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Um contemporaneo do Infante D. Henrique

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A sua inclusão na lenda dos Doze explica-se,{144} decerto, por ter sido um dos mais famosos cavalleiros portuguezes do seu tempo.

Sobretudo, as suas viagens e a sua morte em Alfarrobeira, que tanta impressão causou pelas circumstancias cavalheirescas que a revestiram, despertariam, na imaginação popular, o sentimento do maravilhoso. D'aqui talvez o associarem-n'o á lenda.

Mas Alvaro Vaz de Almada não precisa d'essa gloria, aliás duvidosa, porque sobeja gloria lhe adveio dos seus brilhantes feitos e singulares aventuras.

Na Chronica de Monstrelet falla-se de um combate que, no anno de 1414, houve em França entre tres cavalleiros portuguezes e tres gascões: sendo o pretexto o amor das damas, comquanto o verdadeiro mobil fosse o odio que existia entre os francezes e os inglezes, de que os portuguezes eram então alliados.{145}

Os portuguezes foram D. Alvares, D. João e D. Pedro Gonçalves[78]; e os gascões François de Grignols, Archambaud de la Roque e Maurignon.

O combate ter-se-ia realisado em Saint-Ouen, na presença do rei: Os portuguezes portaram-se com bravura, mas foram vencidos. Pudera! ou a versão não fosse franceza...

Desculpe, meu caro snr. Lugan. O orgulho das nações chega a ser uma cousa respeitavel.

Para fazer justiça ao valor dos seis campeões, foram passeiados, todos, pelas ruas de Paris, em triumpho, ao som de trombetas e acclamações enthusiasticas.

Ora estes tres nomes, mudado Alvares para Alvaro, correspondem justamente aos{146} dos tres cavalleiros da familia Almada: o pai e os dous filhos.

E o appellido de Gonçalves poderá talvez explicar-se por confusão com o do Magriço, que, como sabemos, se chamava Alvaro Gonçalves (Coutinho).

Vimos como Alvaro Vaz de Almada fôra com seu pai a Inglaterra levantar armas para a guerra de Ceuta. Naturalmente tambem iria Pedro de Almada. O pai estava na côrte de Henrique V em setembro de 1414, como consta do Quadro diplomatico, e Alvaro ainda alli estava em Janeiro de 1415.

A commissão requeria brevidade, porque D. João I queria partir para Ceuta, e não me parece provavel que a familia Almada se demorasse então em França a combater gascões.

Mas é possivel.

O que é provavel é que Alvaro Vaz de Almada, e seu pai, e seu irmão, na Inglaterra,{147} na França ou mesmo na Allemanha, onde Alvaro Vaz se encontraria mais tarde com o infante D. Pedro, praticassem, collectiva ou individualmente, algum feito galante em honra das damas, tomassem parte em qualquer dos torneios cavalheirescos, que eram n'aquella época frequentes.

Após o combate entre os tres portuguezes e os tres gascões, houve um duello entre outro portuguez e um cavalleiro bretão, de appellido La Haye, na presença de Carlos VI.

«Foram, diz Vulson de la Colombière, por ordem do rei igualmente honrados, comquanto se diga que La Haye obteve vantagem».

Reiffenberg dá noticia de que D. João I convidára muitos cavalleiros francezes para um torneio em Lisboa[79].{148}

Era este o requinte da galanteria militar da época. Portanto Alvaro Vaz ou qualquer dos outros cavalleiros da sua familia bem poderiam ter praticado semelhantes proezas no estrangeiro, de 1414 a 1415, ou depois da tomada de Ceuta, quando se viram obrigados a emigrar.

Infelizmente, não posso precisar quaes fossem esses feitos cavalheirescos praticados por elle ou pelos seus.

Camões, na sequencia do episodio dos Doze, refere-se ao duello que o Magriço teve com um francez, e ao desafio que um outro dos cavalleiros portuguezes tivera na Allemanha.

O cavalleiro francez morto, no campo, pelo Magriço foi, segundo a tradição, mr. De Lansay.

O duello do outro portuguez com o allemão:{149}

Outro tambem dos doze em Allemanha Se lança, e teve um fero desafio C'um germano enganoso, que com manha Não devida, o quiz pôr no extremo fio;

bem podia ser vaga recordação de alguma façanha de Alvaro Vaz quando combateu pelo imperador Sigismundo, embora essa façanha nenhuma relação tivesse com a lenda dos Doze. Mas, no poema, quando Velloso está n'este lance da narrativa, o mestre de bordo toca o apito, a manobra começa, as conversações na tolda interrompem-se.

