SENSITIVA.
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A sensitiva, a Mimosa pudica dos botanicos, é uma das plantas que mais téem sido discutidas e das que até hoje mais despertaram a attenção não só dos homens da sciencia mas tambem de todos os profanos, pelos curiosos movimentos das suas folhas.
As sensitivas são dotadas de movimentos espontaneos e movimentos provocados.
Ao cahir da tarde os foliolos começam a pender a unirem-se uns aos outros, dispondo-se para o somno nocturno.
São os movimentos espontaneos.
Este somno póde ser provocado artificialmente colocando a planta na obscuridade. A falta de luz faz com que o phenomeno acima apontado se produza logo nas suas folhas.
Os movimentos provocados são porém de todos os mais curiosos e os que deram o nome e fama á planta. Basta que um pequenino insecto pouse em qualquer dos foliolos da sensitiva, ou que se toque n'elle com um corpo estranho, para o foliolo se comprimir immediatamente e apoz elle os outros proximos, movimento que se propaga ás folhas de todo o ramo e até ás de todo o vegetal, se o contacto do corpo estranho fôr violento ou demorado.
Estes movimentos estão em relação directa com o desenvolvimento e vigor da planta.
Quanto mais a planta é forte e robusta tanto mais os movimentos são accentuados e demorados.
Uma forte corrente d'ar, uma violenta trepidação do sólo, uma obscuridade repentina do sol é o bastante para o apparecimento d'estes movimentos.
As excitações muito frequentes desorganisam porém o sistema nervoso da sensitiva e fazem-a rapidamente morrer.
A Mimosa pudica foi conhecida dos antigos, a quem muito impressionou a sua mobilidade. Escriptores gregos e romanos trataram repetidas vezes d'esta interessante leguminosa, e poetas varios cantaram-a enthusiasticamente.
É de um d'elles que aproveitamos a lenda que segue:
A nimpha Mimosa era tão casta e tão pura que apesar de estar para casar com o pastor Iphis nunca consentira que elle lhe tocasse com os dedos sequer. Na vespera do dia em que devia ser para sempre unida ao eleito do seu coração, encontrou-se por acaso com elle no centro de um copado bosque. Iphis ao vêl-a tão seductoramente bella perdeu a cabeça, e quiz estreitamente unil-a de encontro ao coração. Mimosa conhecendo que não podia fugir ao doce amplexo do seu apaixonado, ficou tão tremula e aterrada, e implorou tão desesperadamente o deus Hymineu, que, este, compadecido, a transformou logo na planta que ainda hoje ao ser tocada por mão profana reproduz a extrema sensibilidade da casta nimpha.