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Sonetos de Anthero

XV.

Reading edition

Ignoto Deo.

Vai-te, na aza negra da desgraça, Pensamento d'Amor, sombra d'uma hora, Que estreitei tantos seclos, vai-te—embora!— Como nuvem que o vento impele… e passa.

Que arrojemos de nós quem mais se abraça, Com mais ancia, á nossa alma! e quem devora D'essa alma o sangue, com que mais vigora, Como amigo comungue á mesma taça!

Que se torne impossivel a esprança, E nunca a dor (que sempre o mal assiste) E seja unica esprança a desventura!…

Se em silencio sofrer fôra vingança!… Envolve-te em ti mesmo, ó alma triste, Talvez que sem esprança haja ventura!…

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