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Historia da litteratura portugueza [Vol. I]

NOTA BIBLIOGRAPHICA

Reading edition

Quem confrontar o presente livro com o que foi publicado em 1870 com o titulo de Introducção á Historia da Litteratura portugueza, poucas paginas encontrará semelhantes; pouco ou quasi nada aproveitámos da fórma da sua redacção, que era vacilante por falta de nitidez da ideia fundamental, mas reproduzimos sempre os factos, embora deslocados ou mal interpretados.

Vinte e cinco annos de estudo sobre a Historia da Litteratura portugueza impõem a obrigação de estar ao corrente dos problemas indispensaveis para a comprehensão d’esta litteratura. Tendo de proceder a uma edição integral d’esta obra, não me podia contentar com esse primeiro e imperfeito esboço. Tambem não devia atiral-o fóra por inutil e aleijado; submetti-o a uma revisão minuciosa, reconhecendo—quanto é mais facil emendar do que crear de novo,—circumstancia que tornará perdoaveis os meus antigos erros.

Eis as modificações a que submettemos o nosso primitivo trabalho:

O § I—Das raças e suas creações artisticas, foi completamente refundido com factos importantes de todas as litteraturas romanicas e segundo os resultados da Anthropologia.

§ II—Genio dos Mosarabes em Portugal; tanto este capitulo como o anterior tornaram-se parte da secção dos elementos staticos da Litteratura, em que ha uma melhor coordenação de materiaes.

§ III—Epopêas da Edade media em Portugal; estava desconnexo, e ficou distribuido mais ordenadamente na secção dos elementos dynamicos da Litteratura, em que a Edade media apparece sob a hegemonia da França.

§ IV—Primeiras Bibliothecas portuguezas; foi eliminado este capitulo, por que está largamente desenvolvido e melhorado na Historia da Universidade de Coimbra, vol. I, p. 191 a 245.

§ V—A Renascença; foi encorporado e desenvolvido nos elementos dynamicos da Litteratura, descrevendo a hegemonia da Italia.

§ VI e VII—Academias litterarias—Origens da Poesia moderna; ficaram reunidos nos elementos dynamicos da Litteratura, na descripção da hegemonia da Hespanha, da Inglaterra e da Allemanha, com os necessarios retoques e desenvolvimentos.

A terceira parte d’este livro, Épocas historicas da Litteratura portugueza, contém o volume publicado em 1872 e reproduzido em 1881 com o titulo Theoria da Historia da Litteratura portugueza; foram cortadas todas as repetições e distribuidos os factos por fórma a caracterisar cada época litteraria, e a mostrar o traçado da grande obra em livros independentes e completos em si.

INDICE

INTRODUCÇÃO Á HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA

PAG.

PROLOGO v

ANTELOQUIO 1

I. Elementos staticos da Litteratura 7

§ 1.—A Raça e o Meio 10

§ 2.—A Tradição e os Costumes 62

a) Das fórmas lyricas 70

b) Das fórmas épicas 83

—Do elemento iberico 86

—Do elemento germanico 90

—Transformação erudita do Romance popular 97

c) Das fórmas dramaticas 100

§ 3.—A Linguagem oral e escripta 126

§ 4.—Patria e Nacionalidade 161

II. Elementos dynamicos da Litteratura 174

§ 1.—A Edade media (Hegemonia da França) 177

a) Influencia gallo-romana (Lyrismo trobadoresco) 191

b) Influencia gallo-franka (Gestas e Epopêas medievaes) 203

c) Influencia gallo-bretã (Poemas e Novellas da Tavola Redonda) 216

d) A cultura latino-ecclesiastica e humanista 247

§ 2.—A Renascença (Hegemonia da Italia) 263

a) O Humanismo quinhentista 272

I. Antagonismo dos dois elementos classico e medieval 281

a) O Lyrismo petrarchista 288

b) A Epopêa classica 292

c) A Comedia e a Tragedia classicas 299

II. Sympathia pela Edade media na Eschola da Medida velha 302

a) Os Poetas da Medida velha 304

b) Romances e Novellas de Cavalleria 307

c) Os Autos hieraticos 313

b) O Culteranismo seiscentista (Hegemonia da Hespanha) 316

c) O Arcadismo e a reacção proto-Romantica (Hegemonia da Inglaterra) 332

§ 3.—O Romantismo (Hegemonia da Allemanha) 348

a) Rehabilitação da Edade media 354

b) O Ultra-Romantismo 358

c) Disciplina critica e philosophica 366

III. Epocas historicas da Litteratura portugueza 373

PRIMEIRA ÉPOCA (SECULOS XII A XV)

Preponderancia dos elementos tradicionaes e estheticos da Edade media, e começo de transição para o estudo da Antiguidade classica

1.o Periodo (Seculos XII a XIV):

Trovadores portuguezes 374

Novellas de Cavalleria:—O Amadis de Gaula 380

2.o Periodo (Seculo XV):

Os Poetas palacianos 384

Os Historiadores portuguezes 389

SEGUNDA ÉPOCA (SECULOS XVI A XVIII)

Predominio da imitação da Antiguidade classica, e abandono das Tradições nacionaes

1.o Periodo: Os Quinhentistas (Seculo XVI):

PARTE I: Poetas da Medida velha 390

Novellas de Cavalleria e Pastoraes 393

Gil Vicente e as origens do Theatro nacional 396

PARTE II: A Eschola italiana 400

Sá de Miranda e a Pleiada portugueza 402

Camões, e sua Eschola lyrica e épica 404

A Comedia e a Tragedia classicas 408

2.o Periodo: Os Culteranistas (Seculo XVII) 411

3.o Periodo: Os Árcades (Seculo XVIII) 416

A Arcadia de Lisboa 417

Os Dissidentes da Arcadia 418

A nova Arcadia 421

A baixa Comedia 423

TERCEIRA ÉPOCA (SECULO XIX)

Revicescencia das Tradições nacionaes pela idealisação da Edade media, e comprehensão do elemento classico pela solidariedade historica 425

Os chefes do Romantismo 427

Os ultra-romanticos 429

Dissolução do Romantismo: Eschola de Coimbra 430

NOTA BIBLIOGRAPHICA 435

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