BASES PARA A UNIFICAÇÃO DA ORTOGRAFIA (continued 2)
Reading edition
,
aquoso
.
53.
r
,
rr
: o
r
forte escreve-se com
r
simples quando é inicial de palavra, ou de sílaba depois de consoante; ex.:
rã
,
ré
,
rio
,
rol
,
rumo
,
honra
,
pilriteiro
,
Israel
, etc. Entre vogais duplica-se; ex.:
carrada
,
carreta
,
carril
,
carro
,
arrumar
,
farrusca
.
54. Quando a um vocábulo começado por
r
se acrescenta um prefixo terminado em vogal, dobra-se o
r
, por ficar entre vogais, para se lhe manter o valor de inicial; ex.:
arrasar
, de
raso
;
arrostar
, de
rosto
;
prorrogar
,
derrogar
, de
rogar
;
corroer
, de
roer
.
55. O
r
brando, que sómente se manifesfa em fim de sílaba, ou entre vogais, ou depois de consoante pertencente à mesma sílaba, escreve-se com
r
simples; ex.:
dar
,
pôr
,
ver
,
vir
,
virtude
,
verdade
,
vórtice
,
louvar
,
dever
,
punir
,
cravo
,
fresco
,
frigir
,
crótalo
,
frustrar
;
cara
,
fera
,
lira
,
amora
,
parada
,
sereno
,
sarilho
,
caroço
,
caruma
.
56. O
s
surdo assim se escreve como inicial de palavra, ou depois de consoante, se é inicial de sílaba; ex.:
saco
,
sé
,
sirga
,
só
,
sul
,
ânsia
,
falso
,
farsa
,
lapso
,
psicologia
,
absorver
. Inicial antes de
e
,
i
, e depois da consoante, nas mesmas condições, alterna com
ce
,
ci
, e sómente a etimologia dos vocábulos, ou um vocabulário, ensinam a verdadeira escrita. O
s
corresponde a
s
latino, o
c(e)
,
c(i
) a
ti
,
ci
latinos, e a
ss
arábicos; ex.:
sela
,
silvo
,
selha
,
persistir
,
canseira
,
alicerce
,
Alcácer
, etc.
57. Entre vogais o
s
surdo duplica-se,
ss
, e neste caso alterna com
ç
cedilhado, e com
ce
,
ci
, nas mesmas circunstâncias de proveniência dos vocábulos; ex.:
assar
,
assente
,
assíduo
,
posso
,
assumir
,
sossêgo
,
passo
, de
passum
(cf.
paço
, de
palatiu
m), etc.
58. O
s
sonoro só se manifesta entre vogais, usualmente, e nesta posição alterna com
z
, correspondendo porêm sempre a
s
latino; ex.:
casa
,
César
,
mês(es)
,
residir
,
formoso
,
uso
. Conquanto depois de consoante, o
s
é sonoro no prefixo
trans-
seguido de vogal, como em
transeúnte
,
transacção
, em
obséquio
e seus derivados, e num ou noutro vocábulo, precedido de consoante sonora.
59. Há duas terminações de substantivos que não devem confundir-se:
-eza
, do lat.
-itia
, e
-esa
, do lat.
-ensa
; é esta que se escreve com
s
, como em
defesa
,
devesa
,
presa
,
despesa
,
portuguesa
, etc. Semelhantemente, escreveremos
asa
, do lat.
ans
a,
brasa
, em castelhano
brasa
.
60. Quando a um radical, ou a um vocábulo, começados por
s
, se acrescenta um prefixo terminado em vogal, duplica-se o
s
se êle se profere surdo, escreve-se simples, se é pronunciado sonoro; ex:
assistir
,
assombrar
,
assumir
,
ressurgir
,
pressentir
; mas
residir
,
presente
,
resumir
,
resignação
,
presunção
, etc.
61. O
s
final de sílaba, seja como for proferido, escreve-se com
s
; ex.:
custa
,
cesta
,
resma
,
abismo
,
hóspede
,
fosco
,
balaústre
,
lustre
,
musgo
.
