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O Oraculo do Passado, do presente e do Futuro (2/7)

5.ª COLLECÇÃO

Reading edition

PERGUNTA 1.ª

Entendeis, senhora, Nosso amor conveniente?

RESPOSTA 1.ª

Fujo de suas algemas, Quero viver innocente.

P. 2.ª

No amor que vos dedico, Acreditaes firmemente?

R. 2.ª

Creio em vossos extremos, Quero ser condescendente.

P. 3.ª

Se vos declarar meu amor, Ficareis muito contente?

R. 3.ª

Amo por divertimento, De lagrimas serei ausente.

P. 4.ª

Em vosso terno coração, Terei fiel correspondente?

R. 4.ª

Não respondo n'este objecto, A quem é tão sapiente.

P. 5.ª

Não vos compadecereis, De me ver sempre doente?

R. 5.ª

Não merece compaixão Quem s'ufana de valente.

P. 6.ª

Nos combates do vosso amor, Serei o maior padecente?

R. 6.ª

Se padecer é gosto vosso, A isso sou indifferente.

P. 7.ª

Sabeis que em namoros, Vos tornaes mui saliente?

R. 7.ª

Para fallar a meu respeito, Julgo-vos incompetente.

P. 8.ª

É certo que em namoros, Sois mui intelligente?

R. 8.ª

Não vos acredito—; só creio N'um Deus Omnipotente.

P. 9.ª

Do vosso amor, flcarei Na incerteza permanente?

R. 9.ª

Estou sujeita, senhor, E a meu Pai obediente.

P. 10.ª

Heide soffrer por vosso amor Sempre uma dôr pungente?

R. 10.ª

Vossa dôr não tem limite, Assim o diz o assistente.

P. 11.ª

Se vos fallar em amor, Sereis commigo indulgente?

R. 11.ª

É meu gosto ver penar, Sereis por isso penitente.

P. 12.ª

Se vos offertar meu amor, Serei julgado delinquente?

R. 12.ª

Não posso acceitar a offerta, Vosso amor é transparente.

P. 13.ª

Na lista de vossos amantes, Eu sou o mais prudente?

R. 13.ª

Dos amantes que possuo, Sois o mais impertinente.

P. 14.ª

De que sou por vós amado, Dareis prova evidente?

R. 14.ª

Pago amor, com amor, De ser fiel ficai sciente.

P. 15.ª

Sabeis que vos consagro Verdadeiro amor ingente?

R. 15.ª

No que dizeis não creio, Vosso amor é apparente.

P. 16.ª

Dos amantes que tendes, Eu sou o presidente?

R. 16.ª

Não posso responder hoje, Que estou de má mente.

P. 17.ª

Ao gozo do vosso amor, Sou o maior pretendente?

R. 17.ª

Eu com vossas lembranças, Não estou coherente.

P. 18.ª

É certo, que vosso amante É do lado do occidente?

R. 18.ª

Amo virtudes onde estão, E detesto o prepotente.

P. 19.ª

D'entre vossos-amantes, Sou escolhido previamente?

R. 19.ª

Não posso dizer que sim, Julgo-vos negligente.

P. 20.ª

Dos votos d'um terno amor, Acreditais-me profitente?

R. 20.ª

Creio em vossas expressões, Meu coração tem fé vivente.

P. 21.ª

Qual de vossos amantes, É o mais frequente?

R. 21.ª

Á pergunta não respondo, E vos reputo insolente.

P. 22.ª

Encontro em vosso peito, Um puro amor nascente?

R. 22.ª

Não vos canceis, senhor, Para vós sou inclemente.

P. 23.ª

Dos segredos de vossa alma, Quem é ditoso confidente?

R. 23.ª

É coisa que não digo, Nem mesmo a um parente.

P. 24.ª

Os extremos de vosso peito, São d'amor descendente?

R. 24.ª

Reparai em meus olhos, Resposta tereis presente.

P. 25.ª

O vosso terno amor, É ao meu equivalente?

R. 25.ª

Sinceramente vos amo, N'essa ideia ficai crente.

P. 26.ª

De todos vossos amantes, Sou o mais reverente?

R. 26.ª

Eu vos dedico puro amor, A minhas forças excedente.

P. 27.ª

Em vosso terno peito, É puro o amor existente?

R. 27.ª

Não vos calareis palrador? Sois um omnisciente.

P. 28.ª

É certo o vosso amante, Ser aspirante a tenente?

R. 28.ª

Não tem resposta a pergunta, Podeis marchar em frente.

P. 29.ª

Acceitaes a declaração De meu amor ardente?

R. 29.ª

Não posso responder-vos, Gozaes fama de mal querente.

P. 30.ª

Pode alguem amar-vos, Como eu tão vehemente?

R. 30.ª

Oh! fallador, deixai-me, Eu não posso ser accedente.

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