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Os jardins ou a arte de aformosear as paisagens

NOTAS DO TERCEIRO CANTO.

Manuel Maria Barbosa du Bocage translation

Sei que em Harlem ha Curiosos tristes, Que em seus Jardins co’as flores vão fechar-se.

Harlem he Cidade de Hollanda, onde se commercia muito em flores, e sabe-se a que extravagancia tem chegado os Floristas no amor á raridade, e ás posses exclusivas.

Do cume dos Rochedos verdadeiros, etc.

Em geral, não se podem imitar bem os rochedos, nem todos os grandes effeitos da Natureza. Ella não consente á Arte emprehender estes atrevimentos, salvo quando combate com todos os esforços, e cabedais do engenho, e da opulencia. Assim se formou, segundo os desenhos de Robert, o soberbo Rochedo de Versailles, cujo effeito só o póde adivinhar a fantasia, que o vê d’ante mão toucado de vistosas arvores, e ornado de toda quanta verosemelhança, e belleza póde só dar-lhe o tempo.

Aos Campos de Midléton, ás Montanhas De Dovedále te acompanho os passos, A ellas, Whateli, comtigo subo.

São dois sitios de Inglaterra, famosos pelas fórmas pictorescas da sua cadeia de rochedos, descriptos por Whateli, de que o Author, assim como Morel, no seu formoso tratado dos Jardins, colhêrão algumas passagens, tais como a cabana, e a ponte suspensas sobre despenhadeiros. Mas Delille cuidou em exprimir de hum modo seu as sensações que nascem destes aspectos medonhos.

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