62. O
s
final de sílaba, em monossílabos e em polissílabos que tenham como predominante a última sílaba, alterna com
z
, correspondendo porêm sempre a
s
latino, e permanece ainda quando, pela derivação ou flexão do vocábulo, se lhe acrescenta uma
sílaba
, de que fica sendo inicial; ex.:
português
,
portuguesa
,
portugueses
,
cortês
,
corteses
,
cortesia
,
atrás
,
vês
(verbo),
vós
,
nós
(pronomes),
pus
(substantivo e verbo),
pôs
(verbo),
pós
(substantivo),
pusera
,
puser
,
pusesse
, etc. Em um único vocábulo arábico, rês, é o
s
final árabe representado por
s
, como em castelhano (
res
).
A consulta a vocabulário é indispensável e muito favorece o acêrto na escrita a comparação com as correspondentes formas castelhanas.
63. O
s
inicial surdo é seguido de
c
nos seguintes vocábulos e seus derivados:
scena
,
scetro
,
scéptico
,
scelerado
,
sciente
,
scisma
,
scintila
,
scisso
,
scisão
,
scissura
,
scissíparo
,
sciático
, e um ou outro mais, pouco usados.
64.
t
: o
t
nunca se duplica, expressa constantemente o mesmo som, e substitui em todos os casos o
th
etimológico; ex.:
ter
,
atitude
,
meter
,
teto
;
teatro
,
patológico
,
simpatia
,
etnografia
, etc.
65.
u
: Esta letra expressa sempre o mesmo som, mais ou menos atenuado antes e depois de vogal, como elemento fraco dos ditongos; ex.:
tu
,
pueril
,
auto
. Antes de vogal alterna, átono, com
o
nas mesmas condições e só a analogia e a etimologia doa vocábulos decidem da escrita correcta; ex.:
suar
(e
soar
),
muar
,
ruína
, etc. Depois de consoantes alterna igualmente com
o
átono; ex.:
mural
de
muro
, a par de
moral
do lat.
more
s;
tunante
, de
tuna
,
tonante
, lat.
tonante
m.
66.
ú
: Representa esta letra acentuada o
u
tónico, quando as regras de acentuação gráfica o exigem; ex.:
único
,
núncio
,
saúde
,
útil
,
argúi
.
67.
ù
: O
u
com acento grave indica não fazer ditongo com a vogal anterior, sendo átono; ex.:
saùdar
. Designa tambêm o
u
proferido dos grupos
qu
,
gu
; ex.:
argùir
,
freqùente
.
68.
x
: Esta letra tem cinco valores no idioma comum e literário; são os seguintes:
1.º Como inicial―
xadrez
,
caixa
.
2.º Como
ss
―
auxílio
,
próximo
.
3.º Como
s
―
mixto
,
Félix
.
4.º Como
cs
;
cx
―
fixo
,
sexo
;
córtex
,
sílex
.
5.º Como
(e)is
―
exame
,
êxito
,
texto
.
Nas palavras de origem arábica, e quando é inicial, tem sempre o primeiro valor; ex.:
xabouco
,
axorca
,
xarope
,
elixir
;
Xerxes
,
Xenofonte
, etc.
69. Alêm desta multiplicidade de valores, alterna, com relação ao primeiro, com o grupo
ch
, o qual, como já se disse, representa
cl
,
fl
,
pl
latinos; assim, temos;
xá
(rei) e
chá
(planta),
xeque
(regedor) e
cheque
(bilhete de banco),
buxo
, lat.
buxum
(planta), e
bucho
, lat.
musc'lum
(estômago e músculo).
A consulta ao
Vocabulário
é indispensável para o emprêgo de qualquer dêstes dois símbolos, actualmente equivalentes no valor.
70.
z
: Como inicial, ou depois de consoante, expressa o mesmo som que se ouve em
zêlo
,
azeite
,
zurzir
. Os vocábulos formados com o prefixo
trans-
, e a palavra
obséquio
e seus derivados, todavia, escrevem-se com
s
, que representa
s
latino, como em
transir
,
trânsito
,
transacção
.