Camões conta que Magriço não recolhera logo depois do torneio:

Mas dizem que comtudo o grão Magriço Desejoso de vêr as cousas grandes, Lá se deixou ficar, onde um serviço Notavel á Condessa fez de Frandes.

E Mariz, nos Dialogos, diz que tambem ficaram no estrangeiro, além de Magriço,{150} mais dous, «fazendo taes obras em armas, que um d'elles alcançou de el-rei de França o condado de Abranches em França, pelas obras que em seu serviço fizera», e que este veio depois a morrer em Alfarrobeira.

Ora não foi o rei de França, mas o de Inglaterra, como já está dito, que deu o condado de Avranches a Alvaro Vaz de Almada. E, dizendo a lenda que o torneio dos Doze se realisou em vida do duque de Lancaster, não podia Alvaro Vaz tomar parte n'elle, por não ser ainda nascido ou por estar ainda na primeira infancia.

Em conclusão, meu caro snr. Lugan:

Na formação das lendas, a imaginação popular não olha a anachronismos. Alvaro Vaz foi um cavalleiro famoso por seus feitos d'armas, pelo seu grande valor; combateu ao serviço de Inglaterra e em Inglaterra foi mais tarde agraciado: a{151} lenda cavalheiresca dos Doze envolveu-o portanto nos seus magicos véos, para nos servirmos de uma expressão de Pinheiro Chagas, sem attender á chronologia. Tambem em torno do infante D. Pedro se fórma a lenda das sete partidas, originada nas suas viagens. A imaginação popular não podia deixar de envolver no maravilhoso das tradições nacionaes estes Castor e Pollux do seculo XV, tão unidos moralmente, tão consubstanciados, na vida e na morte, por um estreito laço de relação historica.

* * *

Seria longo trabalho enumerar as menções e referencias que de Alvaro Vaz de Almada fazem tanto os escriptores portuguezes,{152} como os estrangeiros que se têm occupado em estudar a historia do nosso paiz.

D'estes, alguns, Ferdinand Denis á frente, lamentam que tão pouco se saiba da vida do conde de Avranches. Um d'elles, que é dos que melhor conhecem a litteratura portugueza, mr. Francisque Michel, chega a escrever: «Nous ne savons rien de sa vie».

Quanto aos escriptores nacionaes, não quero, comtudo, deixar de citar Gomes Eanes de Azurara, porque escrevia em circumstancias verdadeiramente embaraçosas para elle. Azurara fôra encarregado por D. Affonso V de escrever a Chronica do descobrimento e conquista de Guiné. Por D. Affonso V, note-se, por D. Affonso V, que moveu o seu exercito contra o infante D. Pedro, e que tão severo se mostrou com todos os que combateram em Alfarrobeira ao lado do infante.{153}

Azurara acabou de escrever a sua Chronica em fevereiro de 1453, isto é, menos de quatro annos depois do deploravel acontecimento, quando ainda não estavam de todo apagadas as paixões politicas que lhe deram origem.

Pois, não obstante estas difficeis circumstancias em que se via collocado, Azurara, com louvavel hombridade, faz esta referencia a D. Alvaro Vaz de Almada:

«... batalha da Alfarrobeira, naqual o dicto iffante foe morto e o conde Dabranxes que era com elle, e toda sua hoste desbaratada, onde, se o meu entender pera esto abasta, justamente posso dizer, que lealdades dos homees de todollos segres (seculos) forom nada em comparaçom da sua. E postoque o serviço nom seja tamanho, quanto ao trabalho, segundo os que já disse, certamente as circonstancias lhe dam splandor e grandeza sobre todollos{154} outros, cuja perfeita declaraçom remeto aa estorea geeral dos feitos do regno»[80].

D. Affonso V leu isto, que foi escripto na sua propria casa—acabousse esta obra na livrarya que este Rey dom Affonso fez em Lixboa—e sentiu, porventura, passar ainda por diante dos olhos o vulto d'esse cavalleiro fascinante, que elle quiz por força vêr quando D. Alvaro ia caminho da Ameeira, e que tamanha influencia exercia no seu juvenil espirito, que os inimigos do infante D. Pedro, quando o conde de Avranches regressou de Ceuta pela segunda vez, julgaram conveniente a seus fins levar o rei para Cintra, de modo a evitar nova entrevista.

