EXERCISES
Reading edition
I PRONUNCIATION OF THE VOWELS
(See § 2, page 5)
a: ha, sal, para, gato, mata, ama, aza. e: pé, fé, sé; sello, mesmo; desde, elle, vale, grande. i: li, vi, ri, dormi, kilo; animal, limitado, dividir. o: so, forte, voz, embora. avô, vogal, por. vento, bello, curto, tudo, isto. u: tu, lugar, cru, tribu, uma, singular, natureza. y: syllaba, martyr, myope, mystério, lyrico.
Vowel-Compounds: Pure Diphthongs
(See § 3, page 6)
ai: Cairo, paiol, mais, vai, jamais, amais. au: pau, mau. ei: lei, anneis, achei, sapateiro, primeiro, hei, dinheiro. eu: eu, ceu, deu, breu. iu: viu, insistiu. oe: heroe. oi: boi, foi, noite, depois, coitado. ou: ouro, couro, pouco, estou, sou, pensou. ui: fui, cuidado.
Nasal Diphthongs
(See § 3, page 7)
ã: irmã, rã, sã, maçã, la. ãe: mãe, cães, pães, capitães, allemães. ão: mão, não, irmão, João, são, attenção, nação, coração. õe: nações, edições, feições, corações, feijões, Camões. ui: muito.
Other nasal sounds: bem, bom, fim, fins, sem, sim, som, com, bons, um, uns, homem, homenagem, vim, vins.
II PRONUNCIATION OF THE CONSONANTS
(See § 5, page 7)
b: bala, bobo. c: cada, faca, cedo, cesta, cinco, civil, corta, culpa. ch: cha, chamar, chimica, epocha, cholera, chocar. ç: cortiça, benção, ouço. d: dado, desde, dia, doce, duro. f: fazer, ferro, fico, fogo, café, offerta. g: gallo, gosto, gusa. geral, gengebra, gymnasio. guia, guisa, guincho. gn: maligno, assignar, signal, digno. h: ha, haver, herva, hora, hoje. j: anjo, José, jogo, jejum, já. k: kilo, kali. l: lastro, litro, leste, lontra, lustroso, elle. lh: carvalho, barulho, batalha, brilho, orelha, orgulho. m: mármore, momento, alguem, bem, hontem, porem. n: entende, neste, naquelle, ninho, nove, nuvem. nh: ganhar, gallinha, tenho, tamanho, caminho. p: pagina, pintura, ponta, praça. ph: philosophia, phosphoro. pt: escripto, prompto or pronto, captivo. quadro, qualquer, quatorze. q: quinze, aqui, quieto. quente, quem, queijo. renda, rio, rosto, rustico. r: burro, serra, guerra. caro, serio, genro, melro. salsa, sino, socio. s: lisa, casar, formosa, saudoso, abuso. t: tio, tonto. th: thesouro, mathematico. v: vacca, velho, vela, vinho, viuvo, visivel. x: trouxe. sexo, fluxo. extenso, excepto. exame, exemplo, exorbitante, existencia. caixa, peixe. xadrez, xiz, xique-xique. z: zona, zinco, zurrar, brazas, zangado.
III ACCENTS[64]
(See § 8-9, page 13)
ão: caixão, caixões, lião, attenção, nações, orfão. i: aqui, Ariry, Piquiry. l: azul, perfil, general. r: vapor, salgar, senhor. u: tatu, bambu, caju. z: rapaz, feroz, rapidez, solidez, alcatraz. im: marfim, latim. ia: theologia, mineralogia. aça: fumaça, alfaça. ade: liberdade, caridade. ode: bode, bigode. ice: tolice, indice, apendice. ude: virtude, altitude. ado -a: usado -a, cravado. edo: olivedo, figueredo. ido -a: cosido -a, resumido. udo -a: cascudo -a. ato: barato, celibato. ano: bahiano, oceano. anço -a: descanço, balanço, alliança, esperança. anco: banco, flanco, arranco. anto: amianto, encanto. ico -a: rico, barrica. iga: ortiga, espiga. eja: cerveja, corteja, igreja. eiro -a: sapateiro, bandeira. ume: lume, bitume. uto -a: permuta, luta. ando: amando, lendo, and the present participles. elho -a: conselho, espelho. erna: perna, lanterna. alho -a: cascalho, retalho. ilho -a: filho, milho, rodilha. olho -a: repolho, escolha. ulho -a: gorgulho, agulha. imba: cacimba, caximba. ello -a: cabello, chinella. elo: modelo, farelo. inho -a: ninho, passarinho. ino: menino, ensino. ora: lavoura, professora. uro -a: escuro -a, rapadura. oso -a: formoso -a, gostoso -a, venenoso -a, raposa. oço -a: almoço, destroço. esto -a: honesto -a. ista: dentista, fatalista. usto -a: justo, robusto. ate: combate, alfaiate. ete: paquete, bobinete. ote: lote, filhote, capote. eta: cometa, propheta. ito -a: granito, cabrito. ota: idiota, gaivota, esgota. que: alambique, reboque. ante: tratante, brilhante. ente: plenamente, prudente. ento -a: nascimento, semento, augmento. ema: problema, systema. inte: pedinte, ouvinte. ismo -a: sophismo. istro: ministro, sinistro. ivo -a: captivo -a, activo, negativo, passivo. eza: defeza, viveza. ouro: bebedouro. encia: independencia. aco -a: demoniaco. ico -a: logico, colerico. ido: calido, fervido. ega: alfandega, pandega. ago: amago, relampago. ego: trafego, folego, pecego. igo: prodigo, perigo. alo: escandalo, estalo, abalo. olo -a: frivolo, malevolo -a. ulo -a: pendulo, cumulo. imo -a: riquissimo, longuissimo, emprestimo. ito -a: habito, implicito. aro -a: passaro, barbaro. ero -a: aspero, prolifero. ore: arvore, marmore.
On the penult.baldio, desafio, desvario, fastio, feitio, tresvario, sadio, pousio, vadio, escorregadio, luzidio, cunhadio, plantio, gentio, armentio.
On the antepenult. armario, buzio, cambio, diario, inventario, adagio, secretario, sectario, tributario, adventicio, frontespicio, facticio, ficticio, prodigio, delirio, mortuario, escriptorio, laboratorio, seminario, commentario, notorio, mortorio, agio, cirio, relogio.
IV SYLLABICATION
(See § 11, page 19)
Separate the following words into their syllables:
amanhã applicação areia assumpto atalho banheiro cançar catarrho comnosco constantemente damnado escripto estampilha estou extracto galheiro gallo guerra isthmo lenço linguagem não navalha nenhum peixe philosophia prompto quando quilate sello senhora senhor subdelegado trabalhador thesouro tinta uma vinho vulgar
V DEFINITE ARTICLE
(See § 14, page 23)
Vocabulary
o cavallo, the horse o garfo, the fork o homem, the man o menino, the boy o pai, the father o passaro, the bird o vapor, the steamer a colher, the spoon a faca, the knife a mãi, the mother a manteiga, the butter a menina, the girl a rosa, the rose a senhora, the lady tem, has está, is (temporary) estão, are ainda, yet aqui, here e, and onde, where mas, but
O pai, a mãi e a menina.
Os homens e os cavallos.
Os garfos, as facas, e as colheres.
O passaro está aqui.
O homem tem o cavallo.
Onde está a senhora?
Aqui está a rosa.
As senhoras e as meninas estão aqui, mas os homens e os meninos ainda não estão.
A manteiga não é boa.
Pelo vapor a viagem é agradavel; pela estrada de ferro é má.
O João está no campo com o francez.
Venho da cidade pelo caminho comprido.
Na immensidade dos mares.
O livro foi adoptado pelo conselho de instrucção do Ceará a 19 de Agosto do corrente anno.
The horse is here.
The knife, the fork, and the spoon.
The mothers and the fathers and the girls.
Here is the horse.
Where is the knife?
The horses and the men.
Here is the mother.
The ladies are not here.
Where are the men?
The windows of the house.
VI INDEFINITE ARTICLE
(See § 17, page 25)
Vocabulary[65]
o amigo, friend o cabello, hair o chapeo, hat o copo, cup, glass o filho, son o leite, milk o livro, book a agua, water a cadeira, chair a filha, daughter a flor, flower a mesa, table bonito -a, pretty branco -a, white é, is (permanently) em, in, on no (m.), na (f.), in the muito, very dois (m.), duas (f.), two uns (m.), umas (f.), some
Um amigo tem um cavallo.
O chapeo é branco.
Um chapeo está na mesa.
Uma filha e dois filhos.
Uma cadeira muito bonita.
É um chapeo muito branco.
Duas filhas bonitas.
Um copo d’agua ou de leite.
Ja faz mais de uma semana.
Um dos filhos cahiu na agua.
Que bello dia; que bella flor.
Com umas cartas na mão.
No interior é mais agradavel especialmente o tempo das chuvas.
É uma felicidade.
A pretty flower is on the table.
The lady has a white hat.
A friend has the horses.
The mother has a pretty daughter.
The son has a very pretty horse.
The man has some knives, forks, and spoons.
A chair, a table, a plate, a knife, a fork, a spoon, a napkin, a glass of wine, a loaf of bread, a good dinner.