71. O
z
entre vogais corresponde a
z
, a
ti
, e a
ce
,
ci
latinos, como em
baptisar
,
razão
,
fazer
,
vazio
, e nisto se diferença do
s
entre vogais que a
s
latino corresponde. Os sufixos
-izar
,
-izante
, etc., escrevem-se sempre com
z
, como em
anarquizar
,
judaìzante
;
analisar
, porêm, porque provêm de
análise
, tem
s
e não
z
;
horizonte z
e não
s
. Em palavras de origem arábica é
z
e não
s
que se escreve; ex.:
azarola
,
azeite
,
azougue
. O sufixo
-eza
, como proveniente de
-itia
latino, tem
z
; mas das terminações
ansa
,
ensa
, latinas, procedem os vocábulos e as formas
asa
,
defesa
,
presa
, etc.
O recurso ao
Vocabulário
é de necessidade para os casos duvidosos, como o é para a hipótese seguinte.
72. O
z
final de palavra cuja última sílaba seja a predominante, bem como o de vários monossílabos, alterna com
s
, e tem o valor dêste no idioma literário e comum.
Deve ter-se em atenção que o
s
corresponde sempre a
s
latino, e o
z
a
c
latino e a
ss
ou
zz
arábicos; assim teremos:
luz
,
voz
,
falaz
,
feliz
,
atroz
,
vez
,
capuz
,
faz
,
fêz
, de origem latina,
algoz
,
alcatraz
,
albornoz
, de origem arábica; a única excepção é
rês
, como já se disse.
73. Nos patronímicos as terminações
es
,
s
, conquanto provenientes de
ici
latino, escrever-se hão com
s
, porque na sua maioria o sufixo português é átono; ex.:
Rodrigues
,
Nunes
,
Gonçalves
;
Dias
;
Martins
,
Miguéis
; etc. Semelhantemente, é substituído por
s
um antigo
z
final de sílaba, como em
mesquinho
,
mesquita
,
visconde
, etc.
74.
k
,
w
,
y
. Estas tres letras, proscritas do abecedário português, sómente são admitidas na escrita de vocábulos estrangeiros, como
Kant
,
Darwin
,
Byron
, e nos seus derivados portugueses, como
kantismo
,
darwinismo
, byroniano, que podem todavia ser escritos
cantismo
,
daruìnismo
,
baironiano
.
75. Escrever-se hão iniciais maiúsculas em meio de períodos ou orações gramaticais, nos seguintes casos:
a) Nomes próprios de pessoas ou lugares, ruas, etc.;
b) Nomes colectivos designando cargos, em substituição das pessoas que os desempenham; ex.:
Estado
,
Govêrno
,
Companhia das Águas
,
Centro Comercial
,
Patriarcado
,
Cúria
, etc.;
c) Individualidades que exercem importantes cargos:
Ministro da Marinha
,
Presidente
,
Juiz
, etc.;
d) Repartições públicas:
Direcção Geral das Colónias
,
Ministério da Guerra
, etc.;
e) Nomes de astros, divindades:
Vénus
,
Terra
,
Sol
, etc.;
f) Nomes dos meses, nas datas;
g) Títulos de livros, excepto as partículas monossilábicas, que se escreverão com minúsculas.
76. Hifen (-).
Êste sinal prende os vocábulos compostos, quando os seus elementos, conservando a acentuação própria, perdem em parte a sua significação primordial; ex.:
mãe-d'agua
,
porta-bandeira
,
água-forte
,
franco-russo
,
madre-pérola
, etc.
77. O hífen une tambêm os pronomes complementos átonos aos verbos de que dependem, quando são colocados depois dêstes; ex.:
dou-te
,
dou-to
,
dás-mo
,
louvá-lo
,
louva-lo
,
louvam-no
,
louva-o
,
tenho-o
,
tem-lo
,
tem-no
,
dávamovo-lo
,
deram-se
,
deu-se-lhes
, etc.
78. Quando, em fim de linha, se parte um vocábulo inteiro, parte-se igualmente o hífen, isto é, repete-se na linha seguinte, se unia os elementos de uma dição composta; ex.:
porta-/-voz
,
dou-/-to
.
79. O hifen (-), com o nome de linha divisória, divide, de uma para outra linha, as sílabas de uma palavra; ex.:
pas-/ta
,
do-/res
,
ve-/zes
,
parti-/cular
,
di-/gnidade
,
subs-/tância
.
80. Pontos de interrogação (?) e exclamação (!).
À imitação da ortografia espanhola, é conveniente assinalar com êstes pontos o principio de uma oração interrogativa ou exclamativa, invertendo-os, todas as vezes que ela excede quatro ou cinco palavras, para que essa oração seja logo devidamente entoada; ex.:
¿Quando soubeste que a tua família chegava de fora hoje?
