade, Mostrando-te doutor de mitra, e toga, Com primazias de robusto frade; Aos ratos deixa a tenda, e desafoga: Segue do Paiz Baixo essa mofina Estrada; e vai firmar-te á synagoga. Porque entre os phariseus da lei rabina, Te inculcarás mui bem, já me percebes[4]; A natureza mais do que a arte ensina. Entre nós os do Luso, não recebes Louvor algum; olham-te mau tendeiro, Um vil que na ambição nunca assás bebes. Não saques mais as gentes a terreiro, Que aos maus sou formidavel, arrebato Nos cornos a capinha mais ligeiro. As virtudes abraça de barato; Olha que serás mais atassalhado, Que na bocca do cão raivoso, o gato. Sou semelhente ao genro desprezado Por Licambo, ou bem ao inimigo Vingativo do bufalo malvado. Vende o bom bacalhau, o melhor figo: Argumenta c'o teu almotacé: Detesta os vicios, anda só comtigo, O Alcorão não sigas de Mahomet.
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A mais completa noticia que temos de José Anastacio da Cunha deve-se ao esclarecido investigador, o snr. Innocencio Francisco da Silva (Dicc. bib., t. IV, pag. 221-231). Aqui encontramos pela primeira vez a sentença inquisitorial que condemna José Anastacio da Cunha a ouvil-a no auto publico de fé, com habito penitencial. A sentença confisca-lhe todos os bens, encerra-o por tres annos na congregação do oratorio, com dous dias de penitencia em cada mez no primeiro anno; findo o triennio da reclusão, desterra-o por quatro annos para Evora, e veda-lhe perpetuamente o ingresso em Coimbra e Valença.
Concluidos os tres annos de reclusão, José Anastacio requereu á mesa do santo officio que lhe commutasse o degredo dos quatro annos em residencia na congregação do oratorio. A inquisição condescendeu.
Os delictos do condemnado estão substanciados no exordio da sentença que reza assim: «...e pareceu a todos os votos que o réo pela prova da justiça e suas confissões estava legitimamente convicto no crime de heresia e apostasia por se persuadir dos erros do deismo, tolerantismo, e indifferentismo, tendo para si, e crendo que se salvaria na observancia da lei natural, como a sua razão e a sua consciencia lhe ditasse, sem a sujeitar a algumas leis ou preceitos e sem a regular pelos dogmas da religião revelada que não acreditava; tendo tambem por injustas e tyrannas as leis com que a igreja obriga os fieis a captivar os seus entendimentos e a sujeitar os seus discursos em obsequio da fé e das verdades reveladas que lhes propõem para crerem sem duvida nem hesitação alguma: persuadindo-se igualmente que qualquer pessoa se salvaria em toda e qualquer religião que seguisse e fielmente observasse, capacitado que obrava bem, ainda que errasse, não sendo por malicia, mas só por falta de conhecimentos», etc.
A inquisição já não tinha garras n'aquelle anno de 1778. Vinte annos antes, um réo com menos delictos, seria queimado. José Anastacio orçava então pelos trinta e quatro annos; era tenente do regimento de artilheria do Porto, e lente cathedratico da cadeira de geometria na universidade.
José Monteiro da Rocha, lente de astronomia, figadal inimigo de José Anastacio, teve o maior quinhão no vingado odio que o perdeu. Em um debate scientifico degladiado entre os dous sabios, encontro o professor de geometria assim apreciado por Monteiro da Rocha[5]: Estes papeis respiram tanta arrogancia e presumpção, contém tantas falsidades e imposturas, e desmandam-se em allusões tão satyricas, e dicterios tão grosseiros, insolentes, e malignos que bem manifestamente dão a conhecer que o author tem o miolo desconcertado ou damnado o coração.
Se tinha o coração damnado, a inquisição expungiu-lhe o virus hydrophobo, e Monteiro da Rocha fez uma boa acção proporcionando ao seu inimigo o ensejo de reconciliar-se com S. Domingos, mediante sete annos de reclusão e confisco de bens.
O insigne mathematico falleceu aos quarenta e tres annos de idade, na calçada de Nossa Senhora das Necessidades, nos braços de sua mãi, que elle adorava extremosamente.
O snr. Innocencio Francisco da Silva publicou em 1839 as Composições poeticas do doutor José Anastacio da Cunha, incluindo n'ellas a Voz da Razão que não era de José Anastacio. O illustrado bibliophilo reconheceu depois e confessou o seu engano, por se ater ao boato publico.
Nas mais completas collecções de poesias ineditas do douto philosopho não entra a Voz da Razão. Prezo-me de ter possuido as suas poesias completas, e não vi rastro d'esse poema nem d'outros com a mesma tendencia irreligiosa.
No Diccionario bibliographico, tom. IV, pag. 226, o snr. Innocencio Francisco da Silva, considerando extraviada a maior parte das poesias do seu biographado, escreve: «... João Baptista Vieira Godinho, outro intimo amigo de José Anastacio, fallecido no Rio de Janeiro a 11 de fevereiro de 1811, no posto de tenente-general, teve tambem em seu poder muitas composições do sobredito; porém, confiando-as algum tempo antes de morrer ao conde de Linhares, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, ignora-se o destino que tiveram.»
Podiam ter peor destino. Vieram á minha mão em 1872. É um volume em 8.º encadernado em marroquim, dourado por folhas. Contém parte 1.ª e parte 2.ª dos versos. É prefaciado por J. B. V. G. (João Baptista Vieira Godinho), que se propõe reunir as poesias do seu desgraçado amigo. Não sei como este volume sahiu da livraria do conde de Linhares. Eu comprei-o ao livreiro Rodrigues, do Pote das Almas, em Lisboa; e elle comprou-o aos herdeiros do jurisconsulto Pereira e Sousa. O livro, a final, entrou no pantheon mais digno que lhe podia occasionar o fado dos livros que não é sempre o melhor: está na livraria do snr. visconde de Azevedo, no Porto.
Presumo, todavia, que Vieira Godinho não logrou colligir todas as poesias do seu amigo. A Satyra, que o leitor acabou de lêr, pertence a outro codice.
Tambem possuo da letra de José Anastacio a versão muito emendada do 1.º e 3.º acto do Mafoma de Voltaire. Diz lá uma nota de Pereira e Sousa que aquelles mesmos papeis estiveram no cartorio da mesa do santo officio. Por isso eu os guardo com muita veneração, e os beijo reverentemente, pensando que elles passaram pelos bentos dedos do cardeal de Cunha, inquisidor geral.