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Scenas do século XVIII em Portugal

Note 3 — CAPÍTULO I

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Como especime do estilo do tempo e do abismo ou antes tremedal imundo em que caíra a poesia na pátria de Sá de Miranda, de Ferreira e de Camões, aí vão os versos que caracterizam uma época:

Vai, oh formosa heroína, Do mar essas ondas sulca, Que, se é Vénus na beleza Vénus nasceu das espumas, Se és Divindade, não temas Da salgada água a fúria, Que até impera nos mares Immortal a formosura. Vai ser de Thetis inveja, Ser de Neptuno ventura, Das sereias lindo encanto. Das nymphas formosas injúria. Os tritões e as Napeias Sendo alegres testemunhas, A nau—carroça; tu—Deusa, Passeia as ondas ceruleas. Vai que é pequeno hemisfério, Um só mundo às luzes tuas, E quem em um só não cabe Justamente o outro busca. São do sol os diamantes Produção brilhante e sua; Se produz lá um sol tantos Três que farão? Conjectura. Vai examinar o oriente De onde sai a luz mais pura, Verás do teu nascimento Belo esplendor, cópia justa. Vai! conheça o mundo todo, Mais alto poder divulga, Que o sexo que em ti domina, O sangue que em ti circula.

(C. Castelo Branco, Noites de insónia).

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