Affonso V leu isto, e certamente lhe pesou na alma o remorso de ter cedido ás perfidas suggestões dos inimigos do infante.{155}

As palavras que Azurara havia escripto, ficaram. O rei não as cancellou. O espirito de Affonso V fez justiça ao chronista e ao conde, conservando-as.

* * *

Tal era o homem, o heroe.

Elle bastaria por si só a caracterisar uma época, o occaso da idade-média em Portugal, se, a dous passos de distancia, os descobrimentos maritimos, promovidos pelo infante D. Henrique, não tivessem vindo relegar para o segundo plano do vasto quadro da civilisação universal todos os outros factos, e todos os vultos humanos que não collaboraram directamente n'essa colossal epopêa das aventuras maritimas.

Alvaro Vaz de Almada é até certo ponto prejudicado pelo esplendor de uma{156} época gloriosissima, que marca o inicio dos tempos modernos. Eramos então tão felizes que sobejavam heroes, heroes de uma raça unica, inexcedivel, para todos os generos de celebridade. Mas a grandeza do vulto do conde de Avranches, podendo medir-se pela bitola dos maiores e melhores cavalleiros do cyclo medieval, tanto se abalisou nas tradições da Europa cavalheiresca, que não ficou de todo offuscada pelo esplendor da sua propria época.

Quando quizermos recordar o periodo aureo em que o espirito aventuroso dos portuguezes investia com as lendas tenebrosas do oceano, para rasgal-as com a prôa das caravellas descobridoras, e affrontava os perigos das explorações terrestres por sertões inhospitos, teremos que figurar na nossa imaginação o vulto do infante D. Henrique, de pé sobre o promontorio de Sagres, dominando o mar, que se lhe quebrava aos pés humilde como um{157} leão vencido, e que, no seu eterno refluxo, ia levar a longinquas plagas o prestigio do nome portuguez.

Mas quando quizermos figurar a agonia extrema da cavallaria portugueza, quando quizermos procurar a chave de ouro que fechou, n'esta região do occidente, o periodo do valor militar, das aventuras galantes, da coragem no soffrimento, da dedicação na amizade, da abnegação na existencia e da heroicidade na morte, teremos que figurar o conde de Avranches, brandindo primeiro a lança, floreando depois a espada, no campo de Alfarrobeira, onde o infante D. Pedro era já cadaver, até que, extenuado, sentindo exhalar-se o derradeiro alento, cae sobre a terra da patria, offerecendo aos golpes dos adversarios o corpo que já podia menos do que a alma, e exclamando ao despedil-a: Ora vingar, villanagem!

Se o infante D. Henrique é o traço de{158} união que para todo o sempre, emquanto se não perder a memoria das grandezas passadas com a existencia do ultimo homem, nos liga ao Oriente, cujas portas abrimos, cujos mares devassamos, cujos emporios vencemos, D. Alvaro Vaz de Almada é o vinculo eterno que nos prende ao Occidente cavalheiresco, ás tradições aventurosas do brio militar e do militarismo galante que foram, na Europa da idade-média, a suprema expressão da nobreza da alma humana.

Um, o infante, é a aurora do novo dia que começa a raiar para a humanidade do seculo XV, aurora resplendente de fulgurações prismaticas, de arreboes dourados, de rosicler cambiante.

O outro, o conde, é o occaso da idade-média, o sol-pôr de um seculo de feitos heroicos, de primores e gentilezas de cavalleiros intemeratos,—occaso opulento de tintas e de sombras grandiosas, em que a{159} luz briga ainda com as trevas, affirmando na lucta o valor que certamente havia aprendido com os cavalleiros d'esse tempo.

Estes dous homens, o infante e o conde, são como uma dupla personificação da sua época, do momento de transição solemne em que a poesia das espadas, a epopêa das cavallarias errantes, que preparavam a alma humana para todas as concepções arrojadas e para todos os feitos destemidos, vai ceder o passo á quilha das caravellas e das naus, que iam em demanda do Oriente para trazel-o ás portas de Lisboa, estreitando as relações dos povos, desenvolvendo a navegação e o commercio, fomentando a industria pela abundancia de capitaes e pela exploração de novos mercados, pela nobilitação do trabalho, que não tardaria a deixar de ser um mister de escravos para converter-se n'uma applicação honrosa da actividade humana.

O infante e o programma, ainda então{160} mal desenrolado, da transformação economica da Europa culta.

O conde é o livro, prestes a fechar-se, do espirito militar da idade-média, o ultimo clarão da cavallaria moribunda.

São uma época, estes dous homens. Completam-se um pelo outro.

