Volume 1 — *DISTANTE MELODIA…*
Reading edition
*DISTANTE MELODIA…*
Num sonho d'Iris, morto a ouro e brasa, Vem-me lembranças doutro Tempo azul Que me oscilava entre véus de tule— Um tempo esguio e leve, um tempo-Asa.
Então os meus sentidos eram côres, Nasciam num jardim as minhas ansias, Havia na minh'alma Outras distancias— Distancias que o segui-las era flôres…
Caía Ouro se pensava Estrelas, O luar batia sobre o meu alhear-me… Noites-lagôas, como éreis belas Sob terraços-liz de recordar-me!…
Idade acorde d'Inter sonho e Lua, Onde as horas corriam sempre jade, Onde a neblina era uma saudade, E a luz—anseios de Princesa nua…
Balaústres de som, arcos de Amar, Pontes de brilho, ogivas de perfume… Dominio inexprimivel d'Ópio e lume Que nunca mais, em côr, hei de habitar…
Tapêtes doutras Persias mais Oriente… Cortinados de Chinas mais marfim… Aureos Templos de ritos de setim… Fontes correndo sombra, mansamente…
Zimbórios-panthéons de nostalgias… Catedrais de ser-Eu por sobre o mar… Escadas de honra, escadas só, ao ar… Novas Byzancios-alma, outras Turquias…
Lembranças fluidas… cinza de brocado… Irrealidade anil que em mim ondeia… —Ao meu redór eu sou Rei exilado, Vagabundo dum sonho de sereia…
Paris 1914—Junho 30