PALADINOS
Reading edition
I
CONDE D'ARNOSO, JOÃO
Como um dos seus avós, em justas e em torneios —Paes d'Abranches, que foi dos Doze d'Inglaterra— Com uma ancia de gloria, em altos devaneios, Corre o mundo, de mar em mar, de terra em terra.
Não leva escudo, o moço illustre, nem couraça, Que o tempo é vil; mas como arnez de paladino, Leva a honra e o valor de toda a sua raça, —Grande exemplo a apontar-lhe o mais nobre destino!
Mão na espada, a entrever combates, a alma pura, Já bello, d'essa estranha e amarga formosura Que o fim proximo imprime aos vencidos da Sorte,
Vae na tolda a sonhar,—sonho feito em pedaços! —Paes d'Abranches voltou com a noiva nos braços, Elle… voltou tambem, mas nos braços da Morte!
II
CONDE D'ARNOSO, BERNARDO
Este nunca buscou, na lucta ingloria,—fama Ou proveito. A Ambição, mesmo a mais alta e pura, Nunca o cegou. Jamais uma ephemera chamma De orgulho vão tremeu na sua nobre figura!
Foi cortesão; mas da Honra e do Dever escravo. Nunca esgar de lisonja o seu lábio manchou; E entre vis defecções, elle só, como um bravo, Luctou, soffreu, mas nunca o Mestre renegou!
Alma de Campeador! Num disfarce mundano, Nunca ninguem sonhou coração mais humano, Mais terno, e ao mesmo tempo, altivo coração!
Ultimo Cavalleiro, á hora em que morria, No Pantheon Real, da lampada que ardia Extinguiu-se de todo o ultimo clarão…