A short letter (cartinha).
It is a question of health.
VII PLURAL OF NOUNS
(See § 20, page 27)
Vocabulary
o animal, animal o anzol, fish-hook o irmão, brother o jornal, newspaper o paiz, country o papel, paper a espada, sword a irmã, sister a lição, lesson a nação, nation terça-feira, Tuesday sexta-feira, Friday docil, docile difficil, difficult feroz, ferocious facil, easy grande, great são, are (permanently) estão, are (temporarily) tenho, I have sahe, comes out
Os animaes são ferozes.
Tenho dois anzóes.
As flores são muito bonitas.
Os irmãos tem os papeis.
Os paizes e as nações são grandes.
As lições são difficeis.
Os cavallos são animaes doceis.
A lição é facil.
É uma espada comprida.
O jornal sahe terças e sextas-feiras.
Os jornaes do paiz são todos diarios.
The nations are great.
I have difficult lessons.
The sisters have easy lessons.
The brothers have fish-hooks.
The papers are on the chair.
Horses are docile.
The flowers are beautiful.
The books are easy.
The laws of the land.
Give the plurals of the following:
o cão, dog o cidadão, citizen a cor, color a dor, pain o funil, funnel o general, general o ladrão, thief o nariz, nose o pão, bread (loaf)
VIII GENDER OF NOUNS
(See § 24-31, pages 30-38)
Vocabulary—Nouns of Opposite Sex
o moço, young man a moça, young woman
o francez, Frenchman a franceza, French woman
o professor, (male) teacher a professora, (female) teacher
o menino, boy a menina, girl
o gallo, cock a gallinha, hen
a barão, baron a baroneza, baroness
o boi, ox a vacca, cow
o rapaz, boy a rapariga, girl
o barro, clay a barra, bar (of stream, of iron)
o porto, port a porta, door
o caso, case a casa, house
o solo, soil a sola, sole (leather)
o ponto, point, place a ponta, end
a ponte, bridge
agradeço, I thank
este (m.), esta (f.), this estes (m.), estas (f.), these
fertil, fertile perto, near
grosso (m.), -a (f.), thick doente, ill
fechado -a, closed o campo, field
O francez tem um boi, uma vacca, duas gallinhas, e um gallinheiro.
A professora é uma senhora bonita.
Os casos são muito difficeis.
As casas brancas são as mais bonitas.
O solo deste paiz é muito fertil.
Este professor é filho do barão e da baroneza.
A sola é grossa; a porta é larga, mas está fechada.
O professor francez está doente em uma casa perto do porto.
Esta professora fala inglez perfeitamente.
O actor casou-se aqui nesta mesma casa quando era ainda muito moço.
Agradeço a amabilidade.
O pagem foi buscar (has gone for) o mappa.
IX RELATED AND UNRELATED NOUNS OF OPPOSITE SEX
(See § 28-31, pages 34-38)
Vocabulary
o modo, manner, style a moda, fashion
o banho, bath a banha, lard
o prato, plate a prata, silver
o lente, lecturer a lente, lens
o capital, capital (money) a capital, capital (of a state)
o cura, curate a cura, cure
Já não é moda.
Este modo de escrever não convem.
O navio chegou ao porto hontem.
As portas desta casa são bem largas.
No caso contrario o lente voltará á capital.
Elle me fez presente de um prato de prata.
Sola grossa é que vale a pena.
A barra ficou completamente entupida com a grande quantidade de barro trazido pelas aguas do rio.
A industria da zona é a criação de gado e fabrico de queijos, porem em escala muito pequena.
Meu tio e minha tia estão doentes.
O rei e a rainha da Italia.
Chegou uma moça chamada Nicota com uma rapariga para criada.
Tal pai tal filho; tal filho tal pai.
O barão e a baroneza são nossos vizinhos.
Repartira largamente os fructos das suas conquistas.
The fashion has changed.
The port of Bahia is large and deep.
The case is bad.
Bello Horizonte is the new capital of the state of Minas Geraes.
The railway track was covered with mud.
The curate lost the lens.
The bath is very cold.
Here is the plate.
There is no (não ha) lard.
X SUFFIXES—AUGMENTATIVES
(See § 32-35, pages 38-41)
Vocabulary
o caixão, big box a caixa,[66] little box o dinheiro, money um dinheirão, a great deal of money o fosforo, match o gato, cat o livro, book a cidade, city a mulher, woman a mulherona, big woman com fome, hungry (with hunger)
tenho, I have temos, we have
tens, thou hast tendes, you have
tem, he (she, it) has teem, they have
Os meninos teem uma caixinha de fosforos.
Esta mulherona tem um gatinho pequenino.
O francez tem um dinheirão.
O caixão é muito grande.
A caixa está na porta da casinha.
Tenho um gallo pequeno e uma gallinha pequenina.
Temos perto da cidade uma casa com um portão.
Aquelle figurão é um recem-chegado.
Este rapagão é meu camarada.
Que narigão.
Que mulherão!
The man has two big boxes of matches.
We have a little house in the city.
The little book is quite pretty.
I have a very, very small cat.
The little horse is hungry.
The handsome woman has a beautiful little foot.
The little rat is in a little box.
There is a little house near the road.
These little potatoes are dear.
The consul is a notable and venerable man.
XI DIMINUTIVES
(See § 36-38, pages 41-42)
Vocabulary
o cachorro, dog o carro, cart, wagon o morro, hill o pé, foot o pedaço, piece o pinto, little chick o vapor, steamer a coitadinha, poor little girl a conta, account a lagoa, lake a luz, light a roda, wheel
A criança cortou a mãozinha.
Um vaporzinho navega esta lagoazinha.
Aquelle carrinho quebrou a rodinha.
O cachorrinho perdeo-se no matto.
Ha dois morrinhos logo á entrada do porto.
Quem foi que matou o pintinho?
A luzinha do dia nascente.
Coitado do gatinho!
Pedro perdeu os livrinhos.
A senhorinha vai á escola sosinha.
O coronel era um velho robusto com grandes mãos cabelludas.
O baixinho é muito malcreado.
Como vai Joãozinho? Melhorou, mas ainda está fraquinho.
Sosinho alli perto da capellinha de S. Matheus.
Os livrinhos são bonitinhos.
Coitadinho!
My small son.
I have a small piece of bread.
The little cat and the small dog.
The small steamer on the little river.
The little hill near the road.
The little ducks are in the water.
I have bought some small fish for our dinner.
A little plate of rice, a little piece of meat, and a small glass of wine are enough.
I have a short letter from my son.
XII ADJECTIVES
(See § 39-41, pages 43-44)
Vocabulary
o chá, tea o estudante, student o leite, milk o marido, husband o pão, bread a lingua, language azul, blue contente, pleased diligente, diligent feio, ugly gosto, I like hoje, to-day mais, more mau, bad não, not preguiçoso, lazy preto, black (man) que, than rico, rich sempre, always tambem, also velho, old
A secca: «Quem, pela primeira vez, percorre o sertão nessa quadra, depois de longa sêcca, sente confranger-se-lhe a alma até os ultimos refólhos em face dessa inanição da vida, desse immenso holocausto da terra. É mais funebre de que um cemitério. Na cidade dos mortos as lousas estão cercadas por uma vegetação, que viça e floresce; mas aqui a vida abandona a terra, e toda essa região, que se estende por centenas de leguas, não é mais do que o vasto jazigo de uma natureza extincta e o sepulchro da propria creação. Das torrentes caudáes restam apenas os leitos estanques, onde não se percebe mais nem vestigios da agua que os assoberbava. Sábe-se que alli houve um rio pela depressão, as vezes imperceptivel, do terreno e pela areia alva e fina, que o enxurro lavou.»—José de Alencar.
De noite todos os gatos são pardos.
Sou um homem chão.
Gosto de pão preto.
XIII COMPARATIVES AND SUPERLATIVES
(See § 42-46, pages 44-47)
Vocabulary
alto, high o mais alto, the highest
bello, handsome a mais bella, the handsomest
bom, good melhor, better best, very good
optimo,
o melhor,
agradavel, agreeable mais agradavel, more agreeable
facil, easy os mais faceis, the easiest (pl.)
amavel, amiable
o lugar, place
feliz, fortunate o mais feliz, the most fortunate
grande, great maior, greater
maiorzinho, a little bit greater
civilizado, civilized
visto, seen
O morro alto é mais agradavel.
Os homens mais agradaveis.
É mais facil ficar aqui.
Meu amigo é o homem mais feliz que conheço.
Melhor o dia, melhor o serviço.
As nações mais civilizadas do mundo.
É o lugar mais agradavel que tenho visto.
As senhoras mais bellas não são sempre as mais agradaveis.
É lindissima a cidade vista de noite do alto da serra.
O clima é pessimo; é o peior que conheço.
O ultimo anno deste celeberrimo poeta.
Este paiz é um dos mais civilizados do mundo.
O governador falou com a maior affabilidade.
Desejo uma casaca de panno mais fino, e um pouco mais escuro.
Não ha a minima duvida.
Devia morrer mais cedo do que eu proprio imaginára.
A lingua portugueza é riquissima.
