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Visitas ao Santissimo Sacramento e a Maria Santissima para todos os dias do mez

ACTOS

Reading edition

Que se devem fazer antes da Communhão com muita pausa, e fervor

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I.

ACTO DE FÉ.

Ah, meu amantissimo Salvador, que excesso de amor, que abatimentos da vossa Divina Magestade praticastes, para vos unirdes a mim nesse adoravel Sacramento! Sim, vós, sendo Deus, vos fizestes homem; sendo immenso, vos fisestes menino; sendo Senhor, vos fizestes servo: descestes do seio do Eterno Pae ao ventre de uma Virgem; do Ceo a um Presepio; do Throno da Gloria a um patibulo de justiçados, e esta manhã sahis desse Sacrario para virdes habitar dentro do meu peito.

Eis-alli, ó alma minha, o teu amante Jesus, que ardendo naquelle mesmo amor, com o qual te amou na Cruz, morrendo por ti, está naquelle Divino Sacramento esperando que tu o venhas a receber, e desde alli está observando os teus pensamentos, o teu amor, os teus desejos, as tuas pretenções, e as offertas, que vás a apresentar-lhe.

Eia pois, alma minha, aparelha-te para receberes a Jesus; e primeiramente dize-lhe com fé: É possivel, meu amado Redemptor, que daqui a poucos instantes haveis de vir a mim! Um Deus infinito a um peccador tão máo, como eu sou! Ó Deus escondido, desconhecido da maior parte dos homens, eu vos creio, vos confesso, e vos adoro no SS. Sacramento por meu Senhor, e Salvador. E por confessar, e defender esta verdade, voluntariamente daria a propria vida. Vós vindes para me enriquecer das vossas graças, e para unir-vos todo a mim. Ah! e quanta deve ser, Senhor, a minha confiança, sabendo que vindes por motivos tão amorosos!

II.

ACTO DE CONFIANÇA.

Alma minha, dilata o teu coração. O teu Jesus póde fazer-te todo o bem: elle te ama excessivamente, espera pois grandes favores deste teu amante Senhor, que movido do seu grande amor, vem a consolar-te. Sim, meu amado Jesus, eu confio na vossa bondade, que entrando vós hoje no meu peito, accendereis no meu pobre coração a suave chamma do vosso amor puro, e um efficaz desejo de executar em tudo a vossa santissima vontade.

III.

ACTO DE AMOR.

Ah, Deus meu, Deus meu, verdadeiro, e unico amante da minha alma! e que mais podeis fazer, Senhor, para serdes de mim amado? Não vos bastou o morrerdes por mim; quizestes instituir esse grande Sacramento, para vos dardes todo a mim, e unirdes o vosso coração ao meu coração, ao coração de uma creatura tão má, e tão ingrata, como eu sou. Oh amor immenso! Amor incomprehensivel! Amor infinito! Um Deus quer dar-se a mim!

Alma minha, tu o crês? E que fazes? Que dizes? Ó Deus, ó Deus, ó amor infinito, unico objecto digno de todos os amores: eu vos amo com todo meu coração, amo-vos sobre todas as cousas, amo-vos mais que a mim mesmo, mais que a minha propria vida. Oh! se eu pudesse fazer que todas as creaturas vos amassem quanto vós mereceis! Ah! quem me dera amar-vos com aquelle amor, com que vos amão os Serafins; com aquelle amor, com que vos ama minha Mãe, e Senhora, Maria Santissima! Affectos terrenos, sahi do meu coração. Mãe do amor formoso, Maria Santissima, ajudai-me a amar aquelle Deus, que tanto desejais ver amado.

IV.

ACTO DE HUMILDADE.

És tu, alma minha, que vás a receber o sagrado Corpo de Jesu Christo? E és tu digna de tão alto fervor? Ah! Deus meu! Quem sou eu, e quem sois vós? Eu bem sei, e confesso, que vós sois um Deus de Magestade infinita, e inconprehensivel, e quem eu sou, vós o sabeis, Senhor.

E é possivel, meu Jesus, que vós, pureza infinita, desejeis entrar em uma alma tão impura como a minha, e que tantas vezes tem sido manchada com o lodo vil dos meus enormes peccados! Ah! Senhor, á vista da vossa infinita Magestade, e da minha grande miseria, eu me envergonho de apparecer diante de vós. O temor, e o respeito me querem separar de vós, mas, se me retiro de vós, aonde irei? A quem hei de recorrer? E que será de mim? Não, Senhor, eu não quero ausentar-me de vós, antes desejo cada vez mais avizinhar-me a vós. Venho pois, ó meu amavel Salvador, venho a receber-vos esta manhã humilhado, e confuso pelos meus peccados; mas todo confiado na vossa piedade, e no amor, que vós me tendes.

V.

ACTO DE CONTRIÇÃO.

Quanto me peza, ó Deus da minha alma, de vos não ter amado, todo o tempo da minha vida! antes, em lugar de vos amar, por satisfazer os meus depravados appetites, tantas vezes offendi, e desgostei a vossa infinita bondade. Eu vos voltei muitas vezes as costas: eu desprezei a vossa graça, e amizade. Ah! quanto me peza, Senhor! Quem me dera que se partira o meu coração de dôr! Aborreço mais que tudo, as offensas, que vos tenho feito, assim graves, como leves. Eu espero que vós já me tenhais perdoado; mas, se ainda me não tendes perdoado, perdoai-me antes que eu agora vos receba: lavai com o vosso Sangue esta alma, em que quereis vir habitar daqui a poucos instantes.

VI.

ACTO DE DESEJO.

Eia pois, alma minha, é chegada a hora feliz, na qual o teu Jesus ha de entrar no teu pobre coração. Eis aqui o Rei do Ceo, o teu Redemptor, e Deus, que já vem a ti. Dispõe-te a recebê-lo com amor. Chama por elle com efficaz desejo. Vinde, ó Jesus meu, vinde á minha alma, que muito vos deseja. Primeiro que vos deis a mim, Senhor, quero eu dar-me todo a vós. Eu vos entrego o meu miseravel coração; acceitai-o, e vinde depressa tomar posse delle.

Vinde, meu Deus, depressa, e não tardeis, unico, e infinito bem meu, meu thesouro, minha vida, meu paraiso, meu amor, meu tudo: eu quizera receber-vos com aquelle amor, com que vos recebem as almas mais santas; com aquelle amor, com que vos recebia Maria Santissima.

Virgem Soberana, e Mãe minha, eu me avizinho já a receber o vosso Filho. Dai-me, Senhora, esta manhã o vosso Jesus, como o déstes ao Santo Velho Simeão: eu das vossas purissimas mãos o quero receber: dizei-lhe que eu sou vosso servo, e devoto, porque assim olhará elle para mim com olhos mais amorosos. Assistí-me, valei-me.

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