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A Morgadinha de Val-D'Amores/Entre a Flauta e a Viola

SCENA XII

Reading edition

MORGADINHA

(Chega uma chulata que vae de passagem para a Romaria. Bando de raparigas que precedem, bailando; tocadores de rebeca, viola, clarinete, ferrinhos e requinta. A esturdia pára defronte da morgadinha, e continúa dançando cada rapariga com o seu parceiro.)

COPLAS DE DESAFIO

(Em quanto o cantador deita a cantiga, tange sómente a viola. Entre os dois primeiros versos e os dois ultimos de cada quadra ha um espaço que dá logar a que toquem por alguns segundos todos os instrumentos.)

Cantador

Agora que eu vou passando, Faço aqui minha parada; Para saber da saude Da incelentissima morgada.

Cantadeira

Da incelentissima morgada Tambem eu quero saber,{53} Que mais linda creatura Não na póde o mundo ter.

Cantador

Não na póde o mundo ter Nem terá até ao fim; Os seus olhos são d'amóras, Os seus dentes de marfim.

Cantadeira

Se tem dentes de marfim, O seu rosto é uma roza; E viva sua incelencia Que não na ha mais fermosa.

Cantador

Quero dar a despedida Á senhora Morgadinha; Que não ha por estas terras Mais bonita fidalguinha.{54}

Cantadeira

Eu tamem vou espedir-me, Despedida quero dar; Adeus, senhora morgada, Sirva-se de perdoar.

(A morgadinha agradece-lhes com um aceno de lenço. O bando sáe tocando e dançando. Assim que o descante se ouve froixamente, volta Frederico.)

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