XIV NUMERALS
(See § 55-64, pages 50-55)
Vocabulary
o anno, the year o mez, the month o dia, the day o minuto, the minute o seculo, the century o trabalho, the work o quarto, the room a independencia, independence a semana, the week a noite, the night a hora, the hour a sala, the hall a janella, the window um milreis, one milreis um conto de reis, one conto of reis (one thousand milreis) são, there are (it is) quanto, how much custou, it cost
meu (m.), minha (f.), my
meus (pl.), minhas (pl.),
seu (m.), sua (f.), your, his, her, its, their
seus (pl.), suas (pl.),
Junho, June Novembro, November Setembro (m.), September Março, March
Que horas são? São tres e meia; não quatro horas e vinte minutos.
Hoje é sete de Setembro, o dia de independencia.
A semana tem sete dias e outras tantas noites, e o anno tem trezentos e sesenta e cinco dias.
O seculo tem cem annos.
Minha casa tem duas salas e seis quartos, e custou oito contos duzentos e quinze milreis.
Quanto custou seu livrinho?
Custou um milreis; mas custou treze dias de trabalho tambem.
Trinta dias tem Novembro Abril, Junho e Setembro; Vinte e oito só tem um, E os demais tem trinta e um.
O dia sete de Setembro de mil nove centos e dez é dia de independencia nacional do Brasil.
XV PERSONAL PRONOUNS
(See § 65-75, pages 56-61)
Vocabulary
amar, to love dar, to give falar, to speak gostar, to like querer, to wish trabalhar, to work amo, I love amas, thou lovest ama, he, she, it loves amamos, we love amaes, ye love amam, they love dou, I give das, thou givest da, he, she, it gives devagar, slowly mais, more de mais, too much menos, less de menos, too little a senhoria, lordship a agua, water o conselho, advice a ave, bird a mercê, mercy comtigo, with thee a excellencia, excellency
Elle fala commigo.
Eu trabalho, mas elle fala.
Gostas de pão?
Não lhe dou dinheiro.
Elle perseguia as aves; eu perseguia-o a elle.
O senhor fala devagar.
A minha familia chama-me poeta; os visinhos chamam-me tolo.
Agradeço-lh’a, e afago-a.
Ella gosta de falar comtigo.
Dou-lhe este conselho.
A Senhora gosta de me dar conselho.
Vossa Excellencia me da conselhos de mais.
Disse-lhe o meu nome. O padre repetiu-o tres vezes.
Vossa Senhoria não a ama.
Entre mim e elle não ha questão.
Elle da-lhes um conto de reis.
Tres delles estão commigo.
Não posso ve-lo.
Elle não o sabia; o trovador não as via.
XVI POSSESSIVES
(See § 76-83, pages 61-62)
Vocabulary
o soldado, soldier o parente, relative o vizinho, neighbor o general, general a loja, shop o advogado, lawyer a ordem, order barato, cheap caro, dear porem, but, however pronto, ready
dizer, to say
digo, I say dizemos, we say
digamos, let us say
dizes, thou sayest dizeis, you or ye say
diz, he or she says dizem, they say
Meu caro amigo diz que a casa d’elle é minha, é sua, é nossa.
Meus livros e meus cavallos estão ás suas ordens.
Meu caro filho, tua casa é grande de mais, porem é boa.
Dizem que meu cavallo é caro, mas que seu é mais barato.
Dizem me que os meus vizinhos são vossos bons amigos.
O general diz que os seus soldados estão prontos.
Digo que não.
Meu advogado perdeu a causa.
Minha filha diz que vai buscar o seu chapeo.
Minhas irmãs dizem que os seus parentes são ricos.
Como está, meu amigo?
Sua Majestade é meu amigo.
Estou aqui ás suas ordens.
My neighbor says his house is yours.
This shop is at your orders.
Your friends are mine.
You say that my friends and neighbors are yours.
All your books and all of hers are ours.
My house is very small, but it is at your orders.
Our customs are different from yours.
XVII DEMONSTRATIVES
(See § 84-94, pages 63-65)
Vocabulary
o irmão, brother a fruta, fruit forte, strong o pobre, poor man cego, blind o cego, blind man a cega, blind woman bater, to knock convem, it suits (impersonal verb) servir, to serve a tinta, ink a penna, pen o emprego, employment
Vinte dias e outras tantas noites seguiu-o de longe, até o ver sumir-se nas ruas tortuosas e escuras do coração da cidade.
Este homem e as filhas d’elle são pobres.
Aquelle moço é cego.
Essa mulher é uma cega pobre.
Ella é uma pobre cega.
Disto não gosto.
Estas frutas não são boas.
Estes soldados são mais fortes que aquelles pobres cegos.
Isto não me convem.
Aquella tinta e esta penna não servem para escrever a carta.
O nome unico por que chamou foi o de seu filho.
Fulano diz que é a mesmissima coisa.
Não gosto disto.
Este senhor é o autor deste livro.
This poor boy is blind.
That blind woman is poor.
This blind man is stronger than his brother.
This dog is stronger than that one.
These books are better than those.
There is no such person here.
At this place and at this moment it is not possible.
This occasion is best.
Take these chairs away.
Those poor men have no employment.
XVIII INTERROGATIVES
(See § 95, page 65)
Vocabulary
o rumo, bearing, direction o caminho, road a mala, trunk, suit case a rua, street a opinião, opinion curto, short para, for (to)
Qual é o caminho para a cidade?
Quem falla? Sou eu, seu amigo.
Que tem no caixão?
Quem é?
Qual d’elles é o mais prudente?
Qual é a sua opinião?
Em que rua é a sua casa?
Qual é o caminho mais curto?
Quem bate?
Quem sabe não sou eu.
Quaes são minhas malas?
Quem foi que deixou a porta aberta?
Seja quem for, não convem.
Quaes são as nossas cadeiras?
Qual é o meu chapeo?
Que pena! Que vergonha!
Quem lhe disse?
Que horas são?
Which is the road to your house?
What is it you say?
Who is it speaking (who speaks)?
I am the one who is speaking (who speaks is I).
In which direction is the city from here?
Who knows?
Which are the best fruits?
Who was it that took away my pen?
Who is that knocking?
Which of these three chairs is mine?
What time is it?
Who is the owner of this house?
Who knows?
Which of the two is the better one?
What a pity!
In this case I cannot go.
This employment does not suit me.
It is hard to believe what I saw.
It was in this river that he was drowned.
XIX RELATIVES
(See § 96-99, page 66)
Vocabulary
o dono, owner saber, to know sei, I know sabes, thou knowest sabe, he knows sabemos, we know sabeis, ye know sabem, they know a certeza, certainty a instrucção, instruction possivel, possible ha, is (impersonal 3d sing. haver) com, with quem, who livre, free verdadeiramente, truly sem, without
O que digo é que não é possivel.
Não sei quem é o dono desta casa.
O senhor sabe de quem é este livro?
Não sei com certeza.
O livro que tem é o melhor que ha.
Instrucção, sem a qual o homem não será jamais verdadeiramente livre.
Quem tudo quer tudo perde.
Que é isso?
Os que falam.
Quem bem semeia, bem colhe.
Quem diz o que quer, ouve o que não quer.
Quem sabe qual é a loja?
Tal foi o sonho do futuro que o Senhor me enviou n’uma noite de agonia.
Que é a caixa economica, essa arvore que produz taes frutos de benção?
Os mais bellos são os que vêm do estado da Bahia.
You do not know which is the best road.
It is not possible to say with certainty.
I do not know whose house that is.
The books which I have are the best.
A man whom I esteem.
With whom are you talking?
Whose house is that?
He who has most wants most.
XX INDEFINITES
(See § 100-102, pages 67-69)
Vocabulary
o mundo, world o presente, present o espaço, space, room a cousa, or coisa, thing desejar, to desire ter, to have a verdade, truth qual, which qualquer, either o senhor, sir, gentleman nada, nothing algum -uma, some
Alguem lhe deu este presente.
O senhor tem alguma cousa boa?
Não tenho nada, e não desejo nada.
Sem dizer nada.
Algumas das de que fala tem muito pouco espaço.
Cada um tem a sua opinião.
Quaes destas tres quer?
Qualquer dellas; não sei qual é a melhor.
Não quero nenhum.
Tudo está muito bom.
Gosto deste mais que nenhum outro.
Uns dizem que sim; outros que não.
Ninguem sabe qual é a verdade.
Traga alguma cousa para comer em quanto estou escrevendo umas cartas.
No one knows which is the shortest road.
Each one has his own opinion.
All the world knows that no man is prudent.
I know nothing about this.
Either one of these books is good.
You know more than any one else.
I don’t want either the one or the other.
Whoever it may be he cannot enter here.
Much obliged. Not at all.
I want to get there as soon as possible.
We shall be there in a little while.
XXI REGULAR VERBS
(See § 103-107, pages 69-75)
Vocabulary
achar, to find andar, to walk atirar, to shoot bolir, to disturb cantar, to sing comer, to eat deixar, to leave destruir, to destroy durar, to last encher, to fill entrar, to enter esquecer, to forget estudar, to study ficar, to remain mudar, to change partir, to depart responder, to reply unir, to unite vender, to sell o altar, altar o maribondo, wasp o tempero, seasoning (of food) a cabeça, head a romaria, pilgrimage a reliquia, relic
Falo como parto.
