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Os Lusíadas

Luís Vaz de Camões (continued 4)

Reading edition

Caminho da virtude alto e fragoso,

Mas no fim doce, alegre e deleitoso:

91

Não eram senão prémios que reparte

Por feitos imortais e soberanos

O mundo com os varões, que esforço e arte

Divinos os fizeram, sendo humanos.

Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte,

Eneias e Quirino, e os dois Tebanos,

Ceres, Palas e Juno, com Diana,

Todos foram de fraca carne humana.

92

Mas a Fama, trombeta de obras tais,

Lhe deu no mundo nomes tão estranhos

De Deuses, Semideuses imortais,

Indígetes, Heróicos e de Magnos.

Por isso, ó vós que as famas estimais,

Se quiserdes no mundo ser tamanhos,

Despertai já do sono do ócio ignavo,

Que o ânimo de livre faz escravo.

93

E ponde na cobiça um freio duro,

E na ambição também, que indignamente

Tomais mil vezes, e no torpe e escuro

Vício da tirania infame e urgente;

Porque essas honras vãs, esse ouro puro

Verdadeiro valor não dão à gente:

Melhor é, merecê-los sem os ter,

Que possuí-los sem os merecer.

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Ou dai na paz as leis iguais, constantes,

Que aos grandes não dêem o dos pequenos;

Ou vos vesti nas armas rutilantes,

Contra a lei dos inimigos Sarracenos:

Fareis os Reinos grandes e possantes,

E todos tereis mais, o nenhum menos;

Possuireis riquezas merecidas,

Com as honras, que ilustram tanto as vidas.

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E fareis claro o Rei, que tanto amais,

Agora com os conselhos bem cuidados,

Agora com as espadas, que imortais

Vos farão, como os vossos já passados;

Impossibilidades não façais,

Que quem quis sempre pôde; e numerados

Sereis entre os Heróis esclarecidos,

E nesta Ilha de Vénus recebidos.

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