Ora, no momento em que a cidade do Porto vai prestar uma grande homenagem collectiva ao infante Descobridor, que n'essa boa terra nasceu, e fazer resuscitar por alguns dias o periodo mais brilhante da nossa historia nacional, pareceu-me justo, agora o repito, recordar o vulto do homem que, ao lado de D. Henrique, synthetisa o seculo XV, a transição da idade-média para os tempos modernos, na historia de Portugal.

Tendo, meu caro snr. Lugan, de lhe enviar esta carta a tempo de poder ser publicada por occasião da festa centenaria do infante, fui obrigado a circumscrever-me{161} a estreitissimos limites, e a passar rapidamente por acontecimentos que mereciam longa attenção.

Não é um trabalho litterario perfeito o que lhe mando, porque o fazel-o excederia os meus recursos e não caberia nos poucos dias de que pude dispôr. É, pois, uma simples carta, escripta ao correr da penna, sem preoccupações academicas, mas inspirada unicamente no desejo de corresponder á louvavel resolução do meu bom amigo e de, por minha parte, render homenagem ás glorias da minha patria.

Lisboa, 2 de fevereiro de 1894.

De V.

amigo muito affeiçoado

Alberto Pimentel.

[1] Quando se queria elogiar a opulencia de alguem, dizia-se: É como Janeanez (João Éannes ou Annes).

[2] O snr. Oliveira Martins (Filhos de D. João I, pag. 87) confunde João Vaz de Almada com João Annes, que erradamente suppõe ter sido o pai de Alvaro Vaz de Almada.

[3] «Tavarez fait remonter les chevaliers de cette race au grand Janeanez d'Almada, qui occupa les offices les plus importants sous D. Pedro, puis sous son fils, et auquel ont dû les fortifications dont ce dernier monarque entoura Lisbonne». (Portugal, pag. 85).

[4] O valle por onde hoje se estende a Avenida da Liberdade.

[5] João Vaz de Almada teve um filho bastardo, do mesmo nome, que foi senhor de Pereira.

[6] Fernam Lopes, Chronica d'el-rei D. João I, cap. XXXIX.

[7] Quadro diplomatico, tom. I, pag. 283; tom.. XIV, pag. 155-156.

[8] Quadro diplomatico, tom., XIV, pag. 172-173.

[9] Ibid., pag. 174.

[10] Esta preferencia explica-se pelo facto de João Vaz de Almada ir na qualidade de capitão-mór da cidade de Lisboa.

[11] «Rex Johannem Valascum de Almatina vocari fecit, cui dixit: «Cape signum Sancti Vicentii et, si potes, alteram civitatis partem ingrede, et si senseris barbaros fugam arripuisse arcemque reliquisse, signum in summo arcis pone». Ille mandato Regis parens, signum accepit et ad portam muri qui civitatem in duas partes dividebat, cum multis armatis eum sequentibus, venit; et quia clausa erat, illos eam ipsam rescindere monuit; illis vero rescindentibus, duo barbari qui remanserant, ut rerum exitum expectarent, ad murum accedentes, lingua castellana quam noverant dixere: «Nolite tantum laboris assumere, nos enim portam aperiemus et vobis aditum faciemus». Ubi fuit aperta Johannes Valascus, arcem ingressus, in altiori turre signum collocavit, etc.» (Matheus de Pisano, Gesta illustrissimi regis Johannis de Bello Septensi, 1460; Inéditos da Accademia, tom. I).

Henry Major copiou este episodio. Discoveries of Prince Henry the Navigator. London, 1877. Pag. 35.

[12] Historia de Portugal, vol. I, pag. 9.

[13] «E este Ifante (D. Affonso, fiiho do rei D. Duarte) foy ho primeiro filho herdeiro dos Reys destes Regnos, que se chamou Principe, porque atee elle, todoloos outros se chamaram Ifantes primogenitos herdeiros, etc.» (Ruy de Pina, Chronica do sr. rei D. Duarte, vol. I dos Inéditos).

[14] O Nobiliario de Damião de Goes (Torre do Tombo, 21-B-26) falla de ferimentos; outro codice (Torre do Tombo, 21-F-17) diz—pancadas.

[15] O snr. João Teixeira Soares, artigo Os doze de Inglaterra, publicado na Era nova, pag. 458.

[16] Historia serafica, 1.ª parte, cap. XXIII.

[17] Descripção de Portugal, pag. 311.

[18] Os filhos de D. João I, pag. 87.

