+SONETO IX.+
Reading edition
Nestóreos Dias, que sonhava Elmano, Brilhantes de almos gostos, de aurea Sorte, Pomposa Fantasia, audaz Transporte, As azas cerceai do Orgulho insano.
Plano de hum Numen contradiz meu plano, E quer que se esvaeça, e quer que abórte: Eis, eis palpita, precursor da Mórte, No túmido aneurisma o Desengano.
A Deos, ó Génios que Ulysséa admira: (Cantor, que honrastes, honrareis, Cantores) Versos, prantos lhe dai, que Elmano expira.
Deixai-lhe a cinza em paz, fataes Amores; E vós, do extincto Vate a Campa, e Lyra, [24] Virtudes, que exaltou, cobri de flores.
[24] Beneficencia, e Piedade, celebradas no Epicedio ao Marquez d'Angeja.
Ao Senhor Nuno Alvares Pereira Moniz.
+SONETO X.+
Co'a mente juvenil, sublime, alada Sabes da térrea Mansão, Mansão profana; Introduzes, Moniz, a idéa ufana Lá na de Sóes sem conto Estancia ornada.
Já, de Lysia cantando a Historia honrada, Sôas qual Grega Musa, ou qual Romana; Já, medrando nos Céos a força humana, Teu Metro creador faz Ente o Nada.
Nove Deosas louçãas, tres Deosas nuas Te abrem thesoiros: cada qual te admira No verso graças mil, que fôrão suas.
Assás luzio teu Estro: a mais aspira; E estranho não será que substituas A tuba de Marão de Flacco á Lyra.
Quero (se meus dias findarem) deixar huma prova do muito em que tive, do muito que merecem os talentos de hum dos meus mais caros Amigos.
Ao súbito desastre de hum Poeta amado da Nação.
+SONETO XI.+
Cantor, que a fronte erguia engrinaldada Comvosco, Idálias crôas: myrto, e rósas, Que vio por mão das Tágides formósas De aljôfares a Lyra, e de oiro ornada;
Mente, de ethéreos Dons abrilhantada, Que, sôlta em producções louçãas, pompósas, Surgio, voou com azas luminósas Ante o Bando que vai de rôjo ao Nada;
Estro, opulento do Febêo Thesoiro, (Já dos épicos Sons talvez no ensaio) Ouvio sahir das trévas triste agoiro.
Seu Fado o fulminou, bateo-lhe o raio Á Sombra tua… ai dor! Lá mesmo, ó Loiro: Chorai-o, Amores, Tágides, chorai-o.
De Author anónymo; porém que he facil conhecer pelo estilo.
Votos pelo restabelescimento da saude de Bocage.
+SONETO XII.+
Não mais, Nynfas gentis do Téjo undoso, Pungidas de alta dor, vagueis insanas: Croai-vos de floridas espadanas, Ou de grinaldas de coral ramoso.
Já não rechinão do arco sanguinoso D'atroz Doença as séttas inhumanas Contra o Cysne que as ondas Tagitanas Enfrêa com o Carmen portentoso.
Serpes da Inveja, Serpes agoireiras, Emmudecei, que a válida Saude Assoma, entre Esperanças lisonjeiras.
Vem, bella Deosa, ao Vate Elmano acude, Que eu grato forjarei nestas Ribeiras Hymnos, batidos na Thebana incude.
Pelo Bacharel Domingos Maximiano Torres.