Falo, como, e parto.
Elle fala, come, e parte.
Ella cantava, respondia, partia.
Achou, vendeu, uniu.
Estudarei, encherei, bulirei.
Ficariamos, encheriamos.
Duraram, responderem, uniram.
Mude, encha, bula.
Andasse, enchesse, bulisse.
Entra, come, parte.
Deixando, vendando, destruindo.
Mudada, esquecida, unida.
Falar sem pensar é atirar sem apontar.
Elle anda com a cabeça inchada (slang).
Fiquei mais morto que vivo (cançado).
Não bule com casa de maribondos.
Gallinha gorda não precisa tempero.
XXII REGULAR VERBS WITH ORTHOGRAPHIC AND PHONETIC CHANGES
(See § 108, pages 75-76)
Vocabulary
abranger, to contain agradecer, to thank arrancar, to pull out, up attingir, to attain attracar, to make fast balançar, to balance brincar, to play cançar, to tire distinguir, to distinguish eleger, to elect emmagrecer, to grow thin empallidecer, to turn pale empecer, to hinder entregar, to deliver erguer, to raise fincar, to drive in fingir, to pretend fugir, to flee jogar, to play, throw lançar, to throw pedir, to request pregar, to nail rasgar, to tear rogar, to ask salgar, to salt valer, to value, to be worth a demissão, dismissal a esmola, charity a manha, habit, whim
fiquei, fique, finquei, finque; brinquei, brinque.
entreguei, entregue; roguei, rogue, joguei, jogue.
elejo, eleja, elejas; abranjo, abranja.
attinjo, attinja; finjo, finja, fujo, fuja.
ergo; distingo; lancei, lance; cancei, cance; balancei, balance.
agradeço, agradeça; emmagreço, emmagreça; empallideço, empallideça; empeço, empeça.
foge, cobre, sobe; durmo, sigo, sirvo.
Pedi minha demissão e segui caminho.
O cavallo fugiu a noite passada.
Uma esmola pelo amor de Deus.
XXIII THE AUXILIARY VERBS
(See § 109, pages 76-81)
Vocabulary
o sul, south o norte, north o dever, duty o olho, eye o caminho, road o serviço, service a opinião, opinion a viagem, voyage, trip a febre, fever satisfeito, satisfied já, at once enjoado, seasick ter, to have haver, to be ser, to be estar, to be aguentar, to endure acabar, to finish embarcar, to embark seguir, to follow seguir viagem, to go forward
Tenho feito meu dever.
Tendo acabado o serviço, segui viagem.
O nosso amigo está para embarcar já.
Não ha quem possa aguentar este serviço.
Sou norte-americano, vou embarcar para a America do Sul.
Estou cansado; sou cego de um olho.
O que é que tem feito aqui todo o dia?
Sou de opinião que não ha caminho.
Tenho estado muito satisfeito com esta viagem.
Como tem passado estes dois dias?
Está clara que elle não é nem portuguez nem brasileiro; pode ser (que seja) inglez.
He was much pleased with the trip to the mines.
We have done everything possible.
I am a blind man.
I am seasick.
I am Brazilian consul at Philadelphia.
I have to go aboard the steamer to-morrow at ten o’clock sharp.
I have to write some letters before embarking.
There was a terrible storm the next day.
XXIV IRREGULAR VERBS
(See § 110-113, pages 81-88)
Vocabulary
o azeite, oil o assucar, sugar a carne, meat a batata, potato a garrafa, bottle a lata, tin can a pena, trouble caber, to hold prestar, to lend
Digo que não.
Dou o que tenho.
Dei dinheiro ao cego que pidiu uma esmola.
Creio que a agua não cabe na garrafa.
Faço todo o possivel, mas não posso fazer isto.
Pode vir quando quizer; o que pediu está feito.
Sei que puz o chapeo aqui na mesa; vai busca-lo.
Roupa feita quasi nunca presta.
Não quero saber d’isto; vou pedir minha demissão.
Vejo que não vale a pena ir la hoje.
Trouxeram o que pedi: carne, batatas e uma garrafa de azeite.
Vim pela estrada nova; voltarei pela picada velha.
Fui, irei, ia, fora, indo, vão.
Venho, rio, ouço, peço, redimo, vou, meço, tenho, valho, vejo, trago, quero, sei, ponho, perco, faço, estou, digo, caibo, dou.
Dei, coube, disse, estive, fui, fiz, houve, pude, pus, prouve, quiz, soube, tive, trouxe, vi, ouvi, pedi.
Dize-me com quem andas, dir-te-hei as manhas que tens.
Cada um sabe o que lhe convem.
Vou ver si este assucar cabe naquella lata.
Em terra de cegos quem tem um olho é rei.
Não ha rosa sem espinhos, nem amores sem ciumes.
O amor vae-se, a amisade fica.
Quem tem officio não morre de fome.
XXV VARIABLE PARTICIPLES
(See § 114-118, pages 88-90)
Vocabulary
o convite, invitation o jogo, game o prazer, pleasure o sol, sun o vulcão, volcano a facada, knife cut a machina, machine a palha, straw a roupa, clothes a telha, tile limpo, clean quatro, four torto, crooked acceitar, to accept accender, to set fire, light enxugar, to dry frigir, to fry ganhar, to gain imprimir, to print limpar, to clean matar, to kill pagar, to pay soltar, to loose torcer, to twist
Este é um negocio torto.
As ruas desta cidade estão bem limpas.
As ruas são limpas por uma machina de quatro rodas.
O convite foi acceito com muito prazer.
A roupa foi logo enxugada no sol.
O dinheiro foi ganho no jogo.
O soldado foi morto por uma facada.
A conta ja está paga.
Os cavallos forão soltos pelo camarada.
O livro foi impresso no Rio de Janeiro.
Mande trazer uns ovos fritos.
A nova edição dos Lusiadas foi correcta e dada a luz por Paulino de Souza no anno mil oito centos e setenta e tres.
O relogio tinha dado onze pancadas.
Is the house covered with straw or with tiles?
Do you like eggs fried?
This book was printed in Lisbon.
He was elected federal deputy two years ago.
I was arrested in a village of Alagoas.
The money was spent.
The candle is lit; the account is paid.
XXVI DEFECTIVE VERBS; SUBJECTS OF VERBS
(See § 119, page 91)
Vocabulary
o algodão, cotton o animal, animal o patriota, patriot a felicidade, happiness a cabra, goat a perspectiva, prospect a secca, drought as trevas (pl. only), darkness mortal, pl. mortaes, mortal chegar, to arrive marcar, to mark, set jazer, to lie (down) planter, to plant poder, to be able, can prazer, to please tratar, to care for apenas, merely denso -a, dense outro, other quão, how se, if (sometimes written si)
Nem homem, nem boi, nem cabra pode aguentar a secca.
Tratar animaes, e plantar algodão é o forte deste homem.
Chegou um e outro.
Se a luz que ha em ti são trevas, quão densas são as trevas.
Um e outro chegou no dia marcado.
Aqui jazem os restos mortaes de um patriota.
Praz a Deus.
Aqui jaz o corpo apenas do Marquez de Maricá.
Tanto a vida como a morte offereciam uma perspectiva de felicidade.
Bem diverso era Rosas. As suas paixões flammejavam á luz do sol no pampa vasto. Accessivel, ardente, emprehendedor, cubiçoso de estima, sua influencia começou a se fundar pela energia da sua iniciativa e pelo brilho das suas acções.
So restava para o camareiro o morrer, e para sua senhoria o ir deitar-se.
Deus perdôe a quem me torceu a vocação.
Ir a pé não me convem.
XXVII IMPERSONAL VERBS
(See § 121, pages 93-94)
Vocabulary
o bacalháu, codfish o queijo, cheese o sal, salt a libra, pound a pimenta, pepper bastar, to suffice esterlina, sterling fora, outside frio -a, cold
Fez frio esta noite.
Anoitece; chove; troveja.
Ha quem sabe (or saiba).
Não ha remedio.
Seja como for.
Pode ser que haja.
Não faz mal.
Acconteceu que choveu naquelle dia.
Não convem fazer isto; não me convem.
Não me importa.
Parece que não vale a pena.
É facil saber se é verdade.
Faz muito calor aqui ao sol.
Parece me que é melhor ficar aqui.
Quem me dera que fosse assim.
Não chega a ter vinte libras esterlinas.
Basta um pouco de bacalháu, uns ovos fritos, sal, pimenta e queijo.
Não ha leite para o café.
Custa a crer que não haja vinho; esta agua não chega.
They say that it is cold outside there.
It is raining and blowing.
No matter, let us go take a walk.
It is a week to-day since I had a walk.
It is not necessary.
It is easy to travel by steamer.
There is no help for it.
There is no doubt about it.
It is not worth while.
It rained all night.
It is very hot here in the sun.
No matter; there is no help for it.
That will do.
They say it is raining, but I do not care.