[19] «... esta cerimonia (a investidura de um cavalleiro) dava áquelle que iniciava um seu companheiro no culto do valor e da lealdade, uma certa influencia sobre o neophyto, que lhe ficava consagrando sempre respeito e affeição indissoluvel». (Pinheiro Chagas, Historia de Portugal, vol. II, pag. 147).

[20] Ferdinand Denis, Portugal, pag. 84.

[21] Torre do Tombo. Codice 21-F-17.

[22] Fernam Lopes, Chr. d'el-rei D. João I, cap. XCV.

[23] ... né au commencement du quinzième siècle...» (Ferdinand Denis, Nouvelle biographie universelle, tom. II, pag. 170). «Alvaro était né, selon toutes les probabilités, à peu près vers l'époque ou Joam Ier avait eu ses premiers fils». (Ferdinand Denis, Portugal, pag. 86).

[24] Suppomos ser o snr. Pinheiro Chagas a pessoa que, no Diccionario popular, escreveu o artigo relativo a Alvaro Vaz de Almada.

[25] Foi Pedro José de Figueiredo, mas parece que teve collaboradores. 1817.

[26] Artigo Alvaro Vaz de Almada, no Diccionario popular.

[27] A pedido de Alvaro Vaz, esta carta foi confirmada por outra do rei D. Duarte, dada em Almeirim a 5 de Janeiro de 1434.

O posto de capitão-mór da armada conservou-se depois nos Almadas descendentes do agraciado, até ao tempo de el-rei D. Sebastião, que d'elle fez mercê a D. Fernando de Almada, bisneto de Alvaro Vaz, por carta passada em Evora a 25 de agosto de 1573.

[28] Ruy de Pina, Chronica do senhor rei D. Duarte, cap. XXIV.

[29] Chronica do senhor rei D. Duarte, cap. XXV.

[30] Chronica do senhor rei D. Duarte, cap. XXVI.

[31] Chronica do senhor rei D. Duarte, cap. XXXIV.

[32] Ruy de Pina, Chronica do senhor rei D. Duarte, cap. XXXVI.

[33] Portugal, pag. 86, nota.

[34] O infante D. Pedro, chronica por Gaspar Dias de Landim, cap. XIV.

[35] Landim, mesmo capitulo.

[36] Chronica do senhor rei D. Affonso V, cap. XXXI.

[37] Pina, Chronica do senhor rei D. Affonso V, cap. XXXIV.

Era o Limoeiro. Este edificio havia sido Casa da Moeda, e depois palacio dos infantes, porque lhes era destinado. (Vêr Noticias chronologicas da universidade de Coimbra, por Francisco Leitão Ferreira, nas Memorias da Academia Real de Historia relativas ao anno de 1729, pag. 206). Mas ficou por muito tempo o costume de designar o palacio pelo seu nome antigo: a Moeda.

[38] Chronica, cap. XXXVI.

[39] Torre do Tombo—Chancellaria de D. Affonso V, liv. 20, fol. 85 v.

[40] Chronica, cap. LXXI.

[41] Elementos para a historia do municipio de Lisboa, tom. I, pag. 322.

[42] Diccionario popular, artigo Alvaro Vaz de Almada.

[43]

Ex Archivis in Turri London E rotulo Franciae, A.º 23.º Hen. 6, membrana 2.

Henricus dei gratia Rex Angliae et Franciae et dominus Hiberniae Archiepiscopis, Episcopis &c. salutem. Magnis efferendi sunt laudibus, singulari attollendi gloria, qui in Rei publicae salutem dies suos et vitam ipsam ferventi studio et animo indefesso conferre nituntur; qui de seipsis pericula faciunt pro aliorum quiete, qui egregiam famam et nomen immortale, prae coeteris mundanis rebus sitiunt, et foelices se praedicant dum communem utilitatem eorum operâ et fide adjutari posse arbitrantur: O foelicissimum genus hominum! sine quibus urbes, moenia, regna, dominia, mundi Principes, nec mundus ipse, incolumitate gaudere poterunt: O clarissimi et justi viri! quorum sancta dispositione virescunt virtutes omnes et florent, pulcherime effrenantur mali, praemuntur perversi; nemo est certe qui horum ingenuos animos aut literis contexere aut verbis affari dignâ laude poterit; de quorum numero insignis et nobilis animi vir et strenuus et splendidissimus miles D