81. Acentuação gráfica.
A rigorosa acentuação gráfica das palavras portuguesas deve satisfazer às condições seguintes:
1.ª Indicar, com a maior segurança para quem lê, quais são os vocábulos átonos e quais os tónicos, e nestes qual seja a sílaba predominante, quando tenham mais de uma;
2.ª Diferençar entre si vocábulos que se escrevem com as mesmas letras, mas divergem na pronúncia e na significação, ou função gramatical,
82. Os vocábulos portugueses são: de uma sílaba, monossílabos; de duas, dissílabos; de mais de duas, polissílabos; ex.:
pá
,
pára
,
parada
.
83. Há nos monossílabos e dissílabos vocábulos tónicos,
dá
,
pára
, e vocábulos átonos,
da
,
para
.
84. Os dissilabos tónicos podem ter como sílaba predominante a primeira,
mares
, ou a segunda,
marés
; os polissílabos podem ter como predominante a última,
falará
, a penúltima,
falara
, ou antepenúltima,
faláramos
. Os vocábulos cuja última silaba é a predominante denominam-se agudos ou oxítonos; se a silaba predominante é a penúltima, dizem-se graves, inteiros, ou paroxítonos; se a predominante é antepenúltima, recebem o nome de esdrúxulos, ou proparoxítonos.
85. Nenhum vocábulo português, de per si, pode ter como sílaba predominante qualquer outra antes da antepenúltima, conquanto haja dições formadas por linguagens verbais acompanhadas de pronomes, a elas unidos por hífen (-), em que a sílaba predominante, que é a da forma verbal, fica sendo a quarta ou a quinta a contar do fim; ex.:
dávamos-to
,
dávamo-vo-lo
. Tais dições em nada modificam na escrita a acentuação gráfica da forma verbal, a qual permanece.
86. A sílaba tónica, quando se torna necessário indicá-la na escrita, assinala-se com o acento agudo (´) sôbre a vogal dominante dela, se esta é
a
,
e
,
o
abertos,
i
ou
u
; com o acento circunflexo (^), se é
a
,
e
,
o
fechados. O til vale por acento tónico, se outro não está marcado no vocábulo; ex.:
fará
,
maré
,
portaló
,
difícil
,
útil
;
câmara
,
mercê
,
avô
,
ânsia
,
indulgência
,
brônzeo
,
fímbria
,
núncio
;
varão
,
maçã
,
capitães
;
órgão
,
órfã
;
munícipe
.
87. Outro acento, o grave (`), serve para designar, quando seja necessário ou conveniente à correcta pronunciação de um vocábulo ou forma verbal, o valor alfabético de qualquer das vogais
a
,
e
,
o
,
i
,
u
, independentemente de serem tónicas, e principalmente quando o não são; ex.:
à
,
pègada
,
mòlhada
,
faìscar
,
saùdar
.
88. Estabelecidas estas premissas, pode preceituar-se uma rigorosa acentuação gráfica, inteiramente sistemática, a qual, sem ser profusa ou ociosa, deixe bem patentes os factos apontados, quer seja expressa, quer omissa a sua notação.
89. Vocábulos não acentuados gráficamente.
a) Monossílabos e dissílabos átonos:
o(s)
,
a(s)
,
lo(s)
,
la(s)
,
no(s)
,
na(s)
,
do(s)
,
da(s)
,
ao(s)
,
pelo(s)
,
pela(s)
,
polo(s)
,
pola(s)
,
me
,
mo(s)
,
ma(s)
,
te
,
to(s)
,
ta(s)
,
lhe(s)
,
nos
,
no-lo(s)
,
no-la(s)
,
vo-lo(s)
,
vo-la(s)
,
lho(s)
,
lha(s)
;
se
,
de
,
por
,
sem
,
sob
,
com
,
ma
s,
que
,
porque
,
tam
(abreviatura de
tanto
),
sam
(abreviatura de
santo
), etc.
b) Monossílabos tónicos terminados em
em
,
ens
:
bem
,
bens
,
tem
,
tens
,
cem
.
