VII MIRAGAIA
Reading edition
É a terceira vez que se imprime o romance MIRAGAIA; só agora porêm vai restituido ao seu devido logar n’este primeiro livro do ROMANCEIRO. Publicou-se primeiramente no ‘Jornal das Bellas-artes[29],’ foi logo vertido em Inglez não sei por quem, e não me lembra em que publicação appareceu, nem o acho.
Traduziu-o em Francez um curioso[30]; e não me metto a appreciar a que elle modestamente chama ‘imitação’ do meu romance; dou-a em appendice.
Tambem sei que existe uma versão castelhana pelo Sr. Isidoro Gil, o mesmo que n’esse idioma traduzira o BERNAL-FRANCEZ. Creio que se publicou em um jornal de Madrid, mas não a vi nunca.
Eu, quando dei esta bagatella aos Srs. editores do ‘Jornal das Bellas-artes’ para encherem algum vão que lhes sobrasse n’aquella sua linda e elegante publicação, escrevi, a um canto do proprio rascunho original que não tive paciencia de copiar, as seguintes palavras:
‘Este romance é a verdadeira reconstrucção de um monumento antigo. Algumas coplas são textualmente conservadas da tradição popular, e se cantam no meio da historia ‘rezada’ ainda hoje repettida por velhas e barbeiros do logar. O conde D. Pedro e os chronistas velhos tambem fabulam cada um a seu modo sôbre a legenda. O auctor, ou, mais exactamente, o recopilador, seguiu muito pontualmente a narrativa oral do povo, e sôbre tudo quiz ser fiel ao stylo, modos e tom de contar e cantar d’elle; sem o quê, é sua íntima persuasão que se não póde restituir a perdida nacionalidade á nossa litteratura.’
O postscriptum, servindo de nota ao commento, sahiu impresso no referido jornal, e foi ampliado com algumas observações por extremo lisongeiras dos Srs. editores, a quem muito desejei auxiliar como elles mereciam por sua gentil imprêza, que era a mais bella e das mais uteis que se teem commettido em Portugal.
Devo ao seu favor, não só o terem adornado a minha MIRAGAIA com as lindas gravuras em madeira que todos admiraram, mas o permittirem que se fizesse com ellas a pequena edição em separado com que quiz brindar alguns amigos, apaixonados, como eu, de nossas antigualhas populares.
Era uma folha avulsa do meu ROMANCEIRO, e n’elle vai reposta agora que se offerece tempo e logar conveniente.
Foi das primeiras coisas d’este genero em que trabalhei: e é a mais antiga reminiscencia de poesia popular que me ficou da infancia, porque eu abri os olhos á primeira luz da razão nos proprios sitios em que se passam as principaes scenas d’este romance. Dos cinco aos dez annos de edade vivi com meus paes n’uma pequena quinta, chamada ‘O Castello’ que tinhamos áquem Doiro, e que se diz tirar esse nome das ruinas que alli jazem do castello mourisco.
Na ermida da quinta se venerava uma imagem antiquissima de Nossa-Senhora com a mesma invocação ‘do Castello,’ e com a sua legenda popular tambem, segundo o costume.
Com os olhos tapados eu iria ainda hoje achar todos esses sitios marcados pela tradição. Muita vez brinquei na fonte do rei Ramiro, cuja agua é deliciosa comeffeito; e tenho idea de me ter custado caro, outra vez, o imitar, com uma gaita da feira de San’Miguel, os toques da bozina de S. M. Leoneza, impoleirando-me, como elle, n’um resto de muralha velha do castello d’elrei Alboazar: o que meu pae desapprovou com tam significante energia, que ainda hoje me lembra tambem.
Assim ólho para ésta pobre MIRAGAIA como para um brinco meu de criança que me apparecesse agora; e quero-lhe—que mal ha n’isso?—quero-lhe como a tal. Não a julguem tambem por mais, que o não vale.
Lisboa, 24 de Janeiro 1847.
MIRAGAIA
CANTIGA PRIMEIRA
Noite escura tam formosa, Linda noite sem luar, As tuas estrellas de oiro Quem n’as poderá contar! Quantas folhas ha no bosque, Areias quantas no mar?... Em tantas lettras se escreve O que Deus mandou guardar. Mas guai do homem que se fia N’essas lettras deciphrar! Que a ler no livro de Deus Nem anjo póde atinar. Bem ledo está Dom Ramiro Com sua dama a folgar; Um perro bruxo judio Foi causa de elle a roubar. Disse-lhe que pelos astros Bem lhe podia affirmar Que Zahara, a flor da belleza, Lhe devia de tocar. E o rei veio de cilada D’alêm do Doiro passar, E furtou a linda moira, A irman d’Alboazar. A Milhor, que é terra sua E está na beira do mar, Se acolheu com sua dama... Do mais não sabe cuidar. Chora a triste da rainha, Não se póde consolar; Deixá-la por essa moira, Deixá-la com tal dezar! E a noite é escura cerrada, Noite negra sem luar... Ella sósinha ao balcão Assim se estava a queixar: —‘Rei Ramiro, rei Ramiro, Rei de muito mau pezar, Em que te errei d’alma ou corpo, Que fiz para tal penar? ‘Diz que é formosa essa moira, Que te soube infeitiçar... Mas tu dizias-me d’antes Que eu era bella sem par. ‘Que é môça, na flor da vida... Eu, se ainda bem sei contar, Ha tres que tinha vinte annos, Fi-los depois de casar. ‘Diz que tem os olhos pretos, D’estes que sabem mandar... Os meus são azues, coitados! Não sabem senão chorar. ‘Zahara, que é flor, lhe chamam, A mim, Gaia... Que acertar! Eu fiquei sem alegria, Ella a flor não torna a achar. ‘Oh! quem podéra ser homem, Vestir armas, cavalgar, Que eu me fôra ja direita A esse moiro Alboazar...’ Palavras não eram dittas, Os olhos foi a abaixar, Muitos vultos acercados Ao palacio viu estar; —‘Peronella, Peronella, Criada do meu mandar, Que vultos serão aquelles Que por alli vejo andar?’ Peronella não responde; Que havia de ella fallar? Ricas peitas de oiro e joias A tinham feito callar. A rainha que se erguia Por sua gente a bradar, Sette moiros cavalleiros A foram logo cercar; Soltam prégas de um turbante, A bôcca lhe vão tapar: Tres a tomaram nos braços... Nem mais um ai pôde dar. Criados da sua casa Nenhum veio a seu chamar; Ou peitados ou captivos Não n’a podem resgatar. São sette os moiros que entraram Sette os estão a aguardar; Não fallam nem uns nem outros... E prestes a cavalgar! Só um, que de arção a toma, Parece aos outros mandar... Junctos junctos, certos certos, Galopa a bom galopar! Toda a noite, toda a noite Vão correndo sem cessar, Pelos montes trote largo, Por valles a desfilar. Nos ribeiros—peito n’agua, Chape, chape, a vadear! Nas defesas dos vallados Up! salto—e a galgar! Vai o dia alvorocendo, Estão á beira do mar, Que rio é este tam fundo Que n’elle vem desaguar? A bôcca ja tinha livre, Mas não acerta a fallar A pasmada da rainha... Cuida ainda de sonhar! —‘Rio Doiro, rio Doiro, Rio de mau navegar, Dize-me, essas tuas aguas Adonde as foste buscar; ‘Dir-te-hei a perola fina Aonde eu a fui roubar. Ribeiras correm ao rio O rio corre a la mar, ‘Quem me roubou minha joia, Sua joia lhe fui roubar...’ O moiro que assim cantava, Gaia que o estava a mirar... Quanto o mais mirares, Gaia, Mais formoso o hasde achar. —‘Que de barcos que alli vêem!’ —‘Barcos que nos vêem buscar.’ —‘Que lindo castello aquelle!’ —‘É o do moiro Alboazar.’
CANTIGA SEGUNDA
Rei Ramiro, rei Ramiro, Rei de muito mau pezar, Ruins fadas te fadaram, Má sina te foram dar. Do que tens não fazer conta, O que não tens cubiçar!.. Zahara, a flor dos teus cuidados, Ja te não dá que pensar. A rainha, que era tua, Que não soubeste guardar, Agora morto de zelos Do moiro a queres cobrar. Oh! que barcos são aquelles Doiro acima a navegar? A noite escura cerrada, E elles mansinho a remar! Cozeram-se com a terra, Lá se foram incostar; Entre os ramos dos salgueiros Mal se podem divisar. Um homem saltou na praia: Onde irá n’aquelle andar? Leva bordão e esclavina, Nas contas vai a rezar. Inda a névoa tolda o rio, O sol ja vem a rasgar, Pela incosta do castello Vai um romeiro a cantar: —‘Sanctiago de Galliza, Longe fica o vosso altar: Peregrino que lá chegue Não sabe se ha de voltar.’ Na incosta do castello Uma fonte está a manar; Donzella que está na fonte Pôs-se o romeiro a escutar. A donzella está na fonte, A jarra cheia a deitar: —‘Bemditto sejais, romeiro, E o vosso doce cantar! ‘Por éstas terras de moiros É maravilha de azar, Ouvir cantigas tam sanctas, Cantigas do meu criar. ‘Sette padres as cantavam Á roda de um bento altar; Outros sette respondiam No côro do salmear, ‘Entre véspera e completas, E os sinos a repicar. Ai triste da minha vida Que os não oiço já tocar! ‘E as rezas d’estes moiros Ao démo as quizera eu dar.’ Ouvireis ora o romeiro Resposta que lhe foi dar: —‘Deus vos mantenha, donzella, E o vosso cortez fallar: Por éstas terras de moiros Quem tal soubera de achar! ‘Por vossa tenção, donzella, Uma reza heide rezar Aqui aopé d’esta fonte, Que não posso mais andar. ‘Oh! que fresca está a fonte, Oh! que sêde de mattar! Que Deus vos salve, donzella, Se aqui me deixais sentar.’ —‘Sente-se o bom do romeiro, Assente-se a descansar. Fresca é a fonte, doce a agua, Tem virtude singular: ‘D’outra não bebe a rainha Que aqui m’a manda buscar Por manhanzinha bem cêdo, Antes do o sol aquentar.’ —‘Doce agua deve de ser, De virtude singular: Dae-me vós uma vez d’ella, Que me quero consolar.’ —‘Beba o peregrino, beba Por ésta fonte real, Cântara de prata virgem, Tem mais valor que oiro tal.’ —‘Dona Gaia que diria, Que faria Alboazar Se visse o pobre romeiro Beber da fonte real?..’ —‘Inda era noite fechada Meu senhor foi a caçar: Maus javardos o detenham, Que é bem ruim de aturar! ‘Minha senhora, coitada, Essa não tem que fallar: Quem ja teve fontes de oiro Prata não sabe zelar.’ —‘Pois um recado, donzella, Agora lhe heisde levar; Que o romeiro christão. Lhe deseja de fallar. ‘Da parte de um que é ja morto, Que morreu por seu pezar, Que á hora de sua morte Este annel lhe quiz mandar.’ Tirou o annel do dedo E na jarra o foi deitar: —‘Quando ella beber da agua No annel hade attentar.’ Foi-se d’alli a donzella, Ia morta por fallar... —‘Anda ca, ó Peronella, Criada de mau mandar. ‘Tua ama morrendo á sêde E tu na fonte a folgar?’ —‘Folgar não folguei, senhora, Mas deixei-me adormentar, ‘Que a moira vida que eu levo Ja não n’a posso aturar. Ai terra da minha terra, Ai Milhor da beira-mar! ‘Aquella sim que era vida, Aquillo que era folgar! E em sancto temor de Deus: Não aqui n’este peccar!’ —‘Cal-te, cal-te, Peronella, Não me queiras attentar; Que eu a viver entre moiros Me não vim por meu gostar. ‘Mas ja tenho perdoado A quem lá me foi roubar; Que antes escrava contente, Do que rainha a chorar. ‘Forte christandade aquella, Bom era aquelle reinar! Viver só, desamparada, Ver a moira em meu logar!..’ Lembrava-lhe a sua offensa, Está-lhe o sangue a queimar: Na agua fria da fonte A sêde quiz apagar. A fonte de prata virgem, Á bôcca foi a levar, As riccas pedras do annel No fundo viu a brilhar. —‘Jesus seja co’a minha alma! Feitiços me querem dar... O fogo a arder dentro n’agua, E ella fria de nevar!’ —‘Senhora, co’esses feitiços Me tomara eu imbruxar! Foi um bemditto romeiro Que á fonte fui incontrar, ‘Que ahi deitou esse annel Para prova singular De um recado que vos trouxe, Com que muito heisde folgar.’ —‘Venha ja esse romeiro Que lhe quero ja fallar: Embaixador deve ser Quem traz presente real.’
CANTIGA TERCEIRA
—‘Por Deus vos digo, romeiro Que vos queirais levantar; Minhas mãos não são reliquias, Basta de tanto bejar!’ O romeiro não se erguia, As mãos não lhe quer largar: Os bejos uns sôbre os outros, Que era um nunca acabar. Ia a infadar-se a rainha, Viu que entrava a soluçar, E as lagrymas, quatro e quatro, Nas mãos sentia rollar: —‘Que tem o bom do romeiro, Que lhe dá tanto pezar? Diga-me las suas penas Se lh’as posso alliviar.’ —‘Minhas penas não são minhas, Que aos mortos morre o penar; Mas a vida que eu perdi Em vós podia incontrar. ‘Minhas penas não são minhas, Senão vossas, mal pezar! Que uma rainha christan Feita moira vim achar...’ —‘Romeiro, não tomeis cuita Por quem se não quer cuitar: Do que fui ja me não lembro, O que sou não me é dezar. ‘Deus terá dó da minha alma, Que meu não foi o peccar; E a esse traidor Ramiro As contas lhe hade tomar.’ —‘Pois não espereis, senhora, Por Deus, que póde tardar: Dom Ramiro aqui o tendes, Mandae-o ja castigar.’ Em pé está Dom Ramiro, Ja não ha que disfarçar: Aquellas barbas tam brancas Cahiram de um impuxar. O bordão e a esclavina A terra foram parar; Não ha ver mais gentilezas De meneio e de trajar. Quem viu olhos como aquelles Com que o ella está a mirar! Quem passou ja transes d’alma Como ella está a passar? Um tremor que não é mêdo, Um sorriso de infiar, Vergonha que não é pejo, Faces que ardem sem corar... Tudo isso tem no semblante, Tudo lhe está a assomar Como ondas que vão e vêem Na travessia do mar. A vingança é o prazer do homem, Da mulher é o seu manjar: Assim perdoa elle e vive, Ella não—que era acabar. Vingar-se foi o primeiro E o derradeiro pensar Que entre tantos pensamentos, Em Gaia estão a pullar: Logo depois a vaidade, O gôsto de triumphar N’um coração que foi seu, Que seu lhe torna a voltar. E o rei moiro estava longe C’os seus no monte a caçar, Ella só n’aquella tôrre... Prudencia e dissimular! Abre a bôcca a um sorriso Doce e triste—de mattar! Tempéra a chamma dos olhos, Abafa-a por mais queimar. Pôs na voz aquelle incanto Que, ou minta ou não, é fatal; E com o inferno no seio, Falla o ceo no seu fallar. Ja os amargos queixumes Se imbrandecem no chorar, E em sua propria justiça Com arte finge affrouxar. Protesta a bôcca a verdade: —‘Que não hade perdoar...’ Mas a verdade dos labios Os olhos querem negar. De joelhos Dom Ramiro Alli se estava a humilhar, Supplíca, roga, promette... Ella parece hesitar. Senão quando, uma bozina Se ouviu ao longe tocar... A rainha mal podia O seu prazer disfarçar: —‘Escondei-vos, Dom Ramiro, Que é chegado Alboazar, Depressa n’este aposento... Ou ja me vereis mattar.’ Mal a chave deu tres voltas, Na manga a foi resguardar; Mal tirou a mão da cotta, Que o rei moiro vinha a entrar: —‘Tristes novas, minha Gaia, Novas de muito pezar! Primeira vez em tres annos Que me succede este azar!... ‘Toquei a minha bozina Ás portas, antes de entrar, E não correste ás ameias Para me ver e saudar! ‘Muito mal fizeste, amiga, Em tam mal me costumar; Não sei agora o que fazes Em me querer emendar...’ No coração da rainha Batalha se estão a dar Os mais estranhos affectos Que nunca se hãode incontrar: O que foi, o que é agora... E a ambição de reinar... O amor que tem ao moiro, E o gôsto de se vingar... Venceu amor e vingança: Deviam de triumphar, Que era em peito de mulher Que a batalha se foi dar. ‘Novas tenho e grandes novas, Amigo para vos dar: Tomae ésta chave e abride, Vereis se são de pezar.’ Com que ância elle abriu a porta, Vista que foi encontrar!.. Palavras que alli disseram, Não n’as saberei contar: Que foi um bramir de ventos, Um bater d’aguas no mar, Um confundir ceo e terra, Querer-se o mundo acabar. Vereis porfim o rei moiro Que sentença veio a dar: —‘Perdeste a honra, christão; Vida, quero-t’a deixar. ‘De uma vez, que me roubaste, Muito bem me fiz pagar: D’esta basta-me a vergonha Para de ti me vingar.’ Sentia-se elrei Ramiro Do despeito devorar; Com ar contricto e affligido Assim lhe foi a fallar: —‘Grandes foram meus peccados, Poderoso Alboazar; E taes que a mercê da vida De ti não posso acceitar: ‘Eu não vim a teu castello Senão só por me intregar, Para receber a morte Que tu me quizeres dar: ‘Que assim me foi ordenado Para minha alma salvar Por um sancto confessor A quem me fui confessar. ‘E mais me disse e mandou, E assim t’o quero rogar, Que, pois foi publica a offensa, Público seja o penar: ‘Que ahi n’essa praça d’armas Tua gente faças junctar; Ahi deante de todos A vida quero acabar ‘Tangendo n’esta bozina, Tangendo até rebentar; Que digam todos que isto virem, E lhes fique de alembrar: «Grande foi o seu peccado, No mundo andou a soar; Mas a sua penitencia Mais alto som veio a dar.» Quizera-lhe o bom do moiro Por força alli perdoar; Mas se a pêrra da rainha Jurou de á morte o levar!... Veis na praça do castello, Toda a moirama a ajunctar; Em pé no meio da turba Ramiro se foi alçar. Tange que lhe tangerás, Toca rijo a bom tocar; Por muitas leguas á roda Reboava o bozinar. Se o ouvirão nas galés Que deixou a beira-mar? Decerto ouviram, que um grito Tremendo se ouve soar...
CANTIGA QUARTA
—‘Sanctiago!.. Cerra, cerra! Sanctiago, e a mattar!’ Abertas estão as portas Da tôrre de par em par. Nem atalaias nos muros, Nem roldas para as velar... Os moiros despercebidos Sentem-se logo apertar De um tropel de leonezes Ja portas a dentro a entrar. Deixa a bozina Ramiro, Mão á espada foi lançar. E de um só golpe fendente, Sem mais pôr nem mais tirar, Parte a cabeça até aos peitos Ao rei moiro Alboazar... Ja tudo é morto ou captivo, Ja o castello está a queimar; Ás galés com seu despôjo Se foram logo a imbarcar. —‘Voga, rema! d’alêm Doiro Á pressa, á pressa a passar, Que ja oiço alli na praia Cavallos a relinchar. ‘Bandeiras são de Leão Que lá vejo tremular. Voga, voga, que alêm Doiro É terra nossa!... A remar! ‘D’aqui é moirama cerrada Até Coimbra e Thomar. Voga, rema, e d’alêm Doiro! D’aquem não ha que fiar.’ Á poppa vai Dom Ramiro De sua galé real, Leva a rainha á direita, Como quem a quer honrar: Ella, muda, os olhos baixos Leva n’agua... sem olhar, E como quem de outras vistas Se quer só desaffrontar. Ou Dom Ramiro fingia Ou não vem n’isso a attentar; Ja vão a meia corrente, Sem um para o outro fallar. Ainda arde, inda fumega O alcaçar de Alboazar; Gaia alevantou os olhos, Triste se pôs a mirar; As lagrymas, uma e uma, Lhe estavam a desfiar, Ao longo, longo das faces Correm... sem ella as chorar. Olhou elrei para Gaia, Não se pôde mais callar; Cuidava o bom do marido Que era remorso e pezar Do mau termo atraiçoado Que com elle fôra usar Quando o intregou ao moiro Tam só para se vingar. Com a voz internecida Assim lhe foi a fallar —‘Que tens, Gaia... minha Gaia? Ora pois! não mais chorar, ‘Que o feito é feito...’—‘E bem feito!’ Tornou-lhe ella a soluçar, Rompendo agora n’uns prantos Que parecia estalar; ‘E bem feito, rei Ramiro! Valente acção de pasmar! Á lei de bom cavalleiro, Para de um rei se contar! ‘Á falsa fé o mattaste... Quem a vida te quiz dar! Á traição... que d’outro modo, Não es homem para tal. ‘Mattaste o mais bello moiro, Mais gentil, mais para amar Que entre moiros e christãos Nunca mais não terá par. ‘Perguntas-me porque chóro!.. Traidor rei, que heide eu chorar? Que o não tenho nos meus braços, Que a teu podêr vim parar. ‘Perguntas-me o que miro! Traidor rei, que heide eu mirar? As tôrres d’aquelle alcaçar, Que ainda estão a fumegar. ‘Se eu fui alli tam ditosa, Se alli soube o que era amar, Se alli me fica alma e vida... Traidor rei, que heide eu mirar!’ —‘Pois mira, Gaia!’ E, dizendo, Da espada foi arrancar: ‘Mira, Gaia, que esses olhos Não terão mais que mirar.’ Foi-lhe a cabeça de um talho; E com o pé, sem olhar, Borda fóra impuxa o corpo... O Doiro que os leve ao mar. Do estranho caso inda agora Memoria está a durar: Gaia é o nome do castello Que alli Gaia fez queimar; E d’alêm Doiro, essa praia Onde o barco ia a aproar Quando bradou—‘Mira, Gaia!’ O rei que a vai degollar, Ainda hoje está dizendo Na tradição popular, Que o nome tem—MIRAGAIA D’aquelle fatal mirar.
