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Aves Migradoras

Note (Voltar ao Texto Principal) — CORONADO

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Morto o marido em 1891, Carolina Coronado não consentiu, por mais que a lei portugueza insistisse, em separar-se do cadaver. Veio a policia, vieram os magistrados, veio o ministro de Hespanha, veio o ministro da America, e deante de todos estes symbolos de força irrevogavel, a varonil mulher opôz a razão absurda da sua paixão esponsalicia, a aflição das suas saudades, e a ofegancia romantica dos seus zelos mortuarios. Não queria que a terra do cemitério provasse o corpo amado, e os adorados restos deixassem um momento d'estar sob a impressão dos seus cármes dolorosos, ouvindo-lhe todos os dias a voz, como se sob o encanto d'ella o drama da podridão custasse menos ao morto, e, sucessivamente exaladas do seu féretro, odes[1] vitaes pudessem vir impressionar e envolver de sugestão passional, o espirito amoroso, supersticioso, solitario e monjil da abandonada.

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