X DESALENTO
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DESALENTO-CONFORTO
_A Sorte, amigo, a sorte é dura ás vezes! Agora nos affaga e nos alenta; E logo nos opprimem seus revezes…
Após leda bonança vem tormenta; Succede a noite escura ao claro dia, E ao rapido prazer a magoa lenta!
Assim de minha ardente phantasia Aos sonhos perfumados de venturas Que a beijar-me a fronte eu já sentia,
Ai! seguiram-se tristes amarguras Que a vida a pouco e pouco vão comendo; Deixando espinhos só onde as verduras Eram brandos aromas rescendendo_!
Alberto Telles
CONFORTO
(*PARAPHRASE DO SONETO ANTECEDENTE*)
A Sorte só p'ra o fraco é dura ás vezes! P'ra o forte, que a virtude e crença alenta, P'ra esse não ha sortes nem revezes…
Porque após da bonança vem tormenta, Porque a noite succede ao claro dia, É força definhar em magoa lenta?
Não! que aos males, que gera a phantasia, O sabio oppõe as intimas venturas Da virtude e da fé que em si sentia.
Não chores mais, poeta, as amarguras Que só os bens da terra vão comendo: A consciencia é jardim onde as verduras Mil perfumes p'ra o céo vão rescendendo.