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Sonetos

ANIMA MEA

Reading edition

Estava a Morte ali, em pé, diante, Sim, diante de mim, como serpente, Que dormisse na estrada e de repente Se erguesse sob os pés do caminhante.

Era de vêr a funebre bacchante! Que torvo olhar! que gesto de demente! E eu disse-lhe: «Que buscas, impudente, Loba faminta, pelo mundo errante?»

—Não temas, respondeu (e uma ironia Sinistramente estranha, atroz e calma, Lhe torceu cruelmente a bôca fria).

Eu não busco o teu corpo… Era um tropheu Glorioso demais… Busco a tua alma— Respondi-lhe: «A minha alma já morreu!»

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