c) Formas verbais em
am
,
em
, com a penúltima sílaba como predominante, e substantivos dissilábicos e polissilábicos em
em
,
ens
, nas mesmas condições:
louvam
,
louvaram
,
louvem
,
contem
(do verbo
contar
);
viagem
,
viagens
,
ferrugem
,
ferrugens
, etc.
d) Monossílabos e dissílabos tónicos, e polissílabos, terminados em
i
,
u
, vogal nasal, ditongo, seguidos, ou não, de
s
, e os terminados em outra qualquer consoante, todos êles oxítonos:
vi(s)
,
javali(s)
,
cru(s)
,
peru(s)
,
lã(s)
,
maçã(s)
,
sai(s)
,
arrais
,
mau(s)
,
sarau(s)
;
som
,
sons
,
atum
,
atuns
;
mar
,
der
,
ser
,
dor
,
mal
,
canal
,
painel
,
funil
,
farol
,
azul
;
mão(s)
,
varão
,
varões
,
cruz
,
Artur
, etc.
e) Os dissílabos e polissílabos terminados em
a(s)
,
e(s)
,
o(s)
, cuja penúltima sílaba seja a predominante; ex.:
casa(s)
,
camada(s)
,
camarada(s)
,
trave(s)
,
parede(s)
, vicissitude(s),
desaire(s)
,
modo(s)
,
devoto(s)
,
lume(s)
, etc.
Estas espécies compreendem a maioria dos vocábulos portugueses, incluindo-se tambêm nelas as mais das formas verbais, como
louvo
,
louva(s)
,
louve(s)
,
louvava(s)
,
louvara(s)
,
louvaria(s)
,
louvares
,
louvarei(s)
.
90. Vocábulos acentuados gráficamente,
cantar
,
cantai
, fazer, fazei, fazendo sentir, sentirão, sentis, etc.
a) Monossílabos, dissílabos e polissílabos terminados em
a(s)
,
e(s)
e
o(s)
, como sílaba predominante, isto é, agudos, oxítonos; ex.:
pá(s)
,
sé(s)
,
vê(s)
,
mês
,
pó(s)
,
pôs
,
fará(s)
,
maré(s)
,
mercê(s)
,
avó(s)
,
avô(s)
,
alvará(s)
,
jacaré(s)
,
português
,
portaló(s)
, etc.
b) Dissílabos e polissílabos terminados em
em
,
ens
, cuja sílaba predominante seja a última; ex.:
vintêm
,
armazêm
,
vintêns
,
armazêns
,
contêm
,
contêns
(do verbo
conter
),
porêm
,
Jerusalêm
, Belêm, etc.
c) Dissílabos e polissílabos terminados em
i
,
u
, vogal nasal, ditongo, seguidos, ou não, de
s
, ou em outra qualquer consoante, quando a sílaba predominante seja a penúltima; ex:
quási
,
Vénus
,
órfã(s)
,
órfão(s)
,
louváveis
,
louváreis
,
fácil
,
fáceis
,
têxtil
,
têxteis
,
cônsul
,
sável
,
sáveis
,
cadáver
,
éter
,
mártir
,
sóror
,
alcáçar
,
Sófar
,
açúcar
,
gérmen
,
líquen
,
Félix
,
córtex
,
sílex
, etc.
d) Os ditongos, sempre tónicos,
éi
,
éu
,
ói
, com
e
,
o
abertos; ex.:
réis
,
batéis
(cf.
reis
,
bateis
),
véu(s)
,
chapéu(s)
,
sóis
(cf.
sois
, verbo),
róis
,
herói(s)
,
jóia
,
gibóia
, etc.
e) O
a
da terminação
-ámos
da 1.ª pessoa do plural do pretérito, para a diferençar de igual pessoa do presente; ex.:
louvámos
(cf.
louvamos
=
louvâmos
).
f) Os seguintes monossílabos e dissílabos tónicos, para se diferençarem de outros homógrafos átonos:
quê
,
porquê
,
pôr
(cf.
por
preposição),
pára
(cf.
para
, preposição);
pêra
(cf.
pera
,
p'ra
, preposição),
péla
,
pélo
,
pêlo
(cf.
pelo
,
pela
, preposição
per
e artigo
lo
,
la
),
pólo
(cf.
polo
, preposição
por
e artigo
lo
).
g) Todos os vocábulos esdrúxulos, isto é, que tenham como sílaba predominante a antepenúltima; ex.:
prática
;
ânimo
,
ânsia
;
férvido
,
género
,
gémeo
,
génio
;
pêssego
,
fêmea
,
concêntrico
,
tísico
,
tirocínio
,
fímbria
;
próximo
,
próprio
,
antimónio
;
lôbrego
,
brônzeo
;
úbere
,
lúgubre
,
único
,
núncio
;
cadáveres
,
árvore(s)
,
multíplice(s)
,
múltiplo(s)
,
quádruplo(s)
, etc.