OMINUS

A

LVARUS DE

A

LMADAA

dicendus et praedicandus est, qui ab ineunt suâ aetate, dum annos pueritiae excesserat, militiae gloriâ debaccatus, virtutum praemia et communem omnium salutem anelans, toto conanime et omni studio in armorum usum so conjecit, et cum aptiores Rei militares attigerat annos, adolevit strennitas sua cum aetate, itaq animo excellenti in omnem Rei publicae tuitionem crevit, ut nichil sibi dulce, acceptum aut desiderabile videbatur, si pro communi bono non fuerit institutum; adeo sua pro virili bellorum descrimini insudavit forti animo, et pacis tranquilitati consilio, quod suo jure praemia debentur suo labori: propterea nos animadvertentes nobilitatem et animi dicti viri egregiam dispositionem, quae suis gestis adjunctae magnum efficiuntornamentum, nec non ingentia facta quae non tantum tempore regni celeberimae memoriae Christianissimi Progenitoris nostri verum etiam cumulum amoris servitii et meritorum quae nobis regnisq exhibuit nostris, ipsum in militem ac socium et fratrem de G

ARTERIA EX

unanimi consensu societatis ejusdem elegimus et realiter investivimus: eundem etiam Dominum A

LVARUM

ex nostra habundantiori gratiâ in evidens testimonium suarum virtutum, in comitem D

AVARANS

in D

UCATU

nostro N

ORMANDIAE

creavimus et praefecimus, ac per presentes creamus et praeficimus ac de eisdem nomine honore et titulo per cincturam gladii investientes effectualiter insignivimus. Habenda et tenenda eadem nomen et honorem Comitis D

AVARANS

sibi et haeredibus suis masculis de corpore suo legitime exeuntibus in perpetuum, volentes et praecipientes pro nobis et haeredibus nostris quod dictus fidelis noster dominus A

LVARUS

nomen et honorem Comitis D

AVARANS

teneat sibi et haeredibus suis masculis de corpore suo ut praemissum est legitime exeuntibus in perpetuum, Hiis testibus venerabilibus patribus I: Cantuar: et I. Eborum archiepis. Tho: Norwicen: W: Sarum, I: Bathon et Wellen Epis. carissimo avunculo nostro Humfredo Duce Glouc: ac carissimis consanguineis nostris Iohan. Exon. et Humfredo Buck. Ducibus et Willõ Marchione Suffolciae. Iohan: Vicecom: de Beaumont, ac diltis(1) et fidelibus suis Radulpho Cromwell et Radulpho Botiller militibus, Thess(2) Angl., et Magistro Adam Moleyns custode privati sigilli et aliis. Dat. per manum nostram apud Westm(3). 4 die Aug.

Per breve de private sigillo et de data praedicta &c.

(1) Dilectis.

(2) Thesaurariis.

(3) Westminster.

[44]

Ex Archivis in Turri London E rotulo Franciae, A.º 23.º Hen. 6. membrana 2.

Rex omnibus ad quos &c salutem. Ponimos ante oculos nostros fidem industriam circumspectionem affectionem laboresq et alia memoriâ dignissima quae fidelis noster Dominus A

LVARUS DE

A

LMADAA

Comes D

AVARANS

consiliarius excellentissimi Principis et potentissimi domini Regis Portugaliae consanguinei nostri et Capitaneus Major in omnibus regnis suis et dominationibus ac Alcayde major civitatis Ulisbonensis foelicis memoriae genitori nostro et etiam nobis singulari intentione impendit: volentes ideo hujusmodi merita sine fructu nequaquam oblivioni comittese, Ex mero motu nostro concessimus et concedimus per praesentes eidem A

LVARO

centum marcas percipiendas annuatim quamdiu vixerit ad receptam Scaccarii nostri Angliae per manus Thesaurarii et Camerariorum nostrorum ibidem pro tempore existentium ad Terminos Paschae et Sancti Michaelis per equales porcõnes. In cujus, etc. Teste R. apud Westm. 9 die Augusti.

[45] N. B.—O marco inglez valia 13 schellings e 4 pences.

[46] Priv. Sigill. 13 Aug. 23 H. 6. We in good consideration of the good service grete zele and good love that our trusty and welbeloved ALVAST DALMAA Knyght of Portugale hath doon and shewed unto us and oure full noble progenitors have maad(1) and creat(2) him now late(3) Therle(4) of AVERANCHE and over that(5) we have graunted unto the said ALVAST a pension of an C marc by yere during his life. We charge you that ye delivere unto him a cupp of golde of XL marc and C marc thereinne &c.

(1) Made.

(2) Created.

(3) Now of late; lately.

(4) The earl.

(5) And besides that; and moreover.