VERSÃO FRANCEZA
I
Nuit sombre, mais si belle encor! Belle nuit, à travers ton ombre, Oh! qui de tes étoiles d’or Pourra jamais compter le nombre? Compte-t’on les feuilles du bois? Ou de la mer les grains des sables? De l’Eternel telle est la voix Écrite en lettres innombrables. Hélas! dans ce livre divin Nul ne peut espérer de lire! Un auge l’essaierait en vain; Son savoir n’y pourrait suffire. Dom Ramire, dans son palais Vivait heureux avec la reine, Un juif maudit troubla leur paix Et brisa leur tant douce chaîne. Il prédit au roi, trop flatté Du beau destin qu’on lui dévoile, Que Zahara, fleur de beauté Serait à lui!... c’est son étoile! Le roi, que l’amour tient au cœur, Va, plein du feu qui le dévore, D’Alboazar ravir la sœur Et fuit avec la belle Maure. À Milhor, lieu rempli d’attraits, Dont la mer baigne les rivages, Tous deux sans soucis, sans regrets Passaient leurs jours exempts d’orages. La reine de ce coup affreux Gémit et pleure et pleure encore: Trahir ainsi ses chastes feux! La délaisser pour une Maure! Triste et rêveuse, à son balcon, Seule, durant la nuit obscure, Victime d’un lâche abandon Elle soccombe à sa blessure: —‘Roi Ramire! perfide roi, Pourquoi me causer cette peine? Mon cœur a-t’il trahi sa foi? Je t’aimais tant!... pourquoi ta haine? ‘On dit qu’elle a quelques attraits Cette Maure, cette infidèle; Tu m’as pourtant, quand tu m’aimais, Dit cent fois que j’étais plus belle. ‘On dit qu’elle a mille agréments, Qu’elle est jeune, à la fleur de l’âge. Moi, j’ai compté vingt trois printemps Après mon triste mariage. ‘Ses yeux sont noirs! ce sont des yeux Si beaux, si fiers, si pleins de charmes! Hélas! les miens ne sont que bleus... Et puis toujours remplis de larmes! ‘On nomme Zahara la Fleur... Gaia c’est le nom qu’on me donne! Gaia j’étais dans mon bonheur; Plus ne le suis—l’on m’abandonne! ‘Oh! que ne suis-je un homme, hélas! Dans le transport qui me dévore, J’irais moi-même de ce pas Trouver Alboazar le more.’ Elle achevait ces mots: soudain Tournant ses regards vers la terre Elle aperçoit dans le lointain Des chevaux, des hommes de guerre. —‘Peronelle, vois-tu là-bas Ces armes qui brillent dans l’ombre? Regarde... ce sont des soldats; D’où viennent-ils? quel est leur nombre? La suivante, d’un air surpris Paraît écouter ce langage; Des joyaux, des bijoux de prix De son silence étaient le gage. Où sont ses autres serviteurs? En vain la reine les appelle Sept cavaliers, malgré ses pleurs, Bientôt se sont emparés d’elle. De leurs turbans les plis soyeux Bandent ses yeux, ferment sa bouche; Et trois dans leurs bras vigoureux La soulèvent d’un air farouche. Ils sont entrés sept au palais; Sept autres en sentinelle. Pas un mot... tous semblent muets... Et vite en selle!... ils sont en selle! Un seul paraît les commander: Sur son coursier il tient la reine... —‘Allons!’ dit-il ‘il faut marcher!’ Tous au galop fendent la plaine. Point de répit, point de repos, Chacun stimule sa monture. Ils courent par monts et par vaux, Ils courent tant que la nuit dure. Dans les torrents, poitrail dans l’eau —‘A gué,’ marchons! que l’on avance! Ailleurs, sur les flancs d’un côteau: —Houp! en avant! que l’on s’élance! Le jour se lève radieux, Ils sont près de la mer profonde, Quel est ce fleuve sinueux? Qui vient s’engouffrer dans son onde? La reine ouvre ses yeux enfin, Sa bouche est libre, elle respire: Las! elle songe à son destin Et tout bas tristement soupire. —‘Douro, fleuve aux perfides eaux, Qui de dangers sèmes ta course, Ne veux-tu donc pas de tes flots, Me révéler quelle est la source? ‘Je te dirai par quel moyen Cette perle est en ma puissance: À qui m’a dérobé mon bien J’ai dérobé son espérance. ‘C’est le sort qui le veut ainsi; Tout suit cette pente sécrète. Par les eaux du torrent grossi, Le fleuve dans la mer se jette. Ainsi chantait le ravisseur, Et Gaia l’écoutait sans haîne. Bientôt de ton heureux vainqueur, Gaia, tu porteras la chaîne. —‘Mais que font ces barques sur l’eau?’ —‘Elles viennent chercher la reine.’ —‘Quel est ce superbe château?’ —‘D’Alboazar c’est le domaine.’
