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Napoleão no Kremlin

VI

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Nisto uma chamma, e outra, e cento, e centos Brotam-lhe em torno, as trevas arraiando; Abrazam-se os minados monumentos; Cresce o mal, cresce o damno, desabando No rubro chão os rotos pavimentos; Negro e espesso vapor, de quando em quando, O espaço tolda, golpha nas verédas. É tudo em pouco um mar de labaredas! Soprando sobre a ardente cataracta, Rijo aquilão o estrago faz mais breve, E o hynverno boreal, veloz, desata Dos rócheos hombros o lençol de neve. Triumpha a morte; o horror o horror dilata; O espirito a medil-o mal se atreve. Que dôr! Que fim! Que circulo medonho!... Tal foi o despertar qual fôra o sonho! Inspira patrio amor delirio intenso. Do rude Scytha a barbara energia Faz do seu Capitolio um facho immenso, (Funerea tocha em lugubre agonia!) E brada ao vencedor tôrvo e suspenso: —«Hospede vens: meu braço te allumia!» Pressagio triste ao grande temerario! O incendio, occaso! Os gellos, um sudario! D'esse lume ao revérbero inimigo Vê-se, na encosta qu'inda o sangue innunda, Descendo, só, quem só contou comsigo; E no extremo fatal (licção profunda!) Como o padrão do Prometheu antigo, Um rochedo surgir, que o mar circumda— O mar, espelho azul da immensidade, Cantico eterno á eterna liberdade!

VENDE-SE NOS-SEGUINTES LOCAES

Escriptorio da Typographia da Gazeta de Portugal, travessa da Parreirinha, 26, 1.º andar.

Livraria de Silva, praça de D. Pedro, 22 a 25.

Livraria de Pereira, rua Augusta, 50 e 52.

Liyraria de Lavado, rua Augusta, 29 e 31.

Preço 100 réis.

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