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Luar de Janeiro

MÃOS FRIAS CORAÇÃO QUENTE

Reading edition

Dez da manhã. Vento da serra. Tres graus negativos

Mãos frias, coração quente! Quanta vez isto dizias Com o teu ar sorridente, Apertando-me as mãos frias…

Agora decerto o tenho Num brazeiro, num vulcão. O frio é tanto, é tamanho Que a penna cae-me da mão…

Q'ria dizer-te o que penso E o que faço e premedito, Mas posso lá ser extenso Com este frio maldito!

Tu perdoas certamente, Tu não te zangas, pois não? Mãos frias, coração quente —Lá diz o velho rifão…

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