XXVIII OBJECTS OF VERBS; SPECIAL USES
(See § 123-124, pages 96-98)
Vocabulary
o calor, heat o cavallo, horse o ladrão, thief o lobo, the wolf o negociante, merchant o peixe, fish o poeta, poet o tributo, tribute a admiração, admiration a historia, story a patria, native land a rã, frog amar, to love cobrir, to cover contar, to tell, recount enfraquecer, to grow weak engolir, to swallow jantar, to dine pegar, to catch pintar, to paint principiar, to begin sentir, to feel assim, thus, so realmente, genuinely
Um ladrão matou ao negociante.
O peixe engoliu a rã; á rã engoliu o peixe; ao peixe engoliu a rã.
Elle principiou a falar.
Pegáram me o chapeo.
Principiou a cantar.
Acabei de jantar.
Aquelle moço anda a contar historias.
O dono mandou pegar os cavallos.
A casa está coberta de telhas e pintada de branco.
Sintome enfraquecido pelo calor.
Assim cada portuguez que ama realmente a sua patria deve um tributo de reconhecimento e de admiração ao poeta.
Uma febre violenta o sustentava.
Judas abraçou a Christo, mas outros o prenderam.
A guerra que declaramos aos outros nos gasta e consome a nós mesmos.
John visited Sr. Rabello and his wife.
The dog followed the wolf; the wolf followed the dog.
When did you begin to speak Portuguese?
Pedro saw a tiger leave the woods.
XXIX PERIPHRASTIC VERB-PHRASES
(See § 125, pages 98-99)
Vocabulary
o barulho, noise o dinheiro, money o martello, hammer o mato, forest o medico, physician o tempo, time a arma, (fire)arm a cruzada, crusade a legua, league accordar, to wake arrojar, to drag buscar, to fetch corrigir, to correct fazer, to do, make gastar, to spend ler, to read mandar, to order perder, to lose soffrer, to suffer cuidadosamente, carefully
Tenho andado uma legua a pé.
Elle tem feito tudo o possivel.
Elle tem soffrido.
Mande buscar um martello.
É de crer que o tempo ha de mudar-se.
O nosso tio andou perdido no matto.
A conta foi paga pelo medico.
O nosso dinheiro foi gasto na viagem.
Vamos chegando.
Fica sabendo que a coisa ja está feita.
A primeira cruzada tinha arrojado para a Syria cem mil homens d’armas.
O poema foi lido e cuidadosamente corrigido seis vezes.
Deus tinha contado os seus dias.
A lingua tupi foi modernamente estudada por Baptista Caetano.
I have been impressed by his book.
He was awakened by the noise.
We ordered the horses brought.
Our friend is still speaking.
Where did you leave your hat?
I have left it on a chair on deck.
I am doing what they ordered.
I know that I shall not go there to-day.
XXX REFLEXIVE VERBS
(See § 126, pages 99-100)
Vocabulary
o bilhete, ticket o devedor, debtor o engenheiro, engineer o favor, favor o principe, prince o supplicante, petitioner a dôr, pain a rua, street incommodado, put out abrir, to open alugar, to rent calar, to hush chamar, to call comprar, to buy decidir, to decide deitar, to lie down despedir, to take leave morrer, to die queixar, to complain retirar, to retire
Elle está se queixando.
Cala-te, menino.
Vou despedir-me de meus amigos.
Vá-se embora; vá se deitar.
Parece-me que é melhor retirar-se.
Depois elle arrependeu-se.
A casa queimou-se.
Aluga-se uma casa nesta rua.
Achou-se muito incommodado com este negocio.
Não se sabe donde vem.
A porta abriu-se, e o principe appareceu.
Como se chama este cachorro?
Eu me chamo José.
Os bilhetes compram-se nesta casa.
Decidiu-se o caso a favor do supplicante.
Elles morreram acreditando-se os devedores.
Podem se resumir em poucas palavras as medidas propostas pelo sr. engenheiro.
As viagens em boa companhia fazem-se rapidamente.
Go away and do not return again.
The case cannot be decided to-day.
A horse was bought.
It is not known where he lives.
Know that it is I who am speaking.
I ordered breakfast prepared, and immediately afterwards we left.
You may retire; I want to take my leave of the prince.
XXXI IMPERATIVE, SUBJUNCTIVE, INDICATIVE, AND PERSONAL INFINITIVE
(See § 127-133, pages 100-102)
Vocabulary
o caipira, backwoodsman o zelo, zeal a chuva, rain a duvida, doubt a esperança, hope Deus, God amanhã, to-morrow ca, here depressa, quickly embora, away dialogar, to converse permittir, to permit proteger, to protect pugnar, to fight trazer, to fetch vir, to come voltar, to return nenhum -uma, no, none prompto or pronto, ready talvez, perhaps
Não fale tão alto.
Traze o meu chapeo depressa.
Não deve andar na chuva sem guarda-chuva.
Va buscar o livro.
Venha ca, meu filho.
Va-se embora.
Dize-lhe que não venha sinão amanhã.
Quem sabe si elle vai ou si não vai.
Elle vai; não ha duvida nenhuma.
Talvez esteja aqui.
Ficamos contentes por acharmos tudo prompto.
«Não permitta Deus que eu morra sem que eu volte para lá.»
Julio oviu dois caipiras dialogarem sob a janella do seu quarto.
Don’t say that.
Fetch me a glass of water.
Go fetch my hat.
Who knows where it is?
Perhaps it is in the dining-room.
I don’t know whether I shall ever come back again.
No one knows better than I do.
Let’s go.
XXXII ADVERBS
(See § 134-135, pages 103-107)
Vocabulary
a bondade, kindness a palavra, word adiar, to postpone adoecer, to become ill possuir, to possess trovejar, to thunder baixo, low depois, afterward donde, whence logo, at once onde, where positivo, positive senão, except
De vez em quando vi uma luz, mas só de longe.
D’aqui a pouco vou me embora.
Logo depois partiu a cavallo.
Não ha quem possa aguentar essa viagem.
Sim, senhor, creio que sim; não ha duvida.
Elle não diz senão poucas palavras.
Tenha a bondade de falar mais baixo.
Antes de partir elle adoeceu, de modo que foi preciso adiar a viagem uns vinte dias, mais ou menos.
Trovejou de vez em quando.
Venha cá, João; deixe o chapeo ahi na mesa.
Donde vem e para onde vai.
Não possuo no em tanto dado algum positivo a este respeito.
O chão que pisas, a cada instante te offerece a cova. Pisemos de vagar.
Conheço-o por dentro e por fora.
O cavalleiro caiu de chofre na realidade.
He arrived in the night.
I never saw and I never hope to see such an animal.
I know neither the one nor the other.
You speak much better than he.
Please speak lower; please speak louder.
Severino made a trip around Brazil.
There is neither bread nor water.
Nowadays it is better to buy cheap and sell dear.
XXXIII NEGATION AND INTERROGATION
(See § 136-138, pages 107-108)
Vocabulary
o ferro, iron o lapis, pencil o negocio, business o senador, senator o trem, train o volume, volume a bibliotheca, library a botina, boot a estrada, road a população, population a estrada de ferro, railway calçar, to put on (shoes, socks, etc.) crer, to believe conhecer, to be acquainted with comprido, long nacional, national pois não, certainly
Não posso calçar esta botina.
Nem um nem outro chegou neste trem.
Nunca vi aquelle senador.
Queira ter a bondade de passar o pão.
Pois não.
Não tenho nada com este negocio.
Não vou la mais não.
Não conheço nem um nem outro.
Não lhe disse quasi nada.
Não sei não, senhor.
Qual é a estrada de ferro mais comprida do Brasil?
A informação é que não mata a honra de ninguem.
Elle não diz sinão poucas palavras.
Não vivo sinão para ti.
Que é isso?
Não tem nada; não ha novidade.
Qual delles é o melhor?
Whose pencil is this?
I don’t know; I am not acquainted with any one here.
I know nothing about this business.
What is the population of Pernambuco?
Nobody knows.
I never was there; I never saw the place.
Which is the largest and most important city in the country?
Is this your book?
No, sir, it is not.
Where is it then? I do not know.
XXXIV PREPOSITIONS AND CONJUNCTIONS
(See § 139-145, pages 108-114)
Vocabulary
o deputado, deputy o meio, middle o pai, father os pais, parents a baroneza, baroness a bota, boot a camada, layer, bed a carta, letter a confiança, confidence a educação, education a mica, mica a povoação, village a região, region a rocha, rock a seda, silk disseminar, to scatter viajar, to travel apezar, in spite of capaz, capable, likely digno, worthy povoado, peopled (pp. of povoar) responsavel, responsible
O deputado é homem digno de toda a confiança, mas está doente de uma febre.
A serra fica umas vinte leguas distante da villa.
É facil de ver que aquelle cavallo que é cego de um olho é capaz de morrer no meio do caminho.
A baroneza estava vestida de seda preta.
D’aqui a um pouco estamos lá.
Não posso ser responsavel pela educação de seu filho.
Aquella região é povoada pelos indios bravos.
Tenho noticias delle de vez em quando.
Estou muito cansado de maneira que não devo viajar hoje.
Depois que escrevi a carta, montei a cavallo e fui á villa apesar de estar muito doente.
A povoação fica distante d’aqui umas vinte duas leguas ou mais.
