FELISBERTO, DEPOIS ELVIRA E VENCESLAU
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Felisberto.—Vou metter-me numa camisa de onze varas... eu que nunca li uma linha sobre hypnotismo... fazer-me assim de pé para a mão um sabio... E se a pequena adormece a valer... e eu não sou capaz de a acordar... ora, qual historia, se ella está de combinação e adormece a fingir... não ha perigo algum... Ah! ahi vem o meu tutor e a minha noiva. Vamos, coragem e atrevimento...
Elvira (entra com o pae).—Sr. Felisberto, como está?
Felisberto.—Eu bem, e a sr.ª D. Elvira?
Elvira.—Menos mal, (troçando d'elle) com muitas saudades suas!...
Felisberto.—Oh! como sou feliz! (aperta as mãos de Elvira).
Venceslau.—Então, Felisberto, sempre estás disposto a dar uma sessão de hypnotismo?
Felisberto.—Se isso é do agrado da minha noiva!
Elvira.—Não sei bem, sempre tenho medo que haja perigo... Se o sr. me adormece para sempre?...
Felisberto.—Oh! não receie... tenho estudado a fundo essa maravilhosa sciencia e conheço-lhe todos os segredos... Posso fazer com que o somno lhe dure muito ou pouco, a meu bello prazer... (ap.) Isto é que é mentir...
Elvira.—Oh! n'esse caso, se o sr. responde pelo resultado, estou prompta a fazer a vontade a meu pae.
Venceslau.—Sim, Felisberto é um rapaz estudioso e como se tem dedicado particularmente a este phenomeno, ha de fazer tudo o que quizer.
Felisberto.—Vamos então dar principio. (colloca um fauteuil no meio da casa) A menina aqui. (colloca outro a distancia) O meu tutor ali. Não ha ninguem que queira assistir? São sempre convenientes os espectadores...
Venceslau.—Só se fôr o Simplicio e a Gertrudes?
Felisberto.—Pois sim, que venham.
Venceslau (chamando).—Gertrudes! Simplicio! (entram os dois, Simplicio traz o trombone escondido atraz das costas).