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Os descobrimentos portuguezes e os de Colombo

Note 15 — II Causas de erro para a historia da solução dos problemas

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A idéa adoptada na edade média, que vinha da antiguidade e que durou até ao seculo XVI, é a das duas Ethiopias de Homero, a que fica entre os dois Nilos, e a que se liga com os Mauritanos. S. João Damasceno, dividindo os habitantes da terra segundo as areas dos ventos, dizia: «Ad Africum Ethiopes et occidentales Mauri, ad Favonium Herculis columnæ, etc.» De fide orthodoxa, tom. I, pag. 69. Apud Visconde de Santarem Essai sur l’histoire de la cosmographie, etc., tom. I, pag. 32. Assim é corrente que a baixa Ethiopia começa para os escriptores medievaes nas proximidades da Mauritania, quer dizer, pega com a Guiné primitiva, com a Guiné de Bethencourt. O titulo dos reis de Portugal mostra bem que Ethiopia quer dizer simplesmente Africa. Assim diz o titulo: Rei de Portugal e dos Algarves, d’aquem e d’além-mar em Africa... (Este Algarve na Africa era Ceuta e Tanger, etc.) senhor de Guiné (no sentido que esta palavra tomou depois dos descobrimentos) da conquista navegação e commercio da Ethiopia (Africa meridional e oriental) Arabia, Persia e India (tambem na significação da meia-edade, abrangendo a Asia Oriental). É curioso que um escriptor moderno, de grande merecimento, transcrevendo um trecho de um escriptor já do seculo XVII, em que se diz que um navio que ia para a Ethiopia foi levado pelas correntes para o Brazil, com isso muito se espanta. Não se lembra que a região da Ethiopia comprehendia até a Africa occidental que ficava para além da Guiné.

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