It is easy to see that he is likely to run away.
He is at present busy with writing letters.
This young man is still dependent upon his parents.
He is likely to die of hunger.
XXXV ABBREVIATIONS
(See § 147, pages 115-116)
Vocabulary
o barão, baron o bispo, bishop o collega, colleague o cardeal, cardinal o collarinho, collar o criado, servant o director, director o papa, pope o par, pair o sentido, sense, meaning as calças, trousers a camisa, shirt a companhia, company a excellencia, excellency a meia, stocking (abbreviation of meia-calça) a navegação, navigator ignorar, to be ignorant affectuoso, affectionate directamente, directly humilde, humble la, there obrigado, obliged reverendo, reverend São, Saint Santo, Saint
De S. Felix fui directamente a S. Paulo, e de la a Sta. Clara pela E. F.
Illmo. Exmo. Sr. Dr. Ant° José dos Santos Pinheiro, M. D. Director da Cⁱᵃ de Navegação.
De V. Exᵃ, Amᵒ e crᵈᵒ obdᵒ.
Exᵐᵒ e Revᵐᵒ Sr. D. Antonio de Macedo Costa, Digᵐᵒ Bispo do Pará.
Collega, amᵒ affᵒ e humᵉ servo em J. C.
Illᵐᵒ e Exᵐᵒ Snr., V. Exᵃ não ignora que em 8bro. p.p. veio a Roma o Snr. Barão de Penedo.
Deus guarde a V. Exᵃ.
Falle V. Sᵃ ao Papa e ao Cardeal A. n’este sentido.
A S. M. I., D. Pedro II., O. D. C. o autor.
No caso que V. S. esteja com fome.
Não tenho nada que não esteja ás ordens de V. Exᵃ.
XXXVI SIMILARITY OF WORDS
(See § 145, page 113)
For vocabulary see pages 117-118.
Como fosse notorio e vulgar o amor de Alvaro a Leonor —.
Elle foi nomeado director do collegio.
Esta casa é muito ordinaria, e tem as janellas estreitas.
O pai delle é meu parente.
Pinheiro tirou a sorte grande na loteria do estado.
O alumno assistiu ao espectaculo no dia seguinte.
Ascenda a luz e arme minha rede ahi perto da mesa.
Quero partir ás quatro horas de madrugada.
O artista vendeu as acções conforme o regimento da companhia.
Fiquei admirado e desapontado com este negocio.
Estamos apreciando a musica.
Nossa petição foi deferida pelo ministro.
Durou o espectaculo a noite inteira.
Apanhei uma constipação no sereno.
Tirou uma photographia do gado demandando Goyaz.
O parente delle acordou tarde.
O caso não é de minha competencia.
A casa real de Portugal.
Partiu de madrugada pelo vapor á hora marcada.
Fica combinado que reuniremos nesta casa particular.
Correu a fama a contar os successos pelas mil boccas da defamação.
FOOTNOTES:
XXXVII EXAMPLES OF STYLE
The following are examples of the styles of several of the best writers of Portuguese.
The literary form of the Portuguese of the Bible differs in some essential respects from the language used in every-day life just as it does in English. The following from a late translation of the New Testament will serve as an example.
THE NEW TESTAMENT
«Os Santos Evangelhos e o livro dos actos dos Apostolos, Versão fiel do original Grego» [Rio de Janeiro, 1907] S. Matheus, vi. 1-23. Matthew, vi. 1-23.
«Guardae-vos de fazer as vossas boas obras deante dos homens, para serdes vistos por elles; de outra sorte não tendes recompensa junto de vosso Pae que está nos céos.
Quando, pois, deres esmola, não faças tocar a trombeta deante de ti, como fazem os hypocritas nas synagogas e nas ruas, para serem honrados dos homens; em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu porém, quando deres esmolas, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pae que vê em secreto, te retribuirá.
Quando orardes, não sejaes como os hypocritas; porque elles gostam de orar em pé nas synagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos dos homens; em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, ora a teu Pae que está em secreto; e teu Pae que vê em secreto, te retribuirá. Quando orares, não useis de repetições desnecessarias como os Gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não sejaes, pois, como elles; porque vosso Pae sabe o que vos é necessario antes que lh’o peçaes. Orae, portanto, deste mode:
Pae nosso que estás nos céos; sanctificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céo. O pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós tambem perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixes cahir em tentação, mas livra-nos do mal.
Porque se perdoardes aos homens as suas offensas, tembem vosso Pae celestial vos perdoará; mas se não perdoardes aos homens, tão pouco vosso Pae perdoará, as vossas offensas.
Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hypocritas; porque elles desfiguram os seus rostos para fazer ver aos homens que elles estão jejuando; em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto para não mostrar aos homens que jejuas, mas sómente a teu Pae que está em secreto; e teu Pae que vê em secreto, te retribuirá.
Não ajunteis para vós thesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões penetram e roubam; mas ajuntae para vós thesouros no céo, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não penetram nem roubam; porque onde estiver o teu thesouro, ahi estará tambem o teu coração. Os olhos são a luz do corpo. Se elles, pois forem simples, todo o corpo será luminoso; mas se forem maus, todo o teu corpo ficará ás escuras. Se, portanto, a luz que ha em ti, são trevas; quão densas são as trevas!»
XXXVIII
Alexandre Herculano (1810-1877) is a distinguished Portuguese poet, historian, and novelist. The first edition of his classic “Historia de Portugal” was published in 1846. The following extracts are from the 6th edition of that work printed at Lisbon in 1901.
(The First Crusade. Vol. I, p. 199.)
«Um grande acontecimento, cujas consequencias foram immensas para o progresso da civilisação, preoccupava por esse tempo os animos em toda a Europa e em grande parte da Asia. A primaeira cruzada, promovida pelo eremita Pedro e pelas eloquentes palavras de Urbano II no concilio de Clermont, tinha arrojado para a Syria cem mil homens d’armas seguidos de uma turba innumeravel de individuos de todas as condições e de ambos os sexos. Depois de longa viagem, em que a miseria, os vicios, as doenças e a guerra reduziram a bem pequeno numero essa multidão desordenada, Jerusalem caira nas mãos dos cruzados, e os guerreiros que não se tinham armado para a conquista dos lugares sanctos puderam ir ainda, após os mais fervorosos, ajudar a defender a monarchia christan[67] fundada na Palestina e ganhar ahi a gloria e a opulencia ou a remissão de passados crimes, remissão que a igreja concedia com mão larga aos que, pondo sobre o hombro esquerdo a cruz vermelha, se votavam á trabalhosa e arriscada peregrinação do ultramar. Seis annos depois da primeira invasão, em 1101, uma segunda cruzada partiu para o oriente, cujos successos desastrados não impediram que novos peregrinos se fossem precipitar naquelle vasto sorvedouro de quantos homens de fé viva tinha a Europa e tambem de quantas fézes de corrupção, cubiça e ferocidade havia nella. Para as almas crentes ou devoradas de remorsos a Syria era a piscina da rehabilitação moral: para os ambiciosos e devassos fonte inexgotavel de fortuna e de deleites. As paixões boas e más ligavam-se num pensamento unico—o demandar o oriente; porque tanto a vida como a morte offereciam ao que partia uma perspectiva de felicidade.»
(The Moors of Spain and Portugal in the twelfth century. Vol. I, 349-350.)
«Os mahommetanos da Peninsula offerecem-nos pelo meiado do século XII mais um desses exemplos, ao mesmo tempo terriveis e salutares, de que abunda a historia. Naquelle país, seja qual fôr o seu gráu de civilização e poderio, onde fallece o amor da patria, onde os vicios mais hediondos vivem á luz do sol, onde a todas as ambições é licito pretender e esperar tudo, onde a lei, atirada para o charco das ruas pelo pé desdenhoso dos grandes, vai lá servir de joguete ás multidões desenfreiadas, onde a liberdade do homem, a magestade dos principes e as virtudes da familia se converteram em tres grandes mentiras, ha ahi uma nação que vai morrer. A Providencia, que o previu, suscita então outro povo que venha envolver aquelle cadáver no sudario dos mortos. Pobre, grosseiro, não numeroso, que importa isso? Para pregar as taboas de um ataúde qualquer pequena força basta.»
(The death of Affonso I of Portugal. Vol. I, 463-464.)
«No longo crepusculo de velhice aborrida e enferma, o coração do valente Affonso I ainda pôde dilatar-se pela ultima vez nos contentamentos de uma grande victoria. A sua boa espada repousava havia muito na bainha juncto do seu leito de dôr; mas consolá-lo-hia a certeza de que deixava um filho digno delle no esforço, e uma nação cheia de energia e de esperança, a qual lhe devia quasi inteiramente a sua vida politica. A resistencia invencivel que as forças de terra e de mar do imperio mussulmano tinham encontrado em Portugal provava-lhe que o povo educado por elle passara em curtos annos de debil infancia a juventude robusta. O edeficio da independencia nacional, desenhado pelo conde Henrique, cimentado por D. Theresa e realisado de todo o ponto por elle, achava-se, emfim, concluido com a segurança necessaria para resistir á destruidora acção dos séculos . . .