II
Roi Ramire, roi malheureux, À ta naissance un noir génie T’a jetté quelque sort fâcheux Qui devait tourmenter ta vie. Peu satisfait de ce qu’il a, À d’autres biens ton cœur aspire. Ta fleur de beauté, Zahara, Sur toi n’exerce plus d’empire, La reine qu’on t’a vu chérir Et qui par toi fut délassée... Tu veux au more la ravir; C’est là maintenant ta pensée. Quelle est cette barque qui fuit, Et du Douro va fendant l’onde? Le bruit des rames, de la nuit Trouble à peine la paix profonde. Elle glisse sur les roseaux, Elle est déjà prés du rivage; Les saules penchés sur les eaux La cachent sous leur vert feuillage. Un homme s’élance soudain; D’un bond il a touché la terre. Il tient un bourdon d’une main, Et de l’autre porte un rosaire. Bientôt le soleil du matin Répand sa clarté sur la rive. Près du castel un pélerin Fait entendre sa voix plaintive. —‘Saint de Galice, qu’à genoux Le pauvre pélerin implore, Pour arriver au rendez-vous. Que ton autel est loin encore! Au pied de la tour du palais Coule une source claire et vive: Une jeune fille est auprès, Elle est là, debout et pensive. Elle écoutait d’un air rêveur L’eau tombant de sa coupe pleine; —‘Oh! votre voix, bon voyageur, M’a causé la plus douce peine. ‘Sur cette terre de maudits, C’est pour moi bien grande merveille D’entendre ces chants du pays, Qui jadis frappaient mon oreille. ‘Sept prêtres, autour de l’autel, Chantaient alors cette prière, Sept autres au chant solemnel Répondaient d’une voix austère. ‘Le chœur entier psalmodiait, Tous priaient d’une âme fervente; Et la cloche retentissait Portant au ciel sa voix bruyante. ‘Ce son qui vibrait dans les airs, Que ne puis-je l’entendre encore? Que ne puis-je au fond des enfers Étouffer tous les chants du more! —‘Que le bon Dieu veille sur vous! Qu’il vous bénisse, jouvencelle! Une telle langage semble doux Où règne en maître l’infidèle, ‘Je veux prier pour vous, hélas! Je souffre et me soutiens à peine, Il faut que s’arrêtent mes pas Près de cette claire fontaine. ‘Ah! qu’on est bien! quelle fraîcheur! Comme cette eau me semble belle! Laissez asseoir le voyageur; Dieu vous le rendra, jouvencelle.’ —‘Asseyez-vous, bon pélerin, —‘Asseyez-vous sur cette pierre; L’eau qui coule dans ce bassin Est douce et fraîche, et désaltère. ‘La reine en boit à son réveil; J’en viens chercher avant l’aurore; Je viens, avant que le soleil Ne l’ait pu réchauffer encore.’ —‘Cette eau si pure doit avoir Une vertu particulière. Ah! pour juger de son pouvoir, Donnez m’en, je vous prie, un verre.’ —‘Buvez, buvez, bon pélerin, À la fontaine du roi more. Tenez; ce vase d’argent fin Vaut de l’or... il vaut mieux encore.’ —‘Mais que dirait votre seigneur? Que dirait Gaia, votre reine; S’ils voyaient l’humble voyageur Boire à la royale fontaine?’ —‘Alboazar, avant le jour, A quitté ce lieu solitaire. Il est dans les bois d’alentour, Aux sangliers faisant la guerre. ‘Ma maîtresse de ce trésor Ne peut se montrer soucieuse: Pour qui posséda vases d’or, Cette coupe est peu précieuse.’ —‘De grace! Encore une faveur! Dites-lui, bonne jouvencelle, Qu’un pauvre chrétien voyageur Désire être conduit près d’elle. ‘Dites-lui bien qu’un malheureux, Mort de chagrin et de misère, L’a de cet anneau précieux Fait pour elle, dépositaire.’ Il tire de son doigt l’anneau, Dans le fond du vase il le jette: —‘Quand elle boira de cette eau Sa surprise sera complète! Mais la jeune fille a bientôt, En courant, quitté la fontaine. —‘Pourquoi ne pas venir plus tôt?’ Dit, d’un ton sévère, la reine, ‘Joyeusement tu folâtrais, Quand de soif mourrait ta maîtresse? —‘Oh! non, tristement je songeais, Car je songeais à ma jeunesse. ‘Que mon destin me semble amer! Ici, pour moi quelle existence! Ó Milhor que baigne la mer, Milhor, pays de mon enfance! ‘Là, chaque jour est un plaisir, Gaîment se passe le bel âge; C’est là qu’à Dieu l’on peut offrir D’un saint amour le pur hommage! —‘Tais-toi, Peronelle, tais-toi, Ne réveille pas ma souffrance: Tu sais bien que ce n’est pas moi Qui désirais cette existence. ‘Mais à mon ravisseur enfin J’ai pardonné, rendu les armes. Esclave, je vis sans chagrin; Reine, je vivais dans les larmes. ‘Ce vain titre était peu pour moi, Trop peu pour tromper ma disgrâce. Voir, auprès d’un époux sans foi, Une more occuper ma place!’ À ce souvenir, de rougeur Soudain son beau front se colore Puisse cette eau, par sa fraîcheur, Calmer la soif que la dévore! Elle prend le vase d’argent, Le porte à ses lèvres brûlantes, Et voit luire au même moment De l’anneau les pierres brillantes. —‘C’est un sort, Jésus, mon sauveur! Que l’on veut jetter sur mon âme: Cette eau glace par sa fraîcheur, Et dans le fond c’est de la flamme.’ —‘Voilà ce charme merveilleux Qui me tenait loin de la reine. C’est au pélerin malheureux Que j’ai vu près de la fontaine; ‘C’est lui que dans le fond de l’eau A voulu déposer ce gage: De ses souhaits ce riche anneau Devait servir de témoignage.’ —‘Oh qu’il vienne ce voyageur, Qu’il vienne ici! que je l’entende! Car je veux voir l’ambassadeur Qui m’apporte une telle offrande.’
