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Maldita felicidade

A mesma, Fernando e Carlos

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FERNANDO—Que tem, mamã? Está doente?

ENGRACIA—Felizmente não soffro.

CARLOS—O mesmo não dizemos nós. Amamos e padecemos.

ENGRACIA—Já?!...

FERNANDO—Sim, mamã.

CARLOS—E desejavamos que a mamã instasse com o papá para que elle, hoje mesmo, fosse pedir em casamento as nossas amadas.

ENGRACIA—Pois sim; digam-me os nomes, filiação e moradas das damas dos vossos pensamentos.

CARLOS—A minha chama-se Victoria Côrte Real, é filha de Felicidade Côrte Real e de Carneiro Real, negociante e proprietario, e mora na rua de S. João dos Bemcasados.

FERNANDO—E a minha chama-se: Gloria Côrte Real, é filha dos mesmos paes e mora na mesma casa.

ENGRACIA—Oh! Que horror! Namoram as irmãs!

CARLOS—E o que tem isso? Dois irmãos podem casar com duas manas.

ENGRACIA—Então querem casar com as vossas irmãs?!

FERNANDO E CARLOS—Nossas?!

ENGRACIA—Sim! Nesta carta, D. Alexandre felicita o pae, por saber que lhe cabe a paternidade da Victoria e da Gloria e tambem á Felicidade que lhe deu entrada na Real Côrte. Isto está bem de perceber. Real Côrte e Côrte Real são uma e a mesma familia!

CARLOS—Lá foram agua abaixo todos os nossos sonhos dourados!

FERNANDO—E ellas que a esta hora esperam ser pedidas em casamento!...

ENGRACIA, FERNANDO E CARLOS—Maldita Felicidade!

ENGRACIA (escutando)—Sinto os passos de Pinto Gallo! Não quero pôr-lhe a vista em cima! Vou pensar na minha vinganga! E, meninos, tenham coragem! Mulheres não faltam! Quem havia de dizer que meu marido tinha peccados velhos!... (sae).

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