Note 6 — A tortura do Estilo
Reading edition
Entre a edição de 1876 e a de 1889 a que me refiro, há outra de 1880, já da Casa Chardron, que não pude ver. O confronto entre as três edições que tenho presentes,—a da Revista Ocidental, a de 1876 e a de 1889—basta porêm, para demonstrar o que pretendo.
Ao anunciar a edição de 1880 a casa editora, (senão o próprio Eça) dizia na Bibliografia Portuguesa e Estrangeira (Pôrto 1880-2.º ano n.º 1, pag. 19), que o autor do Crime refundira inteiramente o romance que era antigamente de 300 páginas e lhe entresachára 400 páginas novas. E mais diz: «É curioso neste trabalho seguir as influências que levaram o autor a refazer o seu livro: nos dois ou três primeiros capítulos vê-se que a sua intenção é simplesmente corrigir e aperfeiçoar o estilo e estudar mais profundamente os caracteres: nos dois capítulos seguintes começam a aparecer as scenas, os incidentes novos, mas o fundo ainda permanece o mesmo; é no sexto capitulo que vemos entrar o primeiro personagem novo; e daí por diante, então, o autor pondo de parte inteiramente o romance antigo, arrastado pela lógica do seu assunto, attraido pelos horizontes novos que êle lhe oferece, decide-se a escrever tudo de novo, como se tratasse dum livro novo... Êste novo livro parece todavia afastar-se dos processos do realismo e o autor como que procura criar unia escola nova individual, e sem ligações com as que existem.»