O ultimo anno da vida de Affonso I passou sem que a historia tivesse nada que mencionar acerca deste principe. O guerreiro como que já dormitava no somno da morte, que em breve devia cerrar-lhe perpetuamente as pálpebras. Apenas alguns documentos dessa épocha nos mostram que nos seus derradeiros dias não abandonou de todo o leme do estado, ao passo que se mostrava ainda liberal para a igreja, com quem sempre repartira largamente os fructos das suas conquistas. Veio, enfim, a fallecer a 6 de dezembro de 1185 depois de governar este pais com os titulos d’infante e de principe doze annos e com o de rei quarenta e cinco. Ordenara elle que o enterrassem no mosteiro de Sancta Cruz de Coimbra, onde jaziam tambem as cinzas de sua esposa D. Mafalda. Ahi, de feito, descansou finalmente aquelle corpo gasto de tantas lidas em sepultura modesta, conforme permittia a rudeza dos tempos, até que elrei D. Manuel lhe alevantou o rico mausoléo em que ainda hoje se guardam os ossos do fundador da monarchia.»
XXXIX
Almeida Garrett (João Baptista da Silva Leitão, Visconde d’ Almeida, 1799-1854) the most popular poet of Portugal published some twenty-seven volumes of poems, plays, history, etc.
The following extract is from a poem entitled “Camões,” canto V, stanza XI. The first edition of this poem appeared in 1825.
CINTRA
«Oh Cintra! oh saudosissimo retiro, Onde se esquecem mágoas, onde folga De se olvidar no seio á natureza Pensamentos que imbala adormecedo O sussurro das folhas, c’o murmurio Das despenhadas lymphas misturado! Quem, descansando á fresca sombra tua, Sonhou senão venturas? Quem, sentado No musgo de tuas rocas escarpadas, Espairecendo os olhos satisfeitos Por céos, por mares, por montanhas, prados, Por quanto ha hi[68] mais bello no universo, Não sentiu arrobar-se-lhe a existencia, Poisar-lhe o coração suavamente Sobre esquecidas penas, amarguras, Ancias, lavor da vida?—Oh grutas frias, Oh gemedoras fontes, oh suspiros De namoradas selvas, brandas veigas, Verdes outeiros, gigantescas serras! Não vos verei eu mais, delicias d’alma? Troncos onde eu cortei queridos nomes D’amisade e de amor, não hei de um dia Perguntar-vos por elles? Soletrando Não irei pelas arvores crescidas Os caracteres que, em tenrinhas plantas, Pelas verdes cortiças lh’entalhára! Oh! se inda[69] eu vos verei! . . .»
XL
Joaquim Nabuco (born in the province of Pernambuco, Brazil, in 1847; died at Washington January 17, 1910) was one of the ablest and best-known of Brazilian statesmen, diplomats, and writers.
The following extract from “Minha Formação,” Paris, 1900, pages 223-225, is a good example of his writing, and at the same time throws light upon his character and upon his career as the leader of the antislavery movement in Brazil.
«Tornei a visitar doze annos depois a capellinha de S. Matheus onde minha madrinha, Dona Anna Rosa Falcão de Carvalho, jaz na parede ao lado do altar, e pela pequena sacristia abandonada penetrei no cercado onde eram enterrados os escravos . . . Cruzes, que talvez não existam mais, sobre montes de pedras escondidas pelas ortigas, era tudo quasi que restava da opulenta fabrica, como se chamava o quadro da escravatura . . . Em baixo, na planicie, brilhavam como outr’ora as manchas verdes dos grandes cannaviaes, mas a usina agora fumegava e assobiava com um vapor agudo, annunciando uma vida nova. A almanjarra[70] desapparecera no passado. O trabalho livre tinha tomado o logar em grande parte do trabalho escravo. O engenho apresentava do lado do «porto» o aspecto de uma colonia; da casa velha não ficára vestigio . . . O sacrificio dos pobres negros que haviam incorporado as suas vidas ão futuro d’aquella propriedade, não existia mais talvez senão na minha lembrança . . . Debaixo dos meus pés estava tudo o que restava d’elles, defronte dos columbaria onde dormiam na estreita capella aquelles que elles haviam amado e livremente servido. Sosinho alli, invoquei todas as minhas reminiscencias, chamei-os a muitos pelos nomes, aspirei no ar carregado de aromas agrestes, que entretem a vegetação sobre suas covas, o sopro que lhes dilatava o coração e lhes inspirava a sua alegria perpetua. Foi assim que o problema moral da escravidão se desenhou pela primeira vez aos meus olhos em sua nitidez perfeita e com sua solução obrigatoria. Não só esses escravos não se tinham queixado de sua senhora, como a tinham até o fim abençoado . . . A gratidão estava do lado de quem dava. Elles morreram acreditando-se os devedores . . . seu carinho não teria deixado germinar a mais leve suspeita de que o senhor pudesse ter uma obrigação para com elles, que lhe pertenciam . . . Deus conservára alli o coração do escravo, como o do animal fiel, longe do contacto com tudo que o pudesse revoltar contra a sua dedicação. Esse perdão espontaneo da divida do senhor pelos escravos figurou-se-me a amnistia para os paizes que cresceram pela escravidão, o meio de escaparem a um dos peiores taliões da historia . . . Oh! os Santos pretos! seriam elles os intercessores pela nossa infeliz terra, que regaram com seu sangue, mas abençoaram com seu amor! Eram essas as idéas que me vinham entre aquelles tumulos, para mim, todos elles, sagrados, e então alli mesmo, aos vinte annos, formei a resolução de votar a minha vida, si assim me fosse dado, ao serviço da raça generosa entre todas que a desegualdade da sua condição enternecia em vez de azedar e que por sua doçura no soffrimento emprestava até mesmo á oppressão de que era victima um reflexo de bondade . . .»
XLI
Julia Lopes d’ Almeida, native of the province of S. Paulo, Brazil, is the authoress of many romances and other writings. She has a charming straightforwardness and simplicity of style. She is the one writer who has had the artistic insight to appreciate, and the courage to set down in its true form, the language of the caipiras and of the old slaves. The following brief example taken from “A Familia Medeiros” 2a ed. S. Paulo 1894, 261-265, will give an idea of the character of the patois of the interior of S. Paulo. The correct words inserted in brackets do not, of course, appear in the original.
«Eram seis horas da manhã quando Octavio, accordando, ouvio dois caipiras dialogarem sob a janella do seu quarto. Dizia um:
—Seu [Senhor] Romão já disse qui o mais fólte di nois tudo [forte de nos todos] é o Braz . . .
—Tché![71] na terra! o mais fólte di nois tudo [forte de nos todos] sou eu!
—Seu Zé [Senhor José] Riba mandou chamá [chamar] um capanga di [de] fora, um tá Furctuoso! [tal Fructuoso]
—Eh! sae cinza!
—Os [o] coitado . . .
—Quê [probably for quem é] coitado?
—Da gente do dotô . . . [doutor]
—Foi nho [Senhor] Triguero que mandou chamá [chamar] mecê [vossa mercê]?
—Não foi não; eu vim trazê [trazer] um recado de nhô [Senhor] Juca, pro [para] móde [modo] elle í [ir] lá combiná [combinar] as [a] coisa; o diabo é que fica talde [tarde] e eu perciso [preciso] i mi [ir me] embora.
—Mecê [vossa mercê] foi convidado pra [para a] festa?
—Fui.
—Quem foi que convidou mecê? [vossa mercê]
—Nhô [Senhor] Carro [Carlos] de Lima, mais [mas] não vou não!
—Uê! Isso é o mesmo que pinchá [pinchar] dinheiro fóra!
—É . . . mais [mas] não vou. Eu quando vejo sangue fico tão patife [for covarde] que até chego a sê [ser] vil!
Ouvindo o nome de Fructuoso ligado áquellas palavras mysteriosas, Octavio ergueu-se e abriu a janella, mas já os dois caipiras se tinham afastado; um d’elles conversava com o Trigueirinhos, que o ouvia de rosto carregado; o outro desapparecia na porta do pateo com um feixe de palmitos ao hombro.
Estavam assim, quando ouviram o rodar de um troly;[72] chegavam os Francos. Noemia estremeceu e approximou-se instinctivamente da mãe, como a pedir-lhe misericordia e apoio.
Momentos depois, entravam na sala o coronel Cerqueira Franco e o filho.
O coronel era um velho robusto, alto, corpulento, de barba farta a encobrir-lhe todo o peito, andar pesado e grandes mãos cabelludas. O filho, egualmente alto e forte, tinha o aspecto agradavel, o olhar sereno, um sorriso bondoso e feliz de creança posto nos grossos labios de um homem.
O commendador apresentou-o a Noemia, dizendo-lhe:
—Esta é que é vossa noiva!
Elle corou; ella, sem levantar os olhos, extendeu-lhe a mão, gelada e tremula.
Houve um instante de silencio, que o coronel Cerqueira Franco se apressou em cortar fallando num tom alto, com certa intimidade e alegria.
Voltando-se para o filho exclamou:
—Você tem uma noiva muito bonita; carece agora de tratal-a bem, ouviu? bonita e . . . commoda! porque é tão delicada que ha de ser por força muito leviana! [leve] cabe num canto do bolso de Julio!