III
—‘Ne baisez point ainsi ma main; De grâce, je vous en conjure: Cessez, cessez, bon pélerin, Et quittez cette humble posture.’ Mais le pélerin à ses vœux Résiste... il devient téméraire, Et ses baisers vont, deux à deux, Tomber sur cette main qu’il serre. La reine a pâlit cette fois, Dans son cœur le courroux fermente. Soudain, elle sent sur ces doigts Couler une larme brûlante... —‘Qui peut causer, bon pélerin, La douleur que je vois paraître? Là, contez-moi votre chagrin; Je puis vous soulager peut-être.’ —‘Oh! non, ce n’est pas mon chagrin; La mort fait cesser la souffrance: Mais en vous j’espérais enfin Retrouver ma douce existence. ‘Oh! non; ce n’est pas mon destin, C’est la vôtre que je déplore: La compagne d’un roi chrétien Devenir celle d’un roi more!’ —‘Ah! ne me parlez pas ainsi! La pitié peut être indiscrète. Du présent je n’ai nul souci, Et du passé rien ne regrette. ‘Dieu m’accordera son pardon; Ce n’est pas moi qui fus coupable. De cette lâche trahison Ramire doit être comptable. —‘Le ciel, jusqu’ici trop clément, Doit en effet punir ce traître. Ordonnez donc son châtiment, Ramire à vos yeux va paraître.’ Ramire se lève soudain, Et laissant là toute imposture, De sa barbe de pélerin Il a dépouillé sa figure. Le bourdon qu’il tient dans sa main Près de là va rouler à terre; Et d’un geste plein de dédain, Il jette à ses pieds son rosaire. Qui pourrait dire de quels yeux Le regardait la noble dame, Quels sentiments impétueux Troublaient en ce moment son âme? Elle tremble, mais non de peur; Sans gaîté, sa bouche est riante: Elle est honteuse, sans pudeur; Elle pâlit... elle est brûlante. On voit ces sentiments divers Se succéder sur son visage, Comme les flots, au sein des mers, Se heurter dans un jour d’orage. À l’homme la vengeance plait; Pour la femme c’est un délice; L’un pardonne, il est satisfait; L’autre veut qu’elle s’accomplisse. Sous le poids de ce souvenir, Dont la reine a l’âme oppressée, Ce fut là son premier désir, Ce fut sa dernière pensée. Et puis, pour elle quel honneur! Combien elle doit être vaine, De pouvoir triompher d’un cœur Qui revient reprendre sa chaîne! Mais dans les forêts d’alentour Chasse en ce moment le roi more, Elle est seule dans cette tour... Il faut se taire et feindre encore. Elle sourit, mais tristement, De ce sourire qui fend l’âme, Et voile son regard charmant Pour mieux en tempérer la flamme. De sa voix le son enchanteur Séduit par son pouvoir funeste; Et si l’enfer est dans son cœur, Sa parole est toute céleste. Elle paraît près de fléchir, Ses pleurs ont calmé sa colère; Son âme feint de s’attendrir Et sa douleur est moins amère. Elle répète, en sanglottant: —‘Pour pardonner, je suis trop fière.’ Mais ses yeux, dans le même instant, Semble dire tout le contraire. Dom Ramiro est à ses genoux; D’une voix émue, il l’implore; Il veut désarmer son courroux; Il supplie... elle hésite encore. Soudain, on entend retentir Le bruit du cor, là dans la plaine; La reine se sent tressaillir Bien plus de plaisir que de peine. —‘C’est Alboazar, c’est le roi!’ Dit-elle: ‘cachez-vous, Ramire: S’il vous voit, c’en est fait de moi; Fuyez, ou, sous vos yeux, j’expire.’ A peine elle a, d’un air troublé, Fermé la porte, et par prudence, Dans son sein déposé la clé, Que vers elle le roi s’avance. —‘Tristes nouvelles, je le vois, Nouvelles de mauvais augure! C’est du moins, la première fois Que m’arrive cette aventure. ‘Avant d’entrer dans cette cour, J’ai sonné du cor dans la plaine, Et sur les créneaux de la tour Je n’ai pas vu venir la reine. ‘C’est mal à vous, ma chère enfant, D’avoir manqué d’exactitude. Me faudra-t-il donc maintenant Renoncer à cette habitude?’ Une horrible perplexité A troublé l’esprit de la reine; Son triste cœur flotte agité Entre l’indulgence et la haine. Le souvenir de ses beaux jours, De l’ambition l’influence, Ici, de nouvelles amours, Là, le désir de la vengeance... Bientôt la vengeance et l’amour L’auront emporté dans son âme. Ne devaient-ils pas, sans retour, Triompher dans un cœur de femme? —‘J’ai des nouvelles, en effet, Et d’étranges à vous apprendre. Entrez là, dans ce cabinet; Vous verrez de quoi vous surprendre.’ Alboazar ouvre en tremblant, Et recule, en voyant Ramire. Ce qui se dit dans cet instant, Point ne saurais vous le redire. Ce fut comme un vent orageux, Comme une tempête sur l’onde, Comme si la terre et les cieux Luttaient pour abîmer le monde. À la raison enfin rendu, Le roi prononce la sentence: —‘Chrétien, ton honneur est perdu; Je veux te laisser l’existence. ‘J’ai pû me payer largement Du mal dont tu m’as fait victime; Ta honte suffit maintenant Pour expier ton nouveau crime.’ Dom Ramire sentait son cœur Gonflé de dépit et de rage; D’un air contrit, plein de candeur, Il fait entendre ce langage! —‘Bien grand, hélas! fut mon forfait! Envers toi je fus trop coupable; Je ne veux pas d’un tel bienfait; La mort me semble préférable. ‘C’est pour me mettre à ta merci, Pour me livrer à ta vengeance Que je suis venu seul ici; Non pour implorer ta clémence. ‘C’est pour racheter mon erreur, Sauver mon âme de l’abîme: C’est l’ordre d’un saint confesseur À qui j’ai confessé mon crime. ‘Il faut, m’a-t-il dit justement, Et c’est mon vœu, je te le jure, Que public soit le châtiment, Puisque publique fut l’injure. ‘Ordonne ici de tes soldats Que la troupe se réunisse, Et que sous leurs yeux, mon trépas Satisfasse enfin ta justice. ‘Vite! qu’ils entendent au loin Le son du cor qui les appelle; Que chacun, de ma mort témoin, En garde un souvenir fidèle. ‘Qu’on dise, en me voyant mourir: —«Quelque bruit qu’ait fait son offense, Un bruit plus fort va retentir, Et c’est celui de la vengeance!» Le roi touché de son remords, Lui veut conserver l’existence; Mais la reine a juré sa mort; Elle s’oppose à la clémence. On voit les soldats accourir; Le château prend un air de fête; Ramire debout, sans pâlir, Regarde la morte qui s’apprète. —‘Sonnez, trompettes et clairons, Et qu’au loin ce bruit retentisse!’ Et l’écho, répétant ces sons, Annonçait l’heure du supplice: On entendit près de la mer Ce bruit, d’un sinistre présage; Et soudain s’éléva dans l’air Un long cri, parti du rivage.