Assim tambêm as formas verbais esdrúxulas, tais como
louvávamos
,
louváramos
,
louvaríamos
,
devíamos
,
devêramos
,
deveríamos
,
puníamos
,
puníramos
,
puniríamos
,
louvássemos
,
devêssemos
,
puníssemos
,
saíssemos
,
fizéssemos
, etc.
h) Marcam-se com o acento circunflexo os
ee
e
oo
fechados de vocábulos paroxítonos terminados em
o(s)
,
e(s)
,
o(s)
fechados, quando haja outros, escritos com as mesmas letras, em que essas vogais sejam abertas; ex.:
rêgo
,
rôgo
, substantivos, a par de
rego
,
rogo
, verbos;
dêmos
, presente, a par de
demos
, pretérito,
sêde
,
côrte
,
côr
,
mêdo
, a par de
sede
,
corte
,
cor
,
medo
, com
e
,
o
abertos, etc.
i) Marcam-se com o acento agudo (´) o
i
e o
u
que não formem ditongo com a vogal anterior; ex.:
país
,
saída
,
faísca
,
Taígeto
,
saúde
,
balaústre
,
baú
, etc.
j) Se o
i
ou
u
, que não forma ditongo com a vogal precedente, é átono, em vez do acento agudo, usa-se o grave (`); ex.:
saìmento
,
paìsagem
,
saùdar
,
abaùlado
;
l) O acento grave designa tambêm o
u
dos grupos
qu
,
gu
, se é proferido; ex.:
conseqùência
,
agùentar
,
argùir
. Muda-se em agudo se êsse
u
é a vogal predominante,
argúi
; cf.
argùi
, pretérito;
m) Emprega-se igualmente o acento grave para denotar que
a
,
e
,
o
átonos são abertos, quando haja homógrafos, em que eles sejam surdos; ex.
à
, e
a
;
àquele(s)
,
àquela(s)
, e
aquele(s)
,
aquela(s)
;
àparte
, substantivo, e
aparte
, verbo;
prègar
, e
pregar
, de
prego
;
mòlhada
, de
molho
, e
molhada
, de
molhar
.
91. O acento distintivo (^), que assinala as vogais fechadas
ê
,
ô
, só tem aplicação, tanto nos monossílabos, como nos dissílabos ou polissílabos, se existe homógrafo, isto é, vocábulo escrito com as mesmas letras, de que haja de diferençar-se; pode portanto omitir-se em
dor
,
poço
,
cera
, por exemplo, porque não existem, as palavras
dór
,
céra
, e
pósso
, verbo, já se diferença de
poço
em escrever-se com
ss
.
92. Semelhantemente, a acentuação gráfica omite-se logo que, pela flexão dos vocábulos, deixam de existir as condições que a determinaram. Dêste modo, se temos de acentuar graficamente
sêco
,
sêca
,
lôgro
para os diferençar das correspondentes formas verbais
seco
,
seca
,
logro
, com
e
,
o
abertos, a acentuação torna-se inútil no plural daqueles nomes masculinos,
secos
,
logros
, mas terá de manter-se em
sêcas
, em razão da forma verbal
secas
. Assim, tambêm, escreveremos
vaidoso(s)
,
vaidosa(s)
, sem sinal de acento no
o
da penúltima sílaba, conquanto a pronúncia seja
vaidôso
,
vaidósos
,
vaidósa(s)
. Outro tanto sucederá com relação ao
o
aberto de vários substantivos no plural, correspondente a
o
fechado no singular; assim teremos
tejolo
(
tejôlo
),
tejolos
(
tejólos
), sem acento gráfico, mas
trôco
,
trocos
, e
troco
, verbo.