Pouco depois, uma mucama chamou para o almoço.
Enchendo o seu prato de quiréra [milho pizado] e lombo de porco, o coronel Franco proseguia:
—D. Nicota, a senhora descurpe [desculpe] a franqueza! mas quando eu passei na cachoeira de Pirassununga, hontem de talde [tarde], tavam [estavam] caçando peixe [pescando], então apeguei de trazê [trazer] um dourado pra [para] sua ceia . . .» E dirigindo-se immediatamente ao Trigueirinhos:
—«Seu tio é bem bom . . . eu já pousei aqui na visinhança uma noite, em casa do . . . de um chimbéva[73] moreno. . . .»
—«O Prates?»
—«Isso! . . . não me alembrava [lembrava] o nome, era casado com uma moça da Limeira . . . oh! que mulher fogueta!»
Os outros riram-se; elle continuou:
—Estou ficando com os pés fria [frios]! acho que é porque a varanda é de tijolo! Trigueirinhos? vocês não aquentam fogo, não?
—Que sim, responderam. De vez em quando, no inverno, faziam fogo na sala de jantar, entre as redes; agora porem, em fevereiro, nem se lembravam d’isso!
O coronel Franco proseguiu fallando sempre, ora das suas propriedades em diversos locaes da provincia, ora do casamento do filho, etc. . . . Á sobremesa disse ter ouvido de dois passageiros, no trem, grandes injurias ás auctoridades de Casa Branca, e tambem que haveria nessa cidade uma revolução de escarvos! isso é que era o diabo! Deveria dar credito a semelhante boato? indagava elle, mastigando com a completa dentadura postiça o doce de abobora moranga, servido ás talhadas.
XLII
Antonio Gonçalves Dias (1824-1864) was a native of the province of Maranhão in Brazil, and was educated at the University of Coimbra in Portugal. He is the most popular of the Brazilian poets. Every Brazilian knows by heart his beautiful “canção do exilo” written at Coimbra in 1843.
CANÇÃO DO EXILO
Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá;[74] As aves, que aqui gorgeião, Não gorgeião como lá. Nosso céo tem mais estrellas, Nossas varzeas tem mais flores, Nossos bosques tem mais vida, Nossa vida mais amores. Em scismar, sósinho, á noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que taes não encontro eu cá; Em scismar—sósinho, á noite— Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permitta Deos que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfructe os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.
XLIII
The Marquez de Maricá (1773-1848) one of the illustrious statesmen and litterateurs of Brazil was especially noted for his maxims, examples of which are given here.
MAXIMAS, PENSAMENTOS, E REFLEXÕES
Ninguem considera a sua ventura superior ao seu merito, mas todos se queixão das injustiças dos homens e da fortuna.
A modestia doura os talentos, a vaidade os deslustra.
Os abusos, como os dentes, nunca se arrancão sem dôres.
Quando o povo não acredita na probidade, a immoralidade é geral.
O moço devasso póde emendar-se, o velho vicioso he incorrigivel.
Os mais arrojados em fallar são ordinariamente os menos profundos em saber.
A virtude resistindo se reforça.
A virtude he communicavel, mas o vicio contagioso.
Os governos fracos fazem fortes os ambiciosos e insurgentes.
Ninguem duvida tanto como aquelle que mais sabe.
A bravura é taciturna, mas a cobardia garrulenta.
Ninguem é grande homem em tudo e em todo o tempo.
Não é dado ao saber humano conhecer toda a extensão da sua ignorancia.
Os medicos accusão a natureza, os enfermos aos medicos.
Muita sciencia occasiona muita incerteza.
Nenhum governo é bom para os homens máos.
Soffrei privações na mocidade, e sereis regalados na velhice.
Queixamo-nos da fortuna para desculpar a nossa preguiça.
O odio e a guerra que declaramos aos outros nos gasta e consome a nós mesmos.
Velhos ha que bem merecem ser comparados aos volcões extinctos.
Os bons exemplos dos pais são as melhores lições e a melhor herança para os filhos.
A importunidade é algumas vezes mais feliz que o merecimento.
A liberdade é a que nos constitue entes moraes bons ou máos: é hum grande bem para quem tem juizo; e para quem o não tem, um mal gravissimo.
Não ha cousa mais facil que vencer os outros homens, nem mais difficil que vencer-nos a nós mesmos.
Entre as paixões humanas a ambição tem tanto de nobre como a avareza de ignobil.
Os nossos maiores inimigos existem dentro de nós mesmos: são os nossos erros, vicios e paixões.
Em algumas revoluções o jogo continúa como dantes, á excepção do barulho e jogadores que são novos.
As revoluções politicas, quando não melhorão, deteriorão, necessariamente a sorte das nações.
As nações, como as pessoas, aprendem errando e soffrendo.
Não ha escravidão peior que a dos vicios e paixões.
Huma revolução feliz justifica os maiores crimes e os eleva á cathegoria de virtudes.
Deve-se usar da liberdade, como de vinho, com moderação e sobriedade.
A plena liberdade é como a pedra philosophal, procurada por muitos e por nenhum descoberta.
Ninguem é tão prudente em dispender o seu dinheiro como aquelle que melhor conhece as difficuldades de o ganhar honradamente.
A força sem intelligencia é como o movimento sem direcção.
Não se apaga o fogo com resinas, nem a colera com más palavras.
Os ignorantes exagerão sempre mais que os intelligentes.
Os prazeres, como as rosas, estão bordados de espinhos; colhêlos sem ferir-se é o requinte da prudencia e habilidade humana.
Os pobres declamão contra a riqueza para se consolarem ou se justificarem de não serem ricos.
A melhor entidade da terra é huma boa mulher, a peior a que é má.
A desconfiança é o tormento dos velhos, receião-se de todos e de tudo.
A morte salda muitas contas que a vida não pode ajustar.
A melhor companhia acha-se em huma escolhida livraria.
Huma boa letra não annuncia vasta intelligencia, nem huma eloquencia brilhante profunda sapiencia.
A ignorancia é mãe da superstição e fanatismo.
A gente moça não sabe apreciar os bens do que goza, nem avaliar os males que não padece.
Os que sabem menos são ordinariamente os que fallão mais.
Sem philosophia não ha sabedoria: quem não é philosopho não póde ser sabio.
Todos se accusão ou se queixão de pouco dinheiro, nenhum de pouco juizo.
A litteratura ingleza deve servir de antidoto á franceza: esta vicia, aquella moralisa os seus cultores.
A vaidade e um elemento muito importante da felicidade humana.
MEU EPITAPHIO
Aqui jaz o corpo apenas Do marquez de Maricá: Quem quizer saber-lhe da alma, Nos seus livros a achará.
XLIV
Luis de Camões (born at Lisbon in 1524, died in 1579) was the greatest literary genius ever produced by Portugal. His “Lusiádas” is the most celebrated poem in the Portuguese language. It is an epic, and treats of the discovery of India by the early Portuguese navigators.
The extracts that follow are from the first Canto of the “Lusiádas.” In verses VI to XVIII of the first Canto the poet addresses himself to Dom Sebastião who was king of Portugal from 1557 to 1578. At XIX the ships are under sail, and at XX Jupiter calls together the gods to decide the fate of the enterprise.
CANTO PRIMEIRO
VI
E vós, ó bem nascida segurança Da Lusitana[75] antigua liberdade, E não menos certissima esperança De augmento da pequena Christandade: Vós, ó novo temor da Maura lança, Maravilha fatal[76] da nossa idade; Dada ao mundo por Deos, que todo o mande, Para do mundo a Deos dar parte grande:
VII
Vós, tenro e novo ramo florecente De huma arvore de Christo mais amada Que nenhuma nascida no Occidente, Cesárea, ou Christianissima chamada: Vêde-o no vosso escudo, que presente Vos amostra a victoria já passada; Na qual vos deo por armas, e deixou As que elle para si na Cruz tomou:
VIII
Vós, poderoso Rei, cujo alto imperio O Sol logo em nascendo vê primeiro; Vê-o tambem no meio do hemispherio; E quando desce, o deixa derradeiro: Vós, que esperâmos jugo, e vituperio Do torpe Ismaelita cavalleiro, Do Turco oriental, e do Gentio Que inda[77] bebe o licor[78] do sancto[79] rio.
IX
Inclinai por hum pouco a magestade, Que nesse tenro gesto vos contemplo; Que já se mostra qual na inteira idade, Quando subindo ireis ao eterno templo. Os olhos da Real benignidade Ponde no chão: vereis hum novo exemplo De amor dos patrios feitos valerosos, Em versos divulgado numerosos.
XIX
Já no largo Oceano navegavam, As inquietas ondas apartando; Os ventos brandamente respiravam, Das náos as velas concavas inchando: Da branca escuma os mares se mostravam Cobertos, onde as proas vão cortando As maritimas aguas consagradas, Que do gado de Proteo são cortadas.
XX
Quando os deoses[80] no Olympo luminoso, Onde o governo está da humana gente, Se ajuntam em concilio glorioso Sobre as cousas futuras do Oriente: Pisando o crystallino céo formoso, Vem pela via Lactea juntamente, Convocados da parte do Tonante[81] Pelo neto gentil do velho Atlante.