IV
—‘De par tous les saints, en avant! En avant, allons, du courage! Et bientôt la porte, en tombant, Aux assaillants ouvre passage. Sur les créneaux point de soldats, Près des murs point de sentinelles; Rien ne peut arrêter leurs pas, Ils sont maîtres des infidèles. Sur eux ils s’élancent soudain, Comme des lions, pleins de rage. Ramire prend un glaive en main, Et par ses cris, les encourage. D’un seul coup, d’un coup sûr et prompt, Que rend terrible sa colère, Du More il coupe en deux le front, Et le jette sur la poussière. Déjà tous sont morts ou captifs; Du feu terrible est le ravage; Et les vainqueurs sur les esquifs Ont abandonné le rivage. —‘Alerte! il faut quitter ces bords! Allons, rameurs, plus de courage! Alerte! et redoublez d’efforts; J’entends des chevaux sur la plage. ‘Ce drapeau, qui flotte là-bas, De Léon c’est bien la bannière; Allons rameurs, force de bras; Voguons, voguons vers notre terre! ‘Ce pays au More est soumis; Jusqu’à Coimbre il règne en maître. Loin du Douro voguons, amis; Je dois craindre ici quelque traître. On voit Ramire s’avancer Vers la poupe où se tient la reine, À sa droite il la fait placer, Comme marque d’honneur certaine Sans même détourner les yeux D’un air pensif elle se lève, Son front est resté soucieux, Elle semble sortir d’un rêve. Ramire parut n’en rien voir: C’était peut-être par prudence. À ses côtés il va s’asseoir, Et tous deux gardent le silence. Du malheureux Alboazar Le château brûle et fume encore. Gaia jette un dernier regard Et voit le feu qui le dévore. À ce spectacle douloureux Son cœur est brisé de souffrance. Des larmes coulent de ses yeux; Elle pleure, mais en silence, Ramire, d’un air attendri, La contemple et ne peut se taire; Il croyait, le pauvre mari, Que son remords était sincère. Que c’était le seul souvenir De sa honteuse perfidie; Qu’elle pleurait de repentir D’avoir au roi livré sa vie. D’une voix pleine de douceur, Où se peint sa vive tendresse, Il dit:—‘Gaia, pourquoi ton cœur Garde-t-il encor sa tristesse? ‘Calme, ma Gaia, ta douleur; Notre vengeance est satisfaite.’ Mais elle, redoublant ses pleurs: —‘Oh! oui la vengeance est parfaite. ‘De ce grand coup applaudis-toi; Il mérite bien qu’on l’admire. Il est vraiment digne d’un roi, D’un cavalier tel que Ramire. ‘Tu viens de frapper un rival, Qui t’avait offert l’existence: N’est-ce pas un trait bien loyal, Une noble et belle vengeance? ‘Ta main a frappé, sans regret, Le More le mieux fait pour plaire, Des cavaliers le plus parfait Que jamais ait porté la terre. ‘Tu demandes, perfide roi, D’où me vient ma vive souffrance? Oh! que n’est-il auprès de moi Pour me soustraire à ta puissance! ‘Tu veux savoir où mes regards Cherchent à s’arrêter encore? Contemple d’ici ces remparts, Vois la flamme qui les dévore. ‘Là tout entière à mon bonheur, De l’amour j’ai connu l’empire; C’est là que j’ai laissé mon cœur... Comprends-tu bien ce que je mire? —‘Contente donc alors tes yeux; Mire, Gaia, mire, infidèle. Et soudain d’un bras furieux, Il lève son glaive sur elle. Cédant à d’horribles transports, D’un seul coup, il tranche sa tête, Et du pied repousse le corps... Dans la mer le Douro le jette. De cet évènement cruel Le souvenir se garde encore: Gaia, c’est le nom du castel Qui fut l’asile du roi more. À ce cri que jette bien haut Le batelier sur cette plage, Mira Gaia! tout aussitôt Se dresse une sanglante image. Le peuple, dit-on, conserva De ce fait la trace fidèle; Et la place où Gaia mira Mira-Gaia depuis s’appelle.
Lisbonne, 10 janvier 1847.