As palavras
espôso
,
espôsa(s)
, terão acento marcado, em virtude de existirem as formas verbáis
esposa
,
esposa(s)
, com
o
aberto; mas o plural
esposos
dispensa a acentuação por não haver homógrafo a diferençar. Escreveremos
pôr
, com acento circunflexo, para o diferençar de
por
, preposição; porêm
dispor
,
propor
,
expor
, etc., ortografam-se sem acento distintivo;
português
,
cortês
tem o acento circunflexo no
e
por este pertencer à última sílaba, predominante; em
portugueses
,
portuguesa(s)
,
corteses
omite-se o acento por ser desnecessário, visto os vocábulos haverem passado de oxítonos a paroxítonos em
-esa(s)
,
-ese(s)
.
Por outra parte,
árvore(s)
terá acento marcado, por ser esdrúxulo,
arvore(s)
; verbo, não o tem por ser paroxítono em
(e)s
.
93. A conjugação de um imperfeito ou condicional de verbo, como
louvaria
,
deveria
,
puniria
,
louvava
,
devia
,
punia
, receberá acento nas formas esdrúxulas
louvaríamos
,
louvávamos
,
deveríamos
,
devíamos
,
puniríamos
, e nas paroxítonas terminadas em ditongo,
louváveis
,
louvaríeis
,
devíeis
,
deveríeis
,
puníeis
,
puniríeis
; mas
saía
tê-lo há em todas as pessoas do imperfeito,
saía
,
saías
,
saía
,
saíamos
,
saíeis
,
saíam
, porque o
i
não forma ditongo com o
a
que o precede.
94. Os nomes próprios acentuam-se graficamente como os nomes comuns; assim escreveremos
Pôrto
, como
pôrto
, diferençado de
porto
, verbo;
Setúbal
,
Pontével
,
Pedrógão
,
António
,
Tomás
,
Tomé
,
Nazaré
,
Belêm
,
Águeda
, etc.
É em virtude desta regra que teremos de acentuar a forma verbal
lêmos
, para que se diference de
Lemos
, na escrita, como se diferença na pronúncia.
95. Os vocábulos compostos cujos elementos são unidos por hífen (-) conservam os seus acentos gráficos; ex.:
mãe-d'agua
,
pára-raios
,
pesa-papéis
.
O mesmo se observará com os advérbios formados com o sufixo
-mente
, dantes independente, como substantivo que era, o que ainda se reconhece na locução
de boa mente
; ex.:
sómente
,
cortêsmente
,
rápidamente
,
cristãmente
.
96. Nos vocábulos derivados, aumentativos e deminutivos formados com o infixo
z
, o acento agudo converte-se em acento grave, para que se evitem leituras erróneas; ex.:
má
,
màzinha
,
màzona
;
avó
,
avòzinha
.
97. Na escrita comum parte desta acentuação rigorosa e sistemática poderá, em algumas das suas minúcias, ser dispensada; não porêm em livros didácticos, como gramáticas, dicionários, compêndios de qualquer natureza que sejam, nos quais por todas as razões, mas principalmente para que se não difundam e propaguem erros na pronúncia, convêm que seja fielmente aplicada; podendo mesmo ser ampliada com a marcação, mediante o acento circunflexo, de todos os
ee
e
oo
fechados tónicos. Em qualquer caso, todavia, cumpre que outros sistemas arbitrários não substituam esta acentuação gráfica, metódica e harmónica, prejudicando-a na sua coerência e regularidade, a qual se baseia no exame escrupuloso dos factos.
*
A Comissão termina esta exposição expressando o voto de que, se merecer aprovação o sistema proposto, êle se propague por meio de cartilhas e gramáticas, que minuciosamente o exemplifiquem, independentemente do
Vocabulário
.
Direcção Geral da Instrução Secundária, Superior e Especial, 23 de Agosto de 1911.
―
Francisco Adolfo Coelho
, Presidente.―
José Leite de Vasconcelos
, Vogal.―
Cândido de Figueiredo
, Vogal.
―
Manuel Borges Grainha
, Vogal.
―
Aniceto dos Reis Gonçalves Viana
, Relator.―
José Joaquim Nunes
, Secretário.
(Diário do Govêrno n.º 213, de 12 de Setembro de 1911).