[47] O titulo de conde de Avranches, posto que Henque VI o concedesse hereditario, caducou desde que Carlos VII conseguiu reunir á França o ducado de Normandia.

Foi pois preciso que Luiz XI o confirmasse na pessoa de D. Fernando de Almada, filho das segundas nupcias de D. Alvaro Vaz de Almada, porque a geração do primogenito do primeiro casamento extinguiu-se.

A confirmação realisou-se quando Affonso V esteve em França, e D. Fernando de Almada o acompanhou.

O titulo, assim renovado, foi reconhecido em Portugal: D. João II mandou fazer assentamento a D. Fernando de Almada, conde de Avranches, de 102:864 reaes brancos.

Acabou o titulo na pessoa de D. Antão de Almada, que acompanhou a Africa D. Sebastião, e lá morreu. O filho de D. Antão, que estivera com o pai em Alcacerquibir, ficou captivo, e só logrou repatriar-se depois da morte do cardeal D. Henrique. Não se renovou por isso a concessão do titulo, interrompendo-se tambem a successão do officio de capitão-mór do reino.

Outro D. Antão de Almada, descendente do Bom capitão, foi um dos quarenta fidalgos de 1640.

A rainha D. Maria I agraciou a familia Vaz de Almada com a concessão do titulo de conde de Almada, a 13 de maio de 1793.

[48] Chronica, cap. LXXXIX.

[49] Que bello desplante cavalheiresco n'este repto de um contra tres!

[50] The life of Prince Henry of Portugal, cap. XIII, pag. 229.

[51] Memorias d'el-rei D. João I, tom. V, cap. LXV, pag. 342.

[52] Pina, Chronica, cap. XCIII.

[53] Dom Affonso, etc., a quantos esta carta virem fazemos saber que a nós disseram que em Abrantes foram deixados certos bens de herança por um Fernão Rodrigues Rombo; que por morte de um seu filho os houvesse a egreja de S. João da dita villa, a qual os houve e teve anno e dia sem os venderem e acabado o dito tempo a pessoas leigas segundo por nós é ordenado (sic). Os quaes bens vai em dois ou tres annos os tem os clerigos da dita egreja, pela qual razão por bem da nossa ordenação pertencem a nós e os podemos dar de direito a quem nossa mercê for. E ora querendo nós fazer graça e mercê ao capitão Alvaro Vaz d'Almada, Rico Homem do nosso Conselho e Alcaide Mór da cidade de Lisboa, se assim é, como nos foi dito, e que por a dita razão os ditos bens pertencem a nós e os podemos de direito dar a quem nossa mercê for, temos por bem e fazemos-lhe d'elles livre e pura irrevogavel doação entre os vivos valedoura d'este dia para todo sempre e de todos seus herdeiros e successores que depois elle vierem, assim ascendentes (sic) como descendentes. E, porem, mandamos aos juizes da dita villa d'Abrantes e a outros quaes que isto houverem de ver que, presentes os tedores dos ditos bens e partes, a que isto pertencer, que se acharem que assim é como nos disseram e que por isso os ditos bens que assim ficaram á dita egreja pertencem a nós e os podemos de direito dar, que vista esta carta os façam logo dar e entregar ao dito capitão ou a seu certo procurador e lh'os deixem ter e haver, lograr, possuir, vender, dar e doar, trocar e escambar, fazer d'elles e n'elles o que lhe prouver, como de sua cousa propria e corporal possessão, por quanto nós lhe fazemos d'elles a dita mercê e doação o mais firmemente que ser pode, se a nós de direito pertencem e a outrem primeiramente não são dados, por nossa carta dando appellação e aggravo ás partes nos casos que o direito outorga, e esta mercê lhe fazemos com tanto que elle nem seu procurador não faça avença com as partes sem nossa licença, e se a fizer que perca para nós isto de que lhe assim fazemos mercê e mais o preço que por isso receber e al não façaes. Dada em Lisboa 18 de Agosto. El-Rei o mandou por Lopo d'Almeida, cavalleiro de sua casa, não sendo ahi Diogo Femandes d'Almeida, seu pai, do conselho do dito Senhor e védor de sua Fazenda, a que isto pertencia. Nuno Affonso a fez anno de Nosso Senhor Jesus Christo de mil quatrocentos quarenta e quatro(1).

(1) Torre do Tombo—Chancellaria de D. Affonso V, liv. V, fl. 68.

[54] Devia ser n'este anno, pelas razões expostas pelo visconde de Santarem no Quadro elementar, tom. III, pag. 80, nota, e pelo conde de Villa Franca, D. João I e a alliança ingleza, pag. 201, nota.

[55] Chronique du bon chevalier Jacques de Lalain, frère et compagnon de l'ordre de la toison d'or, por Georges de Chastelain, cap. XXXVIII a XLII.

[56] Pina, Chronica, cap. XCVI.

[57] Pina, Chronica, cap. CIV.

[58] Pina, Chronica, cap. CX.

[59] Portugal, pag. 88.

[60] Pina, Chronica, cap. CXVIII.

[61] Pina, Chronica, cap. CXX.

[62] Pina, mesmo capitulo.

[63] Combateu pelo infante D. Pedro em Alfarrobeira. Era quinto filho de Lopo Dias de Azevedo.

[64] Frei Luiz de Sousa, Historia de S. Domingos, 1.ª parte, liv. VI, cap. XV.

[65] Mariz, Dialogos de varia historia; Major, The life of Prince Henry of Portugal.

[66] Um codice da Torre do Tombo (21-F-17) confunde este João Vaz de Almada com o pai, que tinha o mesmo nome. O filho é que foi védor da fazenda de D. Affonso V, como claramente diz Ruy de Pina. É verdade que o mesmo codice, suppondo que João Vaz de Almada, pai do conde de Avranches, era védor em 1451, encarrega-se de evidenciar o equivoco, noticiando que falleceu em Londres logo depois do casamento de D. Beatriz, com o conde de Arundel, casamento que se realisou em 1405! A chronologia dos nobiliarios é uma cousa escurissima.

O pai do conde de Avranches figura com a moradia de 12:000 livras na casa de D. João I.

O bastardo, além de védor, foi rico-homem e cavalleiro do conselho de Affonso V.

[67] Diz Duarte Nunes que em Inglaterra se cantavam romances populares em honra de Pedro Vaz de Almada por um feito de armas que praticára, e que fôra muito louvado dos inglezes. Os ossos de D. Pedro, que falleceu solteiro, foram trazidos a Portugal por um criado, que se chamava Rolão Vaz.

[68] Visconde de Castilho, Julio, Lisboa antiga, vol. I.

[69] D. Leonor Telles, quando passou do marido para o rei D. Fernando, ou ainda ia pejada ou pouco antes havia dado á luz este filho legitimo. O pai, João Lourenço da Cunha, voltou á patria quando D. Fernando morreu, e pediu ao Mestre de Aviz que reconheoesse Alvaro da Cunha como herdeiro de todos os seus bens, o que foi concedido.

[70] Descendente, como todos os outros Pessanhas, do nautico genovez Manoel Pezagno, que o rei D. Diniz chamou ao serviço de Portugal, e nomeou almirante da sua frota. O appellido Pezagno aportuguezou-se em Pessanha. E o almirantado ficou na familia.

[71] Nouvelle biographie universelle, tom. II, pag. 170.

[72] O primeiro Antão que apparece na familia de Alvaro Vaz de Almada é um seu neto, segundo filho de D. Fernando de Almada, segundo conde de Avranches.

[73] Os chronistas portuguezes dizem—João de Montferrat. Froissart, porém, chama-lhe Guilherme de Montferrant.

[74] «... mas foi desde o tempo de João I que multiplicados laços uniram estreitamente as duas casas e os dois Estados (Portugal e Inglaterra). O antigo tratado de commercio e de alliança de 12 de abril de 1372, que era apenas uma extensão do precedente, foi renovado a 15 de abril de 1386; ainda no mesmo anno (9 de maio) uma alliança defensiva foi concluida com o rei Ricardo de Inglaterra, confirmada solemnemente no anno seguinte (12 de agosto) e reconfirmada ainda a 16 de fevereiro de 1404 por Henrique IV, successor de Ricardo. O casamento de João com a filha do duque de Lancaster (2 de fevereiro de 1387) sellou ainda estes laços de amizade com a corôa de Inglaterra, garantiu e assegurou os tratados de diversa natureza que existiam entre os portuguezes e os inglezes».

Schæfer—Historia de Portugal. (Reinado de D. João I).

[75] Les chroniques de sire Jean Froissart, tom. III, part. I, cap. XXXVII.

[76] Os doze de Inglaterra, artigo do snr. João Teixeira Soares, na Era Nova, pag. 448.

[77] Snr. Teixeira Soares, artigo citado.

[78] Francisque Michel, Les portugais en France, les français en Portugal, 1882, pag. 9.

[79] Relations anciennes de la Belgique et du Portugal, pag. 25.

[80] Chronica, cap. V.

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