+XII+
Reading edition
Tu mandaste-me dizer Que tornavas novamente Quando viesse a tardinha; E eu, para mais te prender, —N'esse dia…
Pintei de negro os meus olhos E de rôxo a minha boca. As rosas eram aos mólhos Para a noite rubra e louca!
Entornei sobre o meu corpo, —Que fôra delgado e bello! O perfume mais extranho e mais subtil; E um brocado rôxo e verde Envolveu a minha carne Macerada e varonil. Os meus hombros florentinos, Cobértos de pedraria, Eram chagas luminosas Alumiando o meu corpo Todo em fébre e nostalgia. Nas minhas mãos de cambraia, As esmeraldas scintillavam; E as pérolas nos meus braços, Murmuravam… Desmanchado, o meu cabello, Em ondas largas, cahia, Na minha fronte Ligeiramente sombría.
Estava pallido e dir-se-hia Que a pallidez aumentava A minha grande belleza!
Na minha boca ondulava Um sorriso de tristeza.
A noite vinha tombando.
E, como tardasses, Fiquei-me, sentádo, olhando O meu vulto reflectido No espelho de crystal;
E afinal, Nem frescura, nem belleza, No meu rôsto descobri!
—Ó morte, não me procures! E tu, meu amôr, não venhas!… —Eu já morri.