4.ª COLLECÇÃO
Reading edition
PERGUNTA 1.ª
Pode um fiel amante, Confiar na vossa amizade?
RESPOSTA 1.ª
Meus sentimentos são puros, Meu coração ama a verdade.
P. 2.ª
Se vos offertar meu peito, Recebel-o-eis com vontade?
R. 2.ª
Amar a todos em geral, É proprio da mocidade.
P. 3.ª
É certo que vosso coração, Só encerra verdade?
R. 3.ª
Goso d'essa opinião, N'alta sociedade.
P. 4.ª
De vos offertar meu coração, Concedeis-me a liberdade?
R. 4.ª
Acceito a bella offerta, E gosto d'essa habilidade.
P. 5.ª
S'eu morrer em vossos braços, Iremos para a Eternidade?
R. 5.ª
Iremos se Deus quizer, Mas não desejo a dignidade.
P. 6.ª
Para ser vosso amante, Terei capacidade?
R. 6.ª
Não costumo preterir, Sigo a antiguidade.
P. 7.ª
Se vos tributar meu amor, Dispensaes formalidade?
R. 7.ª
Ceremonias são d'igreja, E só proprio d'abbade.
P. 8.ª
Se vos offertar meu peito, Direis que já é tarde?
R 8.ª
Não vos canceis commigo, Isso é uma temeridade.
P. 9.ª
O amor que sinto por vós, Será tido por vaidade?
R. 9.ª
Não: Acredito-vos sincero, Não falto a tal qualidade.
P. 10.ª
Se vos disser que amo outra, Julgareis realidade?
R. 10.ª
Acreditarei sim, tudo, Como grande falsidade.
P. 11.ª
Se morrer longe de vós, Não tereis de mim saudade?
R. 11.ª
Talvez fosse dia de prazer, Sabendo tal novidade.
P. 12.ª
Dizem que em namoros, Tendes grande felicidade?
R. 12.ª
Para realisar esses desejos, Ha impossibilidade.
P. 13.ª
É verdade que escarneceis, Do meu amor com impiedade?
R. 13.ª
Não: Sou firme e constante, Sabeis minha sinceridade.
P. 14.ª
Tratareis vosso amante, Com rigor e severidade?
R. 14.ª
Gôsto meu é ser austéra, Mas tratarei com igualdade.
P. 15.ª
D'amor haveis soffrido, Grande enfermidade?
R. 15.ª
Tenho tido em demasia, Porque vivo na Cidade.
P. 16.ª
Será verdade que em namoro, Procedeis com leviandade?
R. 16.ª
Sei o que me cumpre fazer, Em objecto de gravidade.
P. 17.ª
É certo que tratais, vossos Amantes sem piedade?
R. 17.ª
A culpa não é minha, Que tenham mais sagacidade.
P. 18.ª
Duvidaes que vos amo, Com toda a assiduidade?
R. 18.ª
Não duvido do que dizeis, Conheço a vossa lealdade.
P. 19.ª
De vosso terno coração, Quem é propriedade?
R. 19.ª
Essa pergunta delicada, Precisa profundidade.
P. 20.ª
Toda a vida soffrerei, A vossa crueldade?
R. 20.ª
Vós assim o quereis, Não faço isso por maldade.
P. 21.ª
Para que me tratareis, Com tanta inimizade?
R 21.ª
Aborreço-vos de coração, Fallo com ingenuidade.
P. 22.ª
Desprezaes quem vos ama, Com tanta affabilidade?
R. 22.ª
Se quereis que vos estime, Tende mais agilidade.
P. 23.ª
Existirá sempre entre nós, Sympathia e fraternidade?
R. 23.ª
Em vossas mãos, entrego Minha fidelidade.
P. 24.ª
Vosso amor será confiado, Á minha generosidade?
R. 24.ª
Nunca: Só consentirei, Na ultima extremidade.
P. 25.ª
Concedeis-me affecto Com muita brevidade?
R. 25.ª
É de noite, não respondo, Gosto de tudo com claridade.
P. 26.ª
Nas lidas de Cupido Encontraes suavidade?
R. 26.ª
É um divertimento, Que dou por caridade.
P. 27.ª
Tantos namorados que tendes Algum é da minha idade?
R. 27.ª
Com toda a certeza não sei, Mas perguntarei ao Padre.
P. 28.ª
Os namoros verdadeiros, Produzem debilidade?
R. 28.ª
Não m'incommodeis, Com essa singularidade.
P. 29.ª
Males d'amor devo soffrer, Na ultima extremidade?
R. 29.ª
É vosso gosto predilecto, Soffrei com perpetuidade.
P. 30.ª
Apreciaes meu affecto, E minha fidelidade?
R. 30.ª
Amo-vos muito, muito; Mas gosto de tranquillidade.