Note 27 — XV RAMOS (Manoel Sanches)
Reading edition
Prudhon—«Du principe de l’art»—Paris 1865.—É curioso confrontar esta opinião de Prudhon com a de Carlos Lévêque, que decerto não está muito proximo d’elle em taes assumptos, mas que os estudou e conhece profundamente.
Comparando a Venus da Farnésina á Venus de Milo, diz:
«Os dois elementos rivaes são conciliados pelo sacrificio reciproco das suas pretenções extremas. Do paganismo, Raphael separou esta plasticidade que chama sobre si propria a vista; do mysticismo afastou o tosco e a austeridade. Não ha já entre o sentimento dos seus personagens e as suas fórmas corporeas senão uma consonancia suave. Os pagãos se revivessem não encontrariam tudo o que era seu e lamentariam um certo accrescimo de vitalidade frémissante.
«Pelo contrario as almas devotas até ao ascetismo murmuravam já no seculo XVI e prantêam ainda hoje esta brilhante reintegração da fórma.»
Isto com relação á obra raphaelesca que, diz Lévêque, «reconciliou Venus com Psyché e o corpo com a alma deixando a preeminencia a esta.»
De Leonardo de Vinci porém, que não tem na sua opinião a «intuição da plasticidade eloquente e pura», diz: «Muito voluptuosa e não assás bella, a sua Leda tem as coxas robustas, o busto curto e a expressão sensual. Para as mais diversas cabeças este mestre tão habil não tem mais que um sorriso, o sorriso fascinador e perturbador da Monna Lisa, que a gente se admira de ver brincar na bôca da Virgem e nos labios mysticos e maternaes de Santa Anna.»
(C. Lévêque—«L’œuvre paienne de Raphael.»—Revue des deux mond. An. XXXVIII).
Grave erro ha porém n’estas comparações da estatuaria grega com a pintura christã. As duas artes teem elementos diversos que implicam diversos effeitos estheticos.