+XVI+
Reading edition
Eu hontem passei o dia Ouvindo o que o mar dizia.
Chorámos, rimos, cantámos.
Fallou-me do seu destino, Do seu fado…
Depois, para se alegrar, Ergueu-se, e bailando, e rindo, Poz-se a cantar Um canto molhádo e lindo.
O seu halito perfuma, E o seu perfume faz mal!
Deserto de aguas sem fim.
Ó sepultura da minha raça Quando me guardas a mim?…
Elle afastou-se calado; Eu afastei-me mais triste, Mais doente, mais cansado…
Ao longe o Sol na agonia De rôxo as aguas tingia.
«Voz do mar, mysteriosa; Voz do amôr e da verdade! —Ó voz moribunda e dôce Da minha grande Saudade! Voz amarga de quem fica, Trémula voz de quem parte…» . . . . . . . . . . . . . . . .
E os poetas a cantar São echos da voz do mar!
Este livro foi composto e impresso durante o mez de Fevereiro do anno de mil novecentos e vinte e um na Imprensa Libanio da Silva, em Lisbôa.