ABOBORA.
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Os povos orientaes consideram a abobora como o imperador dos vegetaes; é tambem para elles o emblema da saude pelo seu bello e rotundo aspecto e da fecundidade pelo numero extraordinario de sementes que possue.
A abobora tem dado origem a muitas lendas, e d'entre aquellas de que temos conhecimento, aproveitamos as duas mais curiosas e principaes, de que as restantes não são mais que incorrectas variantes.
Houve tempo em que os lobos não eram carnivoros, mas sim se sustentavam de fructos. Um dia uma porca, procurando alimento, encontrou uma enorme abobora e fazendo-lhe um pequeno orificio, começou a comer-lhe o interior. N'isto vê ao longe um corpulento lobo, e cheia de susto, pois aquelle animal andava em guerra aberta com ella, e sempre que a encontrava, não deixava de a mimosear com uma dentada, escondeu-se dentro da abobora. O lobo encontrando tão bello manjar dispoz-se a devoral-o sem mais cerimonia, mas a porca que estava escondida dentro, cheia de susto, fez desenvolver com os excrementos que expelliu um tão insupportavel fetido, que o lobo, julgando a abobora pôdre, fugiu a toda a pressa e tão nauseado ficou que desde então não mais quiz os vegetaes começando a regalar-se com a carne dos animais que podia caçar.
A segunda lenda—lenda americana—explica assim o diluvio.
Jaià um homem muito poderoso e forte tinha um filho unico que lhe morreu de repente. O pae, querendo dar-lhe uma sepultura differente da de todos os outros humanos, metteu-o dentro de uma enormissima abobora que foi depor no cimo de elevado monte. Dias depois, cheio de saudades pelo filho estremecido, quiz contemplal-o mais uma vez e partiu para o local onde depozera a abobora, mas ao tocar-lhe saíram-lhe de dentro enorme quantidade de peixes e diversos monstros marinhos. Jaià fugiu aterrado e veio narrar o caso para a sua aldeia. Quatro irmãos gemeos quizeram verificar o facto, e quando estavam a procurar mover a colossal abobora a fim de lhe examinar o conteúdo, chegou Jaià tão furioso pela violação a que ia ser sujeito o tumulo do filho que os quatro rapazes, aterrados, deixaram rolar a abobora pelo monte abaixo, e esta, batendo de encontro ás pedras que encontrou no caminho, fendeu-se sahindo-lhe do interior tal quantidade d'agua